LRCAP: Pressão por potência leva preços ao teto e expõe hiato regulatório para baterias

Análise realizada no Workshop PSR/CanalEnergia aponta que a contratação de reserva de capacidade reflete a urgência por firmeza no SIN; especialistas discutem a dificuldade de inserção do armazenamento no modelo atual.

Os desdobramentos do 2º Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP), encerrado nesta quarta-feira (18/03), foram o centro das atenções no painel “A próxima onda: a inovação como diferencial competitivo e a energia como serviço”. Durante o evento realizado pela PSR, especialistas apontaram que a forte aderência dos lances aos preços-teto não é apenas um detalhe financeiro, mas um diagnóstico claro da pressão por potência que o Sistema Interligado Nacional (SIN) enfrenta.

Os resultados do certame indicaram que o mercado operou com margens estreitas, sinalizando que a oferta de projetos capazes de garantir disponibilidade contínua ainda encontra um teto de preço elevado para viabilizar sua operação ou expansão.

Preços elevados e a necessidade de capacidade firme

A leitura técnica dos números mostra que a competição não foi suficiente para derrubar os valores nominais das rodadas. De acordo com o monitoramento em tempo real do leilão, os preços transitaram em patamares altos, evidenciando que o sistema está disposto, e precisa, remunerar o custo máximo da segurança energética para o final desta década.

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Ao avaliar o comportamento dos agentes e a precificação dos lotes, o head de Regulação e Litígio na PSR, Jairo Terra, destacou a correlação entre os valores e a demanda sistêmica: “O leilão contratou todos os produtos a preços muito próximos ao teto, o que mostra a pressão por potência no sistema.”

Essa conjuntura reforça o desafio de desenhar produtos que consigam atrair diversidade tecnológica sem comprometer a modicidade tarifária ou a segurança operativa.

O gargalo das baterias no modelo “24 por 7”

Um dos pontos mais debatidos no Workshop foi o papel do armazenamento de energia. Embora as baterias sejam vistas como a solução ideal para a flexibilidade das fontes renováveis, o desenho atual do LRCAP impõe barreiras de entrada severas para essa tecnologia. O requisito de disponibilidade contínua exigido pelo Operador e pelo Ministério de Minas e Energia favorece as térmicas convencionais e as hidrelétricas, deixando sistemas de armazenamento em desvantagem técnica.

A assimetria entre as exigências do edital e as características físicas das baterias foi detalhada por Jairo Terra, que explicou a dificuldade de competição direta no formato atual: “O produto pede uma disponibilidade 24 por 7, enquanto as baterias têm capacidade de descarga de cerca de quatro horas.”

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Para o especialista, essa limitação de descarga torna o armazenamento, por enquanto, um coadjuvante em leilões de reserva de capacidade desenhados para suprir a base ou pontas prolongadas de consumo.

Evolução regulatória e sinais econômicos

A conclusão consensual entre os debatedores é que o futuro da matriz elétrica brasileira exigirá um aprimoramento urgente nos sinais econômicos. Para que o armazenamento e outras inovações ganhem escala, será necessário criar produtos que valorizem atributos específicos, como a resposta rápida de frequência, e não apenas a disponibilidade volumétrica de longa duração.

O debate sinaliza que, nos próximos ciclos de contratação, o aprimoramento regulatório será o fiel da balança para permitir que a flexibilidade operacional acompanhe o crescimento das fontes intermitentes, evitando que o sistema fique refém de preços-teto elevados e tecnologias tradicionais de forma permanente.

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