ONS gerencia rampa de 6,7 mil MW na carga do SIN durante jogo do Brasil

Operação especial do operador nacional controla variações agudas no consumo de energia; minutos de paralisação exigiram acionamento rápido de usinas para conter desvios de frequência

Os grandes eventos esportivos continuam desafiando a estabilidade da infraestrutura de transmissão nacional e exigindo respostas rápidas em tempo real. Na segunda partida da seleção brasileira na Copa, diante do Haiti, realizada na noite desta sexta-feira (19), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) manteve a sua operação especial para o evento e ficou de olho ligado nos monitores que acompanham o comportamento da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN). A atuação coordenada do Operador permitiu gerenciar as oscilações de demanda de forma segura, preservando a estabilidade do sistema elétrico durante todo o período de bola em campo.

A dinâmica de consumo seguiu o padrão histórico de desligamento simultâneo de eletrodomésticos e maquinários industriais minutos antes do apito inicial. Antes do início do jogo, a partir das 20h30, foi observada uma redução de aproximadamente 6.700 MW na carga. O montante equivale à demanda média do estado do Rio de Janeiro.

O “efeito intervalo” e a rápida rampa de carga nas redes

Durante o primeiro tempo, a carga continuou no processo de redução esperado para o horário, porém cerca de 7.500 MW abaixo de um dia típico. O principal desafio para as equipes de engenharia do operador, no entanto, concentra-se nos minutos de paralisação da partida, momento em que milhões de telespectadores acionam equipamentos de iluminação e refrigeração simultaneamente.

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No intervalo, por volta de 22h25, a demanda apresentou uma recuperação de cerca de 2.279 MW em apenas 9 minutos. O montante equivale à demanda média do estado do Ceará. Esse comportamento exige o acionamento rápido de usinas com alta velocidade de resposta, como as hidrelétricas, para evitar desvios de frequência na rede básica.

Retorno à normalidade operativa na madrugada

O encerramento do confronto e o desligamento gradual das transmissões de TV dispararam a última oscilação significativa monitorada pelas salas de controle. Após o encerramento do jogo, às 23h33, houve um novo crescimento da carga, da ordem de 2.420 MW em aproximadamente 17 minutos. O montante equivale à demanda média do estado do Maranhão. Por volta de 00h00 do dia 20/06, o consumo de energia retornou ao comportamento típico observado para uma madrugada de sábado.

As estratégias de contingência adotadas para mitigar essas variações extremas dependem diretamente do horário de exibição dos jogos. Ao avaliar a complexidade de planejar o despacho de geração sob o impacto do torneio, o diretor-geral da entidade, Marcio Rea, destacou o planejamento logístico da equipe: “Cada partida exige uma atuação diferenciada, por conta dos dias e horários dos jogos. O ONS se prepara para responder às variações de consumo associadas aos grandes eventos. Seguiremos adotando todas as medidas necessárias para garantir uma operação segura ao longo de toda a competição, contribuindo para que os brasileiros possam torcer com tranquilidade e alegria.”

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