Trabalhadores da Eletronuclear aprovam greve por tempo indeterminado a partir de setembro

Impasse na renovação do Acordo Coletivo de Trabalho leva categoria a decretar paralisação nas usinas de Angra 1 e 2; sindicato garante escala mínima de 12 horas para operadores e segurança operacional

Os empregados da Eletronuclear aprovaram a deflagração de uma greve por tempo indeterminado com início programado para as 00h00 da próxima terça-feira, 1º de setembro. A paralisação afeta as rotinas administrativas e operacionais da concessionária responsável pelas usinas termonucleares Angra 1 e Angra 2, que juntas somam 1.990 MW de potência instalada no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A decisão foi formalizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Parati e Angra dos Reis (STIEPAR) por meio do Ofício AR-084-2026, endereçado ao presidente da estatal, Rafael Ehlers dos Santos, e à Diretoria de Administração e Finanças. O estopim do movimento paredista é a falta de consenso na repactuação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e o risco iminente de caducidade das cláusulas vigentes sem que haja avanço nas mesas de negociação.

Manutenção de contingente mínimo para segurança nuclear

Em virtude da especificidade regulatória do setor nuclear e dos protocolos de proteção radiológica impostos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o STIEPAR estabeleceu um esquema de contingenciamento rigoroso para evitar riscos à integridade das instalações e ao abastecimento da rede elétrica.

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Durante a vigência do movimento grevista, a representação sindical confirmou que manterá regimes de turno de 12 horas restritos às áreas estratégicas e vitais da central. A garantia do cumprimento das exigências operacionais foi detalhada pelo diretor-presidente da entidade, Cássio Lúcio Luiz Martins, que ressaltou que a presença e a manutenção desses profissionais no local garantem os padrões mínimos e indispensáveis para a segurança da planta e da população do entorno, preservando os princípios fundamentais da segurança nuclear e operacional.

A escala de exceção cobrirá exclusivamente os quadros de operadores de sala de controle e os efetivos de segurança patrimonial e física dos complexos geradores.

Abertura para negociação com a diretoria da companhia

Apesar da decretação do movimento, a entidade sindical pondera que a medida não encerra as vias diplomáticas com a alta gestão da empresa. O sindicato ressalta que a decretação de paralisação busca pressionar por uma proposta formal que contemple as reivindicações da categoria antes da entrada em vigor do prazo limite estabelecido para a greve.

Ao avaliar o cenário de impasse trabalhista e os impactos para a comunidade do entorno da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), o diretor-presidente do STIEPAR, Cássio Lúcio Luiz Martins, destacou a responsabilidade da entidade com a proteção das unidades de geração. O dirigente ressaltou que a deliberação observou o compromisso com a segurança nuclear, a integridade da planta, dos trabalhadores e da população local, motivo pelo qual foram mantidos em serviço os profissionais estritamente necessários à preservação da segurança operacional da instalação.

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Até o momento, a diretoria da Eletronuclear não emitiu posicionamento oficial sobre o recebimento do comunicado nem sobre a eventual convocação de reunião emergencial de mediação antes do prazo estipulado para o início do movimento paredista.

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