Redução do piso do PLD pode estimular consumo em períodos de maior geração

Proposta do MME busca reforçar o sinal de preço da energia e ampliar a resposta da demanda em meio à expansão de fontes renováveis

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu consultas públicas para regulamentar medidas relacionadas à abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão a partir de 2027. Entre as propostas está a revisão da metodologia de cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), incluindo a possibilidade de reduzir o valor mínimo do indicador para patamares próximos de zero em determinados períodos.

Atualmente, o piso do PLD é de R$ 57,31/MWh. A mudança pretende reforçar o sinal de preço do mercado de curto prazo, permitindo que o valor da energia acompanhe de forma mais próxima as condições de oferta e demanda do sistema.

PLD pode reforçar resposta da demanda

Na avaliação de Alexei Vivan, sócio e head da área de Energia do CGM Advogados, a redução do piso pode criar incentivos para que parte dos consumidores concentre o consumo nos períodos em que houver maior disponibilidade de energia e preços mais baixos: “O que o governo pretende é melhorar o sinal de preço da energia ao consumidor, para que o consumo seja maior em momentos em que a geração é maior e, portanto, o preço da energia mais baixo. Favorece a chamada ‘resposta da demanda.”

- Advertisement -

O mecanismo ganha relevância diante da expansão da geração solar e eólica, cuja produção varia ao longo do dia. Em determinados horários, a oferta pode superar a capacidade de absorção da demanda, enquanto no fim da tarde e início da noite o sistema enfrenta uma combinação oposta: o consumo tende a aumentar ao mesmo tempo em que a geração solar diminui.

Essa diferença entre os perfis de geração e consumo amplia a necessidade de flexibilidade do sistema, com impactos sobre a operação das usinas e sobre a necessidade de recursos capazes de atender aos períodos de maior demanda.

Preços mais baixos podem deslocar consumo

A proposta de alteração do PLD está relacionada justamente à possibilidade de utilizar o preço como instrumento para induzir mudanças no comportamento dos consumidores.

Para Vivan, a existência de períodos com maior disponibilidade de energia cria uma oportunidade para estimular o deslocamento de parte do consumo: “Temos muita energia sobrando em determinados momentos do dia, especialmente por conta de sol e vento. Nada mais natural do que fomentar o deslocamento do consumo para esses momentos, com base em preços mais baixos. Infelizmente, nem todos os consumidores têm essa flexibilidade, mas é um exercício que vale ser feito em prol do consumidor e do setor elétrico.”

- Advertisement -

A resposta da demanda, nesse contexto, pode funcionar como uma ferramenta adicional de flexibilidade, reduzindo a necessidade de concentrar a operação do sistema exclusivamente no aumento da oferta nos horários de maior consumo.

Abertura do mercado livre amplia relevância do sinal de preço

A discussão sobre o PLD ocorre paralelamente à regulamentação da abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão, prevista de forma gradual a partir de 2027.

Com a ampliação do número de consumidores aptos a escolher seu fornecedor de energia, mecanismos de formação e sinalização de preços tendem a ganhar maior relevância. O efeito, porém, dependerá da capacidade dos consumidores de adaptar seus hábitos de consumo aos diferentes períodos de preço.

Para o setor elétrico, a mudança proposta pelo MME coloca o PLD no centro de uma discussão mais ampla sobre flexibilidade da demanda, integração de fontes renováveis variáveis e eficiência na utilização dos recursos disponíveis.

Destaques da Semana

Thymos projeta PLD médio de R$ 170/MWh na primavera

Consultoria atribui perspectiva de preços moderados aos níveis dos...

ONS propõe sandbox com cinco distribuidoras para testar modelo DSO no SIN

Projeto prevê despacho em tempo real de recursos energéticos...

J&F entra no gás off-grid com aquisição de 90% da Logás

Modelo de transporte rodoviário de gás natural e biometano...

Artigos

Últimas Notícias