Entidade destaca que deságio médio de 50,1% projeta economia de R$ 20,7 bilhões aos consumidores e reforça a mitigação do curtailment nas fontes renováveis
O resultado do 4º Leilão de Transmissão de Energia Elétrica, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), consolidou um avanço decisivo para a expansão e a confiabilidade da infraestrutura do Sistema Interligado Nacional (SIN). A avaliação é da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), que destaca a atratividade do certame e o perfil técnico dos grupos vencedores como fatores cruciais para a garantia da execução das obras dentro dos prazos regulatórios.
O leilão encerrou-se com 100% de aproveitamento, arrematando todos os oito lotes ofertados. A concorrência vai mobilizar um montante estimado em R$ 8,9 bilhões em investimentos privados e a criação de aproximadamente 20 mil empregos diretos e indiretos. Os projetos abrangem a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, além da operação e manutenção de 483 quilômetros de linhas existentes e da adição de 12.694 MVA em capacidade de transformação em subestações.
A ampliação da malha ocorre em um momento em que a operação do sistema enfrenta exigências crescentes de integração de fontes renováveis variáveis e a necessidade de mitigação de gargalos no escoamento de energia nas principais bacias de geração.
Mitigação do curtailment e eficiência operacional no SIN
Além de expandir a espinha dorsal do sistema elétrico, os novos empreendimentos têm papel direto na otimização do despacho energético e na redução das restrições operacionais que afetam usinas eólicas e solares no ambiente livre e regulado.
Ao analisar os reflexos operacionais do certame sobre a malha de alta tensão, o diretor-presidente da ABCE, Alexei Vivan, apontou que a expansão da capacidade de transporte é pré-requisito técnico para evitar o desperdício de geração renovável e assegurar o suprimento: “Foi um leilão bem-sucedido, que reúne aspectos importantes para o futuro do setor elétrico. A ampliação da infraestrutura de transmissão aumenta a capacidade de escoamento da energia, reforça a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional e contribui para reduzir situações de curtailment associadas a restrições de confiabilidade e indisponibilidades externas. É um passo importante para que a energia disponível possa ser aproveitada com maior eficiência.”
Deságio médio de 50,1% projeta economia de R$ 20,7 bi aos consumidores
O certame registrou um deságio médio de 50,10% em relação à Receita Anual Permitida (RAP) máxima teto fixada pelo regulador. Conforme estimativas divulgadas pela ANEEL, o desconto obtido na disputa gerará uma economia estimada em cerca de R$ 20,7 bilhões na conta de luz dos consumidores ao longo dos 30 anos de vigência dos contratos de concessão.
A ABCE destacou que a forte concorrência e a presença de atores consolidados no setor de infraestrutura conferem segurança regulatória e operacional aos projetos licitados. Vivan enfatizou o equilíbrio entre modicidade tarifária e capacidade de entrega da engenharia: “Um deságio dessa magnitude demonstra a competitividade do processo e tem relevância econômica para toda a sociedade. Também é positivo observar que os lotes foram arrematados por grupos tradicionais, com experiência e reconhecida capacidade técnica e de execução. A qualidade dos investidores é um aspecto fundamental para transformar os resultados do leilão em obras entregues, dentro dos prazos e com a qualidade esperada.”
Desafio migra para o licenciamento e cumprimento do cronograma de obras
Com a homologação do resultado e a assinatura dos contratos de concessão, a atenção do setor volta-se para a etapa de implantação dos ativos, que abrange desde a obtenção das licenças ambientais prévias e de instalação até o acesso a financiamentos de longo prazo e a gestão de suprimentos da cadeia fornecedora de equipamentos de alta tensão.
Em um contexto de transição energética e diversificação da matriz, a infraestrutura de transmissão consolida-se como o elemento central para viabilizar o alinhamento entre os centros de produção e as curvas de demanda nacional.
Ao projetar os desdobramentos operacionais e o cenário futuro da rede básica, o presidente da entidade concluiu salientando a relevância estratégica da transmissão no desenvolvimento econômico: “Em um cenário de transformação da matriz elétrica e de crescente necessidade de integração entre geração e consumo, a transmissão assume papel cada vez mais estratégico para garantir a confiabilidade do sistema, ampliar o aproveitamento dos recursos energéticos e sustentar o desenvolvimento do país.”


