Aeris Energy melhora desempenho operacional e retoma quatro linhas de produção com carteira de 2 GW

Alavancada pelas exportações, fabricante de pás eólicas reativa capacidade industrial, mas juros e passivo financeiro mantêm prejuízo no trimestre.

A Aeris Energy avançou na retomada operacional no segundo trimestre de 2026, com aumento da receita, recuperação da margem bruta e redução do EBITDA ajustado negativo. A fabricante de pás para aerogeradores também iniciou a reativação de quatro linhas de produção, que entram em operação no terceiro trimestre, em meio a uma carteira de contratos de 2 GW para fornecimentos previstos em 2026 e 2027.

A Receita Operacional Líquida (ROL) alcançou R$ 129,3 milhões no 2T26, alta de 22,4% em relação ao primeiro trimestre. A margem bruta passou de -12,6% para 7,6%, enquanto o EBITDA ajustado saiu de um resultado negativo de R$ 27,4 milhões para uma perda de R$ 12,4 milhões.

A evolução indica melhora na eficiência operacional, associada ao aumento dos volumes produzidos e à diluição dos custos fixos. O movimento ocorre, contudo, em um mercado eólico brasileiro que ainda enfrenta níveis reduzidos de atividade.

- Advertisement -

Exportações sustentam avanço da receita

O segmento de pás eólicas registrou receita de R$ 104,5 milhões no segundo trimestre, crescimento de 26,3% sobre o 1T26. As exportações tiveram papel central nesse desempenho, somando R$ 91,7 milhões no período. A unidade de serviços também apresentou crescimento relevante. A receita avançou 83,6% na comparação trimestral, impulsionada pela entrada de novos contratos.

O desempenho comercial reforça a estratégia da companhia de ampliar a exposição a mercados externos enquanto a demanda doméstica por equipamentos eólicos permanece pressionada.

Quatro linhas serão reativadas no terceiro trimestre

A recuperação da produção acompanha o fortalecimento da carteira de pedidos. A Aeris informa ter 2 GW contratados para fornecimento de pás em 2026 e 2027, além de aproximadamente 0,5 GW em novos projetos em diferentes estágios de negociação.

Ao final do segundo trimestre, a companhia iniciou a reativação de quatro linhas de produção. A expectativa é que as unidades retomem as operações no terceiro trimestre, ampliando a capacidade industrial disponível para atender aos contratos já firmados.

- Advertisement -

A retomada ocorre de forma gradual, acompanhando a evolução dos volumes e a curva de maturação das linhas. A estratégia busca adequar a capacidade produtiva à demanda contratada, evitando uma expansão descolada das condições de mercado.

Receita semestral ainda reflete retração do mercado

Apesar da melhora entre os dois primeiros trimestres do ano, o desempenho acumulado ainda permanece abaixo do registrado em 2025. A receita operacional líquida no primeiro semestre chegou a R$ 234,9 milhões, queda de 48,1% em relação ao 1S25.

A diferença reflete principalmente a retração observada no mercado doméstico de energia eólica nos últimos trimestres. A evolução registrada no 2T26, por outro lado, mostra os primeiros efeitos do aumento dos volumes de produção e da execução dos contratos atualmente na carteira.

Despesas operacionais seguem sob controle

A companhia também manteve foco na disciplina de custos. Desconsiderando efeitos não recorrentes, as despesas operacionais recorrentes permaneceram estáveis em relação ao primeiro trimestre.

Na comparação anual, as despesas operacionais totais caíram R$ 36,7 milhões em relação ao 2T25. A base de comparação, contudo, inclui despesas extraordinárias relacionadas à reestruturação da dívida da companhia. A melhora operacional, portanto, ainda não foi suficiente para reverter a pressão financeira sobre o resultado final.

Prejuízo líquido aumenta com pressão financeira

O prejuízo líquido da Aeris chegou a R$ 152 milhões no 2T26, ante R$ 138 milhões no trimestre anterior e R$ 159,8 milhões no mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o prejuízo acumulado foi de R$ 290 milhões, contra R$ 251,3 milhões no 1S25.

O resultado evidencia uma diferença importante entre a recuperação operacional e a situação financeira da companhia. Embora indicadores como margem bruta e EBITDA ajustado tenham apresentado melhora, as despesas financeiras continuam pressionando o balanço, principalmente em razão da elevação de juros e encargos.

Mercado externo permanece estratégico

Para os próximos trimestres, a Aeris projeta aumento gradual dos volumes de produção com a entrada em operação das quatro linhas reativadas e o avanço dos contratos já firmados.

A companhia mantém como pilares da estratégia a disciplina financeira, o ganho de eficiência e a diversificação geográfica. Nesse cenário, o mercado norte-americano aparece como um dos principais vetores de demanda, enquanto a empresa trabalha com uma expectativa de recuperação gradual da indústria eólica brasileira.

O ponto central da trajetória de recuperação, portanto, está na capacidade de transformar a carteira contratada em maior utilização industrial e geração operacional de caixa. A reativação das linhas e os 2 GW contratados para 2026 e 2027 representam uma base para essa retomada, mas o resultado financeiro ainda depende da redução do peso das despesas financeiras e da recuperação mais consistente do mercado eólico nacional.

Destaques da Semana

Adesão ao acordo de curtailment chega a 90% e alcança 50 GW, diz MME

Prazo para manifestação de interesse termina nesta segunda-feira (10);...

Caducidade da Enel SP: ANEEL encerra instrução e dá 10 dias para alegações finais

Relatora Agnes Costa notifica a concessionária após manifestações da...

Enel SP: Mosna rejeita recurso e mantém processo de caducidade na Aneel

Relator aponta R$ 320 milhões em multas e falhas...

Artigos

Últimas Notícias