Cadastramento para os certames de Reserva de Capacidade de 2026 supera 6 mil propostas e consolida corrida do mercado por armazenamento em larga escala no SIN
A Empresa de Pesquisa Energética encerrou a etapa de cadastramento para os Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência por meio de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (LRCAP Armazenamento 2026) com um volume inédito no setor elétrico brasileiro. Ao todo, a EPE de planejamento contabilizou 6.091 projetos inscritos, que somam expressivos 296.807 MW (296,8 GW) de potência instalada ofertada pelos agentes do mercado.
O certame marca a estreia da contratação dedicada de BESS (Battery Energy Storage Systems) em escala de utilidade pública no país. Regulamentado pela Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, o leilão tem como objetivo central agregar flexibilidade operativa ao Sistema Interligado Nacional (SIN), mitigando gargalos de escoamento e mitigando os efeitos do curtailment (corte de geração) enfrentado pelas matrizes eólica e solar fotovoltaica.
Estrutura dos certames e exigência de conteúdo nacional
Conforme as diretrizes estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o mercado disputará a contratação de disponibilidade de potência para início de suprimento a partir de 2028, dividido em dois processos concorrenciais distintos:
- LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional: voltado exclusivamente a empreendimentos que utilizem sistemas de baterias com índices mínimos de conteúdo local, visando fomentar a cadeia fabril e tecnológica no país;
- LRCAP de 2026 – Armazenamento: certame de ampla concorrência, aberto aos demais projetos internacionais e nacionais elegíveis.
O volume massivo de cadastros demonstra a forte liquidez de capital e a prontidão dos desenvolvedores em viabilizar ativos de suporte de rede. A EPE ressalta a relevância estratégica da participação massiva dos investidores para a transição energética do país: “O expressivo volume de projetos cadastrados evidencia o elevado interesse dos agentes na implantação dos sistemas de armazenamento no setor elétrico brasileiro e reforça o papel estratégico dessa tecnologia para ampliar a flexibilidade operativa do sistema, apoiar a integração de fontes renováveis e atender às necessidades futuras de potência do SIN.”
Próximos passos: filtro de habilitação técnica e margem de escoamento
Apesar do montante nominal cadastrado superar a capacidade total instalada da matriz elétrica nacional, a EPE reforça que a cifra representa apenas o pleito inicial do mercado e não garante ingresso automático no leilão. A empresa inicia agora a fase rigorosa de análise documental, conexão à rede de transmissão ou distribuição e habilitação técnica dos empreendimentos.
A empresa de planejamento alerta para o rito regulatório que antecede as disputas em viva-voz: “É importante ressaltar, no entanto, que os projetos cadastrados não representam, por si só, os empreendimentos aptos a participar do certame. Os projetos passarão agora pelas etapas de análise e habilitação técnica conduzidas pela EPE, conforme os critérios técnicos estabelecidos. Somente a partir da habilitação serão conhecidas a quantidade de projetos, e consequentemente a potência, aptos a participar das fases subsequentes dos leilões.”
A habilitação técnica definirá o volume efetivo de megawatts que disputará a garantia de receita fixa a partir de 2028, consolidando o marco histórico da inserção das baterias como ativo de infraestrutura de rede no Brasil.



