Operador alerta para risco de restrição temporária em usinas Tipo III devido à baixa carga do sistema e ao elevado volume de micro e minigeração distribuída previsto para 2 de agosto.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu nesta quinta-feira (30) o sinal amarelo que indica a possibilidade de acionamento do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na rede de distribuição no próximo domingo, 2 de agosto. A medida poderá resultar em restrições temporárias na geração de usinas classificadas como Tipo III, conectadas diretamente às redes das distribuidoras.
O alerta foi divulgado durante a primeira etapa da reunião do Programa Mensal da Operação (PMO) e ocorre em razão das projeções de baixa carga do sistema no fim de semana, combinadas com a elevada geração proveniente da micro e minigeração distribuída (MMGD).
A confirmação sobre a necessidade do corte, bem como o montante de potência que eventualmente será reduzido, será divulgada pelo ONS no sábado (1º), até as 14 horas, durante a Programação Diária da Operação.
Desde a aprovação do arcabouço regulatório do mecanismo de gestão de excedentes, no fim de 2025, o plano foi acionado apenas uma vez. Em 7 de junho deste ano, o operador determinou uma restrição de aproximadamente 1 GW na geração das usinas enquadradas como Tipo III.
Baixa demanda e elevada geração distribuída pressionam a operação do sistema
A eventual necessidade de corte está associada ao comportamento típico do Sistema Interligado Nacional (SIN) aos domingos. A redução do consumo de energia elétrica, somada ao crescimento da geração distribuída solar, aumenta o desafio operacional para manter o equilíbrio entre geração e carga supervisionada.
Nas últimas semanas, o ONS tem monitorado de forma mais intensa os impactos da expansão da MMGD sobre a operação do sistema, sobretudo durante os períodos de carga leve, quando a produção fotovoltaica atinge seus maiores níveis.
Ao apresentar as projeções para o início de agosto, o operador destacou os fatores que motivaram a emissão do sinal amarelo: “A previsão meteorológica adotada na maioria dos cenários de carga e de micro e minigeração distribuída (MMGD) indica a necessidade de cortes na produção de usinas não contratadas, de forma a calibrar a oferta de geração com a demanda supervisionada do sistema.”
Caso a restrição seja confirmada, as distribuidoras deverão comunicar imediatamente os agentes afetados em suas respectivas áreas de concessão para o cumprimento das ordens operativas.
Gargalos de transmissão limitam o escoamento da geração renovável
Além do crescimento da geração distribuída, o ONS também identificou limitações operacionais relacionadas ao escoamento da energia produzida nos subsistemas Norte e Nordeste.
Para a semana operativa entre os dias 1º e 7 de agosto, a expectativa é de baixo despacho adicional de usinas termelétricas para atendimento à ponta de carga. O suprimento da demanda deverá ser atendido prioritariamente pela geração hidrelétrica e pela utilização das margens operativas disponíveis nos subsistemas Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste.
Por outro lado, os períodos de carga leve deverão registrar volumes elevados de Energia Vertida Turbinável (EVT), especialmente durante as horas de maior geração solar. Embora parte desse excedente possa ser direcionada para exportação comercial entre subsistemas, a capacidade física das linhas de transmissão continua sendo um fator limitante.
Os limites operativos dos troncos de intercâmbio que conectam as regiões Norte e Nordeste ao Sudeste/Centro-Oeste permanecem restritivos em diversos horários do dia, reduzindo a capacidade do sistema de absorver integralmente a sobreoferta de energia renovável.
Gestão dos reservatórios segue estratégia operacional do SIN
O ONS também apresentou as diretrizes para a operação hidráulica dos reservatórios durante a próxima semana operativa. No Norte, a estratégia prevê a preservação dos níveis de armazenamento e o atendimento das demandas locais. Já no Nordeste, a geração hidrelétrica continuará sendo modulada em função da variabilidade das fontes eólica e solar.
Nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e Paraná, a operação seguirá coordenada conforme as necessidades energéticas e de potência do Sistema Interligado Nacional. No Sul, as usinas hidrelétricas atuarão no gerenciamento dos estoques de água e no suporte à demanda regional.
O alerta emitido pelo operador reforça os desafios operacionais decorrentes da rápida expansão da geração distribuída e da crescente participação das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. A necessidade de compatibilizar oferta e demanda em períodos de baixa carga tem levado o setor elétrico a discutir soluções estruturais relacionadas à ampliação da flexibilidade do sistema, ao reforço da infraestrutura de transmissão e à modernização dos mecanismos operativos do SIN.



