CMSE reforça ações preventivas para garantir suprimento de energia e antecipa contratos de reserva diante de risco de El Niño

Comitê aprova medidas para preservar reservatórios, reforçar a segurança operativa do Sistema Interligado Nacional e acelerar a entrada de usinas contratadas em leilões de reserva.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou, nesta quarta-feira (5), um conjunto de medidas preventivas para fortalecer a segurança do suprimento de energia elétrica no segundo semestre de 2026. As decisões respondem às previsões meteorológicas que apontam 70% de probabilidade de formação de um novo evento de El Niño com intensidade severa, fenômeno que pode alterar o regime de chuvas nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN).

As deliberações integram a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026 e buscam preservar os níveis dos reservatórios, ampliar a disponibilidade de potência e reduzir a necessidade de despacho de usinas termelétricas fora da ordem de mérito, alternativa que costuma elevar os custos da operação do sistema.

CMSE determina preservação de água nos reservatórios estratégicos

Entre as principais decisões está a adoção de medidas operativas para ampliar o armazenamento de água nos reservatórios de regularização plurianual. Para isso, o colegiado aprovou a redução de vazões afluentes e defluentes em usinas hidrelétricas consideradas estratégicas, permitindo maior retenção de água nas cabeceiras das bacias hidrográficas. A iniciativa busca preservar a capacidade de geração durante o período de maior demanda e menor disponibilidade hídrica, característico do fim da estação seca.

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A medida dá continuidade às ações previstas no Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização (PRR), cuja execução envolve articulação entre o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O planejamento também prevê coordenação com concessionárias do setor elétrico, além da atuação integrada com a Casa Civil e órgãos de Defesa Civil para acompanhamento das condições operativas.

Norte terá monitoramento específico para abastecimento de térmicas

O CMSE também decidiu intensificar o acompanhamento da logística de abastecimento das usinas termelétricas localizadas na Região Norte.

A medida considera que, durante os períodos de estiagem, a navegação em rios da região pode ser comprometida, dificultando o transporte de combustíveis utilizados pelas térmicas.

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Para reduzir esse risco, serão criadas salas de monitoramento dedicadas ao acompanhamento da disponibilidade de combustíveis e das condições logísticas, permitindo resposta mais rápida caso ocorram restrições ao abastecimento.

Comitê antecipa contratos de energia de reserva para ampliar oferta de potência

Na frente de planejamento da operação, o colegiado aprovou a Curva de Referência 2026 e atualizou os parâmetros de aversão ao risco utilizados pelos modelos computacionais que orientam a operação do Sistema Interligado Nacional.

Como parte da estratégia para aumentar a oferta de potência disponível no curto prazo, o CMSE também autorizou a antecipação da entrada em operação de cinco contratos firmados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE) de 2022 e no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026.

A expectativa é que a medida amplie a flexibilidade operativa do sistema e contribua para reduzir os riscos associados às incertezas hidrológicas previstas para os próximos meses.

Estratégia busca reduzir riscos operativos no segundo semestre

As medidas aprovadas reforçam a atuação preventiva do CMSE diante de um cenário climático considerado desafiador para a operação do sistema elétrico brasileiro.

A preservação dos reservatórios, a antecipação da disponibilidade de novos empreendimentos e o monitoramento reforçado das usinas termelétricas integram uma estratégia voltada a preservar a confiabilidade do SIN e mitigar impactos de uma eventual redução das afluências provocada pelo El Niño.

A adoção antecipada dessas ações também busca minimizar a necessidade de medidas emergenciais de maior custo ao longo do período seco, contribuindo para manter a segurança do abastecimento de energia no país.

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