Roseane Santos chega à presidência-executiva da entidade em setembro com foco na integração dos recursos energéticos distribuídos, armazenamento, digitalização das redes e aprimoramento regulatório do mercado de energia.
A Associação Brasileira de Recursos Energéticos Distribuídos (antiga ABGD) anunciou a nomeação de Roseane Santos como sua nova presidente-executiva. A executiva assume o cargo em 1º de setembro, em um momento considerado estratégico para a evolução do setor elétrico brasileiro, marcado pela expansão da geração distribuída, pelo avanço das tecnologias de armazenamento de energia, pela digitalização das redes elétricas e pelo processo de modernização do marco regulatório do mercado de energia.
A chegada da nova liderança sinaliza um reposicionamento institucional da entidade, que busca ampliar sua atuação para além das discussões relacionadas à geração distribuída solar, consolidando-se como uma das principais vozes do debate sobre recursos energéticos distribuídos no país.
O processo de transição será conduzido por Luiz Fernando Leone Vianna, que ocupa a presidência-executiva interinamente desde janeiro deste ano. Durante sua gestão, a associação manteve atuação voltada à defesa da estabilidade regulatória e à implementação do Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022), além de ampliar as discussões sobre o papel dos recursos energéticos distribuídos na transformação do setor elétrico nacional.
Recursos energéticos distribuídos ganham espaço na agenda regulatória
A escolha de Roseane Santos ocorre em um contexto de mudanças estruturais no setor. Nos últimos anos, a geração distribuída ultrapassou a condição de alternativa complementar para se tornar um dos pilares da transição energética brasileira, impulsionando debates sobre flexibilidade do sistema elétrico, segurança energética, abertura do mercado livre para consumidores de menor porte e integração de novas tecnologias.
Entre os temas que devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos estão o armazenamento de energia em baterias, os mecanismos de resposta da demanda, a digitalização das redes de distribuição e a criação de um ambiente regulatório capaz de permitir a participação ativa dos recursos energéticos distribuídos na operação do sistema elétrico.
A expectativa é que a associação fortaleça sua atuação junto aos órgãos reguladores, ao Congresso Nacional e aos agentes do mercado para contribuir com a construção das políticas públicas necessárias à modernização do setor.
O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Energéticos Distribuídos destacou que a experiência da executiva será fundamental para ampliar o papel institucional da entidade diante dos desafios da transição energética brasileira: “Roseane construiu uma trajetória respeitada e tem grande abertura para o diálogo com todos os agentes. Ela chega para fortalecer o protagonismo da Associação em uma agenda que vai muito além da geração distribuída: envolve a modernização do setor elétrico, a integração dos recursos energéticos distribuídos e a construção de políticas públicas que permitam ao Brasil aproveitar todo o potencial dos recursos energéticos distribuídos na transição energética.”
Experiência regulatória e atuação no mercado de energia
Advogada com MBA em Direito e Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Roseane Santos possui mais de duas décadas de atuação no setor elétrico e de infraestrutura.
Ao longo de sua trajetória, participou de agendas estratégicas relacionadas à regulação e à modernização do mercado de energia. Foi conselheira de Administração e diretora da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), além de ter atuado em empresas como Neoenergia e Âmbar Energia e em escritórios de advocacia especializados no setor.
Sua experiência contempla projetos voltados à comercialização de energia, armazenamento, inovação tecnológica, descarbonização, governança corporativa e práticas ESG, temas que vêm ganhando protagonismo na agenda energética brasileira.
A combinação entre conhecimento regulatório e experiência no mercado é vista como um diferencial para liderar as discussões sobre a evolução do setor elétrico em um cenário de maior participação dos consumidores, integração tecnológica e desenvolvimento de novos modelos de negócios.
Próxima fase da geração distribuída exigirá integração tecnológica
Para a nova presidente-executiva, a geração distribuída entrou em uma nova etapa de maturidade, na qual o crescimento do mercado passa a depender da integração de tecnologias capazes de agregar valor ao sistema elétrico: “A geração distribuída consolidou-se como um dos principais motores da transformação do setor elétrico brasileiro. Agora, o desafio é integrar novas tecnologias, como armazenamento de energia, digitalização das redes, resposta da demanda e outros recursos energéticos distribuídos, construindo um ambiente regulatório que estimule inovação, investimentos e beneficie consumidores e o desenvolvimento do país. A Associação Brasileira de Recursos Energéticos Distribuídos (antiga ABGD) tem todas as condições para liderar esse debate.”
A visão apresentada por Roseane evidencia uma mudança de paradigma no setor. Mais do que ampliar a capacidade instalada de geração distribuída, o desafio passa a ser desenvolver um modelo energético mais descentralizado, inteligente e resiliente, capaz de integrar diferentes recursos energéticos distribuídos ao planejamento e à operação do sistema elétrico brasileiro.
Associação amplia agenda institucional
Sob a nova gestão, a Associação Brasileira de Recursos Energéticos Distribuídos pretende intensificar sua interlocução com os Poderes Executivo e Legislativo, órgãos reguladores e demais agentes do mercado de energia.
Entre os principais temas da agenda institucional estão a evolução do marco regulatório do setor elétrico, o desenvolvimento de mecanismos que incentivem a inovação tecnológica, a valorização dos recursos energéticos distribuídos e a contribuição dessas soluções para a segurança energética nacional e para a competitividade da economia brasileira.
A ampliação do escopo de atuação da entidade acompanha uma tendência observada nos principais mercados internacionais, nos quais a geração distribuída deixa de ser analisada de forma isolada e passa a integrar um ecossistema composto por armazenamento, gestão inteligente do consumo, digitalização e participação ativa dos consumidores na dinâmica do sistema elétrico.
Nesse cenário, a nova presidência assume a missão de posicionar a associação como um dos principais fóruns técnicos e institucionais para o debate sobre a modernização do setor elétrico brasileiro e o papel dos recursos energéticos distribuídos na transição para uma matriz energética cada vez mais sustentável, eficiente e digital.



