SVD testa caminhão elétrico de 437 kWh para avaliar regeneração de energia na descida da Serra do Mar

O projeto-piloto utiliza um cavalo-mecânico SANY SE 437 kWh Composite, na configuração 6×4 e com autonomia nominal de até 400 quilômetros, para aferir o desempenho do veículo em operações reais de transporte de cargas

A avaliação é realizada em dois corredores com dinâmicas operacionais distintas. O primeiro conecta a unidade da transportadora em São Bernardo do Campo ao Porto de Santos, em fluxo voltado à exportação. O segundo liga a operação de Botucatu às encarroçadoras Caio Induscar e Irizar Brasil, no transporte de chassis.

O objetivo é consolidar dados sobre consumo de energia, degradação e comportamento das baterias, desempenho operacional e viabilidade econômica antes de uma eventual expansão de veículos elétricos na frota.

Serra do Mar coloca sistema de regeneração à prova

Um dos principais parâmetros técnicos do projeto é a mensuração da eficiência do sistema de frenagem regenerativa na descida da Serra do Mar. O trecho entre o Planalto Paulista e a Baixada Santista permite avaliar como a conversão de energia cinética em energia elétrica armazenada na bateria reduz o consumo líquido na operação pesada.

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Enquanto a frota a diesel dissipa a energia do declive nos freios mecânicos, o veículo elétrico reverte parte dessa força para os módulos de bateria, variando conforme a carga útil e o limite térmico do sistema. A rota entre São Bernardo do Campo e o Porto de Santos abrange cerca de 70 quilômetros.

Ao detalhar as metas operacionais do piloto, a executiva da área Comercial da SVD Transportes, Andressa Vale, pontuou as diretrizes da companhia para o projeto: “Estamos comprometidos em apoiar nossos clientes na redução das emissões de carbono também dentro da cadeia logística. Nosso objetivo é avaliar, em condições reais de operação, o desempenho técnico, a eficiência energética e a viabilidade econômica do caminhão elétrico nessas duas rotas. Caso os resultados sejam positivos, pretendemos ampliar gradativamente a participação desse tipo de veículo em nossa frota.”

A respeito do impacto da topografia acentuada sobre a bateria no percurso até o litoral, Vale explicou a dinâmica observada nos testes preliminares: “Em uma viagem entre São Bernardo do Campo e o Porto de Santos, percurso de aproximadamente 70 quilômetros, o caminhão recupera uma quantidade significativa de energia durante a descida da Serra do Mar, chegando ao destino praticamente com o mesmo nível de carga da bateria.”

Operação real orienta o cálculo de TCO e novas frentes de negócio

A escolha das rotas busca aproximar os dados de telemetria da rotina real do transporte rodoviário de cargas, mensurando o impacto do peso transportado e do perfil da via sobre o consumo por quilômetro rodado.

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A análise do custo total de propriedade (TCO) será determinante para balizar novos investimentos. A equação econômica compara o diesel à eletricidade considerando também fatores como disponibilidade operacional, tempo de paradas, demanda por infraestrutura de recarga rápida e custos de manutenção preventiva.

A iniciativa ocorre em meio ao aumento da oferta de veículos pesados elétricos no Brasil, impulsionado por montadoras tradicionais e pela entrada de marcas globais chinesas. Ao analisar esse cenário de transformação no mercado de transporte especializado, Vale enfatizou as perspectivas da empresa: “Temos experiência, estrutura e tecnologia para oferecer uma logística eficiente e segura na distribuição de veículos em todo o território nacional. A expansão da oferta de caminhões elétricos e a chegada de novos fabricantes representam uma excelente oportunidade de crescimento para a SVD.”

Estudo de viabilidade será apresentado na Fenatran 2026

Os testes terão duração aproximada de dois meses em ritmo intensivo de operação. Ao término desse ciclo, os dados de telemetria, consumo e emissões evitadas serão consolidados em um relatório técnico e financeiro. O cronograma prevê a apresentação pública do estudo de viabilidade e da pegada de carbono durante a Fenatran 2026, feira que será realizada de 9 a 13 de novembro no São Paulo Expo.

Encerrando a apresentação do plano de testes, Vale destacou a meta de disponibilizar ao setor elétrico e logístico parâmetros práticos baseados em dados de campo: “Teremos cerca de dois meses de operação intensiva antes da Fenatran. Nesse período, vamos reunir indicadores técnicos e operacionais para elaborar um estudo detalhado sobre a aplicação de caminhões elétricos em rotas controladas. Nosso objetivo é compartilhar essas informações com clientes, parceiros e o mercado, contribuindo para a evolução da logística sustentável no Brasil.”

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