Aneel multa Lightsource em R$ 5,7 milhões por atraso na operação de parque solar Milagres I a V

Usinas fotovoltaicas de 163,7 MW tiveram cronograma descumprido, e penalidade foi reduzida em 50% graças à mitigação dos impactos pela descontratação da energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aplicou uma multa de R$ 5,7 milhões à Lightsource devido ao atraso na entrada em operação das Usinas Fotovoltaicas (UFVs) Milagres I a V, totalizando 163,7 MW de potência instalada. As usinas foram contratadas no Leilão A-4 de 2019, com início de suprimento originalmente previsto para 1º de janeiro de 2023, mas sofreram atrasos que motivaram a penalidade.

Em março de 2022, a Lightsource conseguiu adiar a entrada em operação pelo Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD) e solicitou alteração do cronograma junto à Aneel, alegando excludente de responsabilidade. Contudo, o pleito foi rejeitado pela agência. Em junho de 2025, o recurso administrativo da empresa foi novamente negado, consolidando a aplicação das multas, publicadas no Diário Oficial da União em 8 de setembro.

Cronograma descumprido e operação parcial

As UFVs Milagres I e II entraram em operação comercial apenas em 19 de dezembro de 2023, enquanto as UFVs Milagres III, IV e V iniciaram operação em 20 de dezembro de 2023, quase um ano após o prazo originalmente definido.

- Advertisement -

Sobre os atrasos, a Lightsource explicou à Aneel que “com intuito de mitigar os atrasos, envidaram esforços para viabilizar o projeto, dentre eles, a descontratação do montante da energia comercializada no mercado regulado via MCSD”.

No entendimento da empresa, essa descontratação de 100% da energia comercializada no Ambiente de Comercialização Regulada (ACR) faria com que as usinas operassem como se estivessem contratadas no Ambiente de Comercialização Livre (ACL).

No entanto, a Aneel discordou dessa interpretação. Segundo a agência, mesmo com acordos bilaterais ou recomposição de lastro, “o cronograma de implantação da usina era um compromisso firmado no ato da outorga e tinha sido descumprido”.

Redução das multas

Embora tenha confirmado a responsabilidade da Lightsource pelo atraso, a Aneel levou em consideração as medidas adotadas para mitigar os impactos da demora, como a descontratação da energia. Por isso, as multas foram reduzidas em 50%, resultando em R$ 1,148 milhão por unidade, totalizando R$ 5,7 milhões para o complexo Milagres I a V.

- Advertisement -

Essa decisão evidencia o equilíbrio da Aneel entre rigor regulatório e flexibilidade operacional, reconhecendo esforços de mitigação sem abrir mão da responsabilização pelos prazos originalmente estabelecidos.

Contexto do Leilão A-4 e importância do cumprimento de cronogramas

O Leilão A-4 de 2019 tinha como objetivo ampliar a oferta de energia renovável no país, com contratos de suprimento para o Ambiente de Comercialização Regulada (ACR). O atraso na entrada em operação de projetos como as UFVs Milagres impacta não apenas o planejamento do sistema elétrico, mas também a segurança de suprimento e os contratos de energia firmados com distribuidoras e consumidores finais.

Especialistas lembram que a mitigação dos atrasos, por meio de instrumentos como o MCSD, é válida, mas não substitui o compromisso de entrega acordado no leilão. A decisão da Aneel reforça que o cumprimento do cronograma de operação é um requisito inegociável, ainda que medidas compensatórias sejam adotadas.

Impacto para o setor de energia solar

O caso das UFVs Milagres I a V evidencia os desafios enfrentados por projetos solares no Brasil, especialmente em relação a prazos de construção e operação em larga escala. Apesar dos atrasos, a Lightsource conseguiu iniciar a operação antes do fim de 2023 e reduzir as penalidades, mostrando a importância de planejamento robusto e mitigação de riscos em empreendimentos fotovoltaicos.

A decisão da Aneel também serve como referência para futuros leilões e contratos de energia, reforçando a necessidade de transparência, cumprimento de prazos e adoção de estratégias de mitigação para evitar prejuízos financeiros e operacionais.

Destaques da Semana

Alcolumbre envia marco dos minerais críticos às comissões e afasta urgência no Senado

Matéria central para a cadeia de baterias, eólicas e...

Ludimila Lima assume diretoria da ANEEL após fim do mandato de Fernando Mosna

Publicada no Diário Oficial da União, convocação da superintendente...

Governo publica decretos que abrem baixa tensão no Mercado Livre e regulamentam CCS e SAF

Regras fixam migração de comércios em 2027 e residências...

Petrobras confirma presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas

Perfuração no bloco FZA-M-59 atinge intervalo com óleo em...

Artigos

Últimas Notícias