Light antecipa Plano Verão 2026/2027 e prevê aportar R$ 10 bilhões em resiliência de rede

Distribuidora acelera ações preventivas para mitigar eventos climáticos extremos e foca na queima de transformadores motivada pelo furto de energia na Região Metropolitana do Rio.

A Light anunciou a antecipação de suas ações operacionais relativas ao Plano Verão 2026/2027 na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Em resposta às projeções de eventos meteorológicos severos e episódios de calor intenso associados ao fenômeno El Niño, a distribuidora iniciou neste mês de setembro o reforço de suas equipes técnicas de campo e a expansão do contingente no Centro de Operação Integrado (COI). A empresa prevê ainda a mobilização de um plano plurianual de CAPEX estimado em R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para preparar a infraestrutura do sistema de distribuição de energia.

Em dias de contingência crítica, provocada por tempestades ou rajadas de vento, a concessionária possui capacidade de quadruplicar o número de eletricistas em operação. A coordenação logística das equipes conta com acompanhamento meteorológico preditivo para o pré-posicionamento estratégico em áreas de maior vulnerabilidade. A operação mantém integração direta com o Centro de Operações Rio (COR) e com o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

Ações de manutenção preventiva e recomposição automática

Entre janeiro e julho, as inspeções técnicas da companhia cobriram aproximadamente 11,6 mil quilômetros da malha de distribuição, somando 56 mil intervenções de manutenção programada. Para aumentar a confiabilidade e acelerar o reabastecimento em caso de falhas nas linhas secundárias e primárias, foram instalados 247 novos equipamentos de proteção telecomandados, que viabilizam a recomposição automática do sistema (self-healing).

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As ações estruturais englobam o manejo arbóreo e a poda de vegetação em trechos críticos onde há risco de interferência física na rede elétrica. Em parceria com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), a Light aplicou metodologias de poda em linha viva, sem necessidade de interrupção do fornecimento de energia, contabilizando 315 intervenções com equipamentos especializados.

Impactos operacionais e o gargalo do furto de energia

Ao detalhar a arquitetura da operação especial estruturada pela concessionária, o superintendente de Operações Integradas da Light, João Paulo Parreira, destacou a mobilização de ativos adicionais e a coordenação de inteligência técnica para o suporte aos serviços essenciais da área de concessão: “O plano contempla a ampliação de equipes no COI e em campo, a intensificação da manutenção preventiva, o monitoramento em tempo real e uso de tecnologia para garantir uma atuação mais ágil e segura. Também aumentamos a disponibilidade de geradores por meio das nossas empresas contratadas, ampliando nossa capacidade de resposta às ocorrências e de apoio a serviços essenciais, como hospitais e postos de saúde.”

Além das intercorrências associadas à severidade do clima, a performance da infraestrutura sofre degradação crônica pelo furto de energia. A companhia estima que a cada 100 clientes regulares, cerca de 36 praticam a ligação clandestina em sua área de atuação, gerando um prejuízo financeiro anual estimado em R$ 1,3 bilhão. Entre janeiro e agosto deste ano, a distribuidora regularizou mais de 179 mil conexões e recuperou 259 GWh de energia.

O volume de ligações irregulares provoca a sobrecarga mecânica e térmica dos transformadores no topo do verão. No período entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a queima de 1.102 transformadores por sobrecorrente decorrente do furto deixou 117 mil consumidores regulares desabastecidos. O superaquecimento dos ativos sob calor extremo eleva o risco de avarias graves, incêndios e desligamentos não programados na rede de baixa tensão.

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Aporte de R$ 10 bilhões em modernização e expansão de demanda

Para mitigar a vulnerabilidade estrutural e elevar a resiliência do sistema de distribuição nos 31 municípios atendidos, a Light planeja investir R$ 10 bilhões no quinquênio, com aporte médio de R$ 2 bilhões ao ano. O plano de aplicação destina recursos para a substituição de ativos legados, automação de subestações e digitalização da rede.

O novo ciclo de CAPEX busca responder à elevação da carga imposta pela transição energética e pelo avanço do processamento de dados, contemplando o suprimento para a expansão de infraestruturas de data centers e aplicações de Inteligência Artificial. No âmbito da interface com os usuários, a empresa prevê o aprimoramento contínuo da agência virtual e a integração de inteligência artificial nos canais digitais de atendimento.

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