Distribuidora amplia estoques regionais, adota comunicação via satélite e estabelece cooperação com empresas do Sul para reduzir riscos de interrupção do suprimento por cheias e deslizamentos.
A SCGÁS atualizou seu plano de contingência operacional para reduzir a vulnerabilidade da rede de distribuição de gás natural diante de eventos climáticos extremos em Santa Catarina. A estratégia prevê descentralização de estoques, redundância nos sistemas de comunicação e cooperação com distribuidoras de outros estados, considerando riscos como inundações, deslizamentos e interrupções simultâneas de rodovias e energia elétrica.
O planejamento considera cenários em que equipes técnicas ficam impedidas de acessar áreas afetadas e estações perdem conectividade com o centro de controle. A companhia busca, assim, preservar a integridade dos ativos e a continuidade do fornecimento mesmo diante de falhas simultâneas na infraestrutura de apoio à operação.
Bases regionais ampliam capacidade de resposta
A distribuidora mantém o almoxarifado central na Grande Florianópolis, mas reforçou a distribuição de equipamentos e ferramentas de manutenção em quatro bases operacionais nas regiões Norte, Sul e Vale do Itajaí. A estrutura também conta com um posto avançado em Lages.
A descentralização busca reduzir a dependência logística da unidade central e permitir que equipes tenham acesso a materiais essenciais mesmo quando ocorrências climáticas comprometem o deslocamento entre municípios.
O plano considera as características de cada região. No Norte, o foco está nos riscos de desmoronamentos em encostas, como na Serra de Corupá. No Vale do Itajaí, a atenção se concentra em alagamentos e elevação dos níveis dos rios. Já no Sul, a prioridade é preservar as condições de acesso para a movimentação das equipes.
A SCGÁS também reforçou a comunicação operacional com telefonia via satélite e redes de rádio. Drones poderão apoiar a inspeção de trechos de difícil acesso.
William Anderson Lenko, engenheiro da Gerência de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da companhia, destaca a necessidade de antecipar a resposta a ocorrências climáticas recorrentes: “O momento é de cautela e preparação. Não dá mais para nos comportarmos como se não soubéssemos que esses eventos podem acontecer novamente. Precisamos estar aptos a dar uma resposta rápida em caso de necessidade.”
Acordo prevê apoio entre distribuidoras do Sul
O plano está organizado em três frentes: segurança das equipes e das comunidades próximas à rede; continuidade operacional, com reforço de estoques e integração com órgãos públicos; e cooperação técnica entre distribuidoras de gás natural da região Sul.
O protocolo de apoio mútuo envolve a SCGÁS, a Compagás, do Paraná, e a Sulgás, do Rio Grande do Sul. O acordo prevê intercâmbio emergencial de veículos, materiais e equipes especializadas em situações de desastres de maior proporção.
A companhia também prevê atuação coordenada com a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e administrações municipais para organizar a comunicação de emergência e as medidas de resposta.
Deslizamentos e cheias ameaçam integridade dos ativos
Embora a maior parte da rede de distribuição esteja enterrada, movimentações de solo provocadas por deslizamentos podem deformar ou romper tubulações. Enchentes e correntezas também representam riscos para as Estações de Regulagem de Pressão (ERPs), que podem sofrer danos físicos e falhas nos sistemas de automação.
Para reduzir essas vulnerabilidades, a SCGÁS realiza simulações periódicas com prefeituras, órgãos de segurança pública e a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). O trabalho inclui o mapeamento de áreas suscetíveis a ocorrências e a preparação de procedimentos para preservar a estabilidade da pressão e do fluxo de gás na rede.


