Auren neutraliza impacto do curtailment pela primeira vez e registra EBITDA de R$ 926 milhões no 1º trimestre

Ganho recorde com modulação alcança R$ 97,2 milhões e supera perdas com cortes de geração; companhia avança em reorganização societária e mantém trajetória de desalavancagem

A Auren Energia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com EBITDA ajustado de R$ 925,9 milhões, em um cenário ainda marcado por curtailment elevado, volatilidade de preços no mercado de energia e menor desempenho das fontes renováveis. Apesar da retração de 23,2% frente ao mesmo período de 2025, a companhia destacou a capacidade do portfólio diversificado em capturar ganhos operacionais relevantes, especialmente por meio da estratégia de modulação.

O principal destaque do trimestre foi o resultado histórico obtido com modulação, que atingiu R$ 97,2 milhões, cinco vezes acima do registrado no primeiro trimestre do ano passado. Pela primeira vez, o efeito compensou integralmente as perdas financeiras provocadas pelo curtailment, que somaram R$ 86,2 milhões entre janeiro e março.

A performance foi impulsionada pela dinâmica do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), com preços mais baixos durante o período de maior geração solar, ao meio-dia, e valores mais elevados no fim da tarde e início da noite, favorecendo ativos com diferentes perfis de produção.

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O CEO da Auren Energia, Fabio Zanfelice, avalia que o trimestre reforçou a resiliência operacional da companhia diante de um ambiente mais desafiador para o setor elétrico: “Os resultados do trimestre evidenciam os benefícios da diversificação e da qualidade do nosso portfólio, que nos permitiu capturar valor em um cenário de maior volatilidade e neutralizar integralmente, pela primeira vez, os efeitos do curtailment. Isso comprova nossa capacidade de navegar por um ambiente complexo e de transformar desafios em oportunidades, gerando valor sustentável no longo prazo”.

Curtailment segue elevado no SIN

Os cortes de geração renovável permaneceram em níveis elevados no Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo do trimestre. Segundo a companhia, o curtailment atingiu 14,9% da geração eólica e 16,2% da geração solar, em linha com o observado no mesmo período de 2025.

Além das restrições operativas, o trimestre também foi marcado por oscilações hidrológicas relevantes. Janeiro apresentou afluências significativamente abaixo da média histórica, pressionando os preços da energia no mercado de curto prazo. A partir de fevereiro, porém, houve recuperação gradual dos reservatórios.

O armazenamento do sistema passou de 45% no início do trimestre para 69% ao final de março, ficando 13 pontos percentuais acima da média histórica dos últimos dez anos. Mesmo diante desse cenário, a companhia conseguiu preservar resultados considerados robustos graças à diversificação do portfólio entre ativos hidrelétricos, eólicos, solares e operações de comercialização.

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Comercialização e menor geração pressionam EBITDA

A redução do EBITDA na comparação anual foi impactada principalmente pelo desempenho da comercializadora, pela menor disponibilidade de recurso eólico e solar e pela queda da geração hidrelétrica no Brasil.

Ainda assim, a companhia manteve foco na disciplina financeira. A dívida líquida recuou R$ 135,4 milhões no trimestre, enquanto a alavancagem avançou marginalmente para 5,2 vezes dívida líquida sobre EBITDA ajustado, reflexo da redução do indicador acumulado em 12 meses.

A empresa reiterou a expectativa de estabilização da alavancagem ao longo de 2026, seguida por uma trajetória mais acelerada de desalavancagem a partir de 2027.

Projeto Cajuína 3 avança no Rio Grande do Norte

Na frente de expansão, a Auren informou avanço das obras do complexo eólico Cajuína 3, no Rio Grande do Norte. O empreendimento atingiu 68% de execução física no primeiro trimestre, dentro do cronograma e orçamento originalmente previstos.

O parque terá capacidade instalada de 112 MW e contará com 19 aerogeradores. O início do comissionamento está previsto ainda para o primeiro semestre de 2026, enquanto a entrada em operação comercial total deve ocorrer até dezembro.

Reorganização societária mira eficiência financeira

Outro movimento estratégico anunciado pela companhia foi a aprovação da primeira fase da reorganização societária, concluída em abril. A operação envolveu a incorporação da Auren Participações pela Auren Operações, iniciativa voltada à simplificação da estrutura corporativa e otimização da gestão financeira.

O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Auren Energia, Mateus Ferreira, destaca que a medida busca preparar a companhia para um novo ciclo de crescimento: “A reorganização societária é um passo relevante para simplificar nossa estrutura, aumentar a eficiência na gestão de caixa e endividamento e preparar a Companhia para um novo ciclo de crescimento. A partir de 2027, esperamos uma aceleração mais consistente do EBITDA e da geração de caixa, contribuindo para o avanço do processo de desalavancagem”.

Para o mercado, os resultados reforçam uma tendência crescente entre grandes geradoras: o uso da diversificação operacional e de estratégias de modulação como instrumentos para mitigar os impactos do curtailment e da volatilidade estrutural do setor elétrico brasileiro.

A combinação entre expansão renovável acelerada, limitações de transmissão e mudanças no perfil horário do PLD deve manter esse tema no centro das discussões do mercado ao longo de 2026.

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