Grupo somou 10.983 GWh faturados entre abril e junho, acumulando 22.018 GWh no semestre; Mato Grosso liderou a expansão regional no período
O consumo de energia elétrica nas áreas de concessão da Energisa manteve trajetória de crescimento no segundo trimestre de 2026, reforçando a resiliência do mercado de distribuição brasileiro mesmo em um cenário de transformações no setor elétrico. Entre abril e junho, o grupo registrou aumento de 4,5% no volume de energia faturada em comparação com o mesmo período do ano anterior, desempenho sustentado pela expansão da atividade econômica, pelo fortalecimento do consumo das famílias e pelo dinamismo dos segmentos comercial, industrial e rural.
Os números divulgados pela companhia mostram que o volume distribuído alcançou 10.983 GWh no trimestre, considerando tanto consumidores do Ambiente de Contratação Regulado (ACR) quanto do Ambiente de Contratação Livre (ACL). No acumulado do primeiro semestre, o total chegou a 22.018 GWh, representando crescimento de 4% frente aos seis primeiros meses de 2025.
O desempenho confirma uma tendência observada ao longo dos últimos trimestres: o avanço da demanda por eletricidade ocorre principalmente nas regiões onde a atividade agroindustrial, a mineração e o comércio continuam expandindo investimentos, enquanto o mercado residencial mantém crescimento impulsionado pelo aumento da renda, da base de consumidores e pelas condições climáticas.
Mercado residencial continua liderando a expansão da carga
O segmento residencial voltou a ser o principal responsável pelo aumento do consumo nas distribuidoras da Energisa. Além da expansão vegetativa da base de clientes, o desempenho foi favorecido pelo crescimento da massa salarial nas regiões atendidas pela companhia e pelas temperaturas mais elevadas registadas principalmente nas concessões localizadas no Centro-Oeste e no Norte do país, fatores que ampliam a utilização de equipamentos de climatização.
A empresa também destaca que efeitos operacionais relacionados ao calendário de leitura dos medidores contribuíram positivamente para parte do volume faturado durante o trimestre. Embora esses ajustes tenham influência estatística, a trajetória estrutural permanece positiva e evidencia uma recuperação consistente da demanda residencial nas áreas de atuação da concessionária.
Comércio e indústria ampliam consumo de energia
No mercado corporativo, a expansão foi disseminada entre diferentes segmentos da economia. O setor comercial registrou crescimento puxado pelo desempenho do atacado, varejo e serviços de saúde, refletindo o aumento da atividade econômica regional.
Já a indústria apresentou maior demanda em atividades ligadas ao processamento de alimentos, beneficiamento de grãos, mineração e outras cadeias produtivas intensivas em consumo elétrico. Esse comportamento reforça a importância da energia como indicador antecedente da atividade econômica, especialmente em estados onde o agronegócio exerce forte influência sobre a dinâmica industrial.
Mato Grosso lidera crescimento entre as distribuidoras
Entre todas as empresas do grupo, a Energisa Mato Grosso (EMT) apresentou o melhor desempenho no segundo trimestre, com crescimento de 6,0% na carga faturada. Na sequência, destacaram-se a Energisa Mato Grosso do Sul (EMS), com alta de 5,8%, e a Energisa Sul-Sudeste (ESS), que avançou 4,2%.
O resultado de Mato Grosso acompanha o bom momento do agronegócio brasileiro, cuja demanda por eletricidade permanece elevada em atividades como irrigação, armazenagem, processamento de grãos e frigoríficos. A combinação entre expansão agrícola, crescimento populacional e aumento da atividade industrial continua posicionando o estado como um dos principais polos de crescimento do consumo de energia do país.
Junho confirma tendência positiva
Considerando apenas o mês de junho, o Grupo Energisa faturou 3.498 GWh, volume 4,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No segmento residencial, parte do crescimento foi influenciada pelo calendário de leitura em oito das nove distribuidoras da companhia. Após o ajuste desse efeito, a expansão real do consumo residencial permaneceu positiva, atingindo 2,4%.
Entre as distribuidoras, os maiores avanços em junho ocorreram na Energisa Minas Rio (EMR), com 7,7%, na Energisa Mato Grosso (EMT), com 6,9%, na Energisa Sergipe (ESE), com 5,9%, e na Energisa Borborema (EPB), que registrou 5,2%.
A única exceção foi a Energisa Mato Grosso do Sul, que apresentou crescimento de apenas 0,3% no mês. Segundo a companhia, o desempenho foi impactado pelo calendário de faturamento e pelo volume de chuvas acima da média, que reduziu a necessidade de refrigeração e, consequentemente, o consumo de energia.
Primeiro semestre reforça descentralização do crescimento da carga
O balanço dos seis primeiros meses de 2026 evidencia que o crescimento da demanda elétrica ocorreu de forma distribuída entre todas as nove concessionárias do grupo. A classe residencial acumulou alta de 6,2%, mantendo expansão em todas as áreas de concessão.
Na indústria, o crescimento chegou a 2,9%, sustentado principalmente pelo bom desempenho de frigoríficos, beneficiamento de grãos, mineração e operações ligadas ao setor de petróleo e gás. No mercado rural, Mato Grosso voltou a concentrar o maior avanço da carga elétrica, impulsionado pelas diferentes etapas do calendário agrícola.
No ranking semestral das distribuidoras, a liderança ficou com a Energisa Mato Grosso (EMT), que cresceu 6,3%, seguida pela Energisa Sergipe (ESE), com 4,3%, Energisa Rondônia (ERO), com 3,8%, Energisa Borborema (EPB), com 3,6%, e Energisa Mato Grosso do Sul (EMS), com 3,2%.
Crescimento acompanha transformação do mercado elétrico
O desempenho da Energisa ocorre em um momento de profundas mudanças no setor elétrico brasileiro, marcado pela expansão do mercado livre de energia, pelo avanço da geração distribuída, pela digitalização das redes e pelo aumento da eletrificação em diversos segmentos econômicos.
Ao mesmo tempo, a interiorização da atividade econômica continua deslocando parte relevante do crescimento da carga para estados com forte presença do agronegócio, mineração e indústria de alimentos, setores que seguem ampliando investimentos e demandando maior infraestrutura elétrica. Para as distribuidoras, esse cenário reforça a necessidade de expansão contínua das redes, investimentos em modernização dos sistemas de distribuição e aumento da eficiência operacional para acompanhar uma demanda cada vez mais diversificada e descentralizada.



