ISA Energia Brasil registra lucro de R$ 1,9 bilhão no 3T26, com efeito de operação societária

Resultado cresceu 246% na comparação anual, impulsionado por ganho contábil de R$ 1,9 bilhão na reorganização de ativos com a AXIA Energia. Sem o efeito não recorrente, lucro pró-forma avançou 14%, para R$ 625 milhões.

A ISA Energia Brasil registrou lucro líquido regulatório de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 246% em relação aos R$ 550 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. O resultado foi influenciado pelo descruzamento de participações societárias com a AXIA Energia, operação que gerou um efeito contábil positivo de R$ 1,9 bilhão, sem impacto no caixa.

Excluído esse efeito não recorrente, o lucro líquido pró-forma alcançou R$ 625 milhões, crescimento de 14% na comparação anual. O desempenho operacional também foi favorecido pela entrada em operação de novos empreendimentos, pelo reajuste tarifário e pela consolidação integral da Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira).

A receita líquida avançou 41%, para R$ 1,5 bilhão, enquanto o EBITDA chegou a R$ 3,2 bilhões, alta de 259%. Sem o efeito extraordinário da reorganização societária, o EBITDA pró-forma foi de R$ 1,3 bilhão, crescimento de 41% sobre o terceiro trimestre de 2025.

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Descruzamento com AXIA altera composição dos ativos

Concluída em 31 de julho, a operação envolveu a consolidação integral da IE Madeira pela ISA Energia Brasil e a venda de sua participação na Interligação Elétrica Garanhuns (IE Garanhuns). A transação também incluiu o pagamento de uma torna de R$ 1,2 bilhão.

A IE Madeira possui Receita Anual Permitida (RAP), excluída a Parcela de Ajuste, de R$ 796,7 milhões no ciclo tarifário 2026/2027. Já a RAP da IE Garanhuns era de R$ 165,3 milhões no mesmo período.

O ganho contábil de R$ 1,9 bilhão decorreu da remensuração a valor justo da participação que a companhia já detinha na IE Madeira, do reconhecimento de ganho por compra vantajosa e do resultado da alienação da participação na IE Garanhuns. Por não representar entrada de recursos, o valor não integra a base para distribuição de proventos em 2026.

No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido regulatório somou R$ 2,4 bilhões, crescimento de 113% em relação aos R$ 1,1 bilhão registrados nos nove primeiros meses de 2025. O EBITDA atingiu R$ 5,2 bilhões, alta de 99%.

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Novos projetos impulsionam receita e eficiência operacional

A expansão da receita refletiu, principalmente, a entrada em operação dos projetos Riacho Grande e Jacarandá, em São Paulo, e Piraquê, entre Minas Gerais e Espírito Santo. Os empreendimentos licitados acrescentaram R$ 139 milhões à receita líquida na comparação entre os terceiros trimestres de 2025 e 2026. A consolidação integral da IE Madeira contribuiu com outros R$ 132 milhões.

Os projetos de Reforços e Melhorias (R&M) energizados nos últimos 12 meses adicionaram R$ 51 milhões à receita do trimestre. Também contribuíram R$ 136 milhões relativos à Parcela de Ajuste, à Parcela Variável e a antecipações do ciclo tarifário 2026/2027.

A companhia informou ainda melhora no indicador de eficiência operacional calculado sobre a receita líquida operacional excluída a Receita Anual Permitida da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE). O índice passou de 32% nos nove primeiros meses de 2025 para 24% no mesmo intervalo de 2026.

Na avaliação do presidente da ISA Energia Brasil, Rui Chammas, os resultados refletem a execução dos investimentos realizados nos últimos anos e a incorporação de novos ativos ao portfólio. O executivo também destacou a contribuição dos projetos de reforços e melhorias e da reorganização societária para a geração de resultados e a confiabilidade do sistema elétrico.

Investimentos em reforços e melhorias crescem 32%

Os investimentos consolidados somaram R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre, redução de 9% em relação ao mesmo período de 2025. A principal mudança na composição dos aportes foi o avanço dos projetos de R&M, que receberam R$ 578 milhões, alta de 32% na comparação anual e equivalente a 52% do total investido no período. Desse montante, 57% foram destinados a reforços e 43% a melhorias, voltados à renovação tecnológica de subestações e linhas de transmissão.

Os projetos greenfield receberam R$ 525 milhões, queda de 32%. A redução está associada ao menor número de empreendimentos em construção após a energização de Riacho Grande, Jacarandá e Piraquê nos últimos 12 meses. Entre os projetos em andamento, Serra Dourada, entre Bahia e Minas Gerais, recebeu R$ 466 milhões no trimestre e alcançou 64% de avanço físico. Itatiaia, entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, recebeu R$ 54 milhões e chegou a 35% de execução.

No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos totalizaram R$ 3,4 bilhões, recuo de 1,1% sobre igual período de 2025. Desse valor, R$ 2 bilhões foram direcionados a projetos greenfield, queda de 13,4%, e R$ 1,4 bilhão a reforços e melhorias, avanço de 24,1%.

A ISA Energia Brasil mantém um pipeline de aproximadamente R$ 12 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 7,6 bilhões correspondem a projetos de R&M já autorizados pela Aneel e R$ 4,1 bilhões a empreendimentos greenfield em construção. Quando concluídos, Serra Dourada e Itatiaia deverão adicionar R$ 597 milhões à RAP da companhia, considerando o ciclo tarifário 2026/2027.

Alavancagem recua e companhia reforça estrutura de capital

A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu de 3,63 vezes em dezembro de 2025 para 3,50 vezes em setembro de 2026. A companhia atribuiu o movimento à disciplina na alocação de capital e às iniciativas de financiamento realizadas no período.

No mercado de capitais, a empresa contratou R$ 2,5 bilhões em duas emissões de debêntures, ambas ao custo de CDI mais 0,42% ao ano. A 23ª emissão, de R$ 1,5 bilhão, foi concluída em julho, com prazo de quatro anos. A 24ª emissão, de R$ 1 bilhão, tem prazo aproximado de quatro anos e meio e recursos destinados ao financiamento de projetos de reforços e melhorias, com integralização prevista até fevereiro de 2027.

A companhia também concluiu um follow-on de ações preferenciais, com emissão de 44,4 milhões de novos papéis e captação de R$ 1,2 bilhão. A operação elevou o free float, excluída a participação da AXIA Energia, de 43% para 47% do capital total. A liquidez média diária das ações preferenciais ISAE4 passou de R$ 51 milhões nos nove primeiros meses de 2025 para R$ 85 milhões no mesmo período de 2026.

A diretora-executiva de Finanças, Relações com Investidores e Desenvolvimento de Novos Negócios, Silvia Wada, relacionou a redução da alavancagem ao crescimento da receita e às operações de captação. A executiva destacou que as emissões de debêntures e o follow-on contribuíram para fortalecer a estrutura de capital e financiar o ciclo de investimentos.

Em setembro, a ISA Energia Brasil anunciou ainda a distribuição de R$ 398,7 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), equivalente a aproximadamente R$ 0,57 por ação, referente aos resultados do primeiro semestre de 2026. O pagamento está previsto para 7 de dezembro.

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