Assembleias definiram estruturas de governança para as futuras companhias de distribuição e de etanol, açúcar e bioenergia. Segregação depende da conclusão da recuperação extrajudicial e de aumento de capital de até R$ 4 bilhões.
A Raízen avançou na execução de seu plano de reestruturação financeira e operacional com a aprovação dos novos Conselhos de Administração das futuras empresas que concentrarão seus negócios de distribuição de combustíveis e lubrificantes e de etanol, açúcar e bioenergia. As deliberações ocorreram em assembleias de acionistas da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A., realizadas em 30 de outubro.
As decisões incluem alterações estatutárias, medidas relacionadas ao capital social, segregação das atividades e eleição dos integrantes dos novos conselhos. A reorganização prevê que os dois conjuntos de negócios se tornem companhias abertas independentes, com ações negociadas separadamente na bolsa, após a conclusão do plano de Recuperação Extrajudicial e o cumprimento das condições legais.
A efetivação das eleições, entretanto, está condicionada à homologação do aumento de capital previsto no plano, cuja aprovação será submetida ao Conselho de Administração.
Shell poderá aportar até R$ 3,5 bilhões na reestruturação
A proposta de capitalização prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e de até R$ 500 milhões pela Aguassanta, caso participe da operação. O plano também contempla a conversão de parte dos créditos detidos pelos credores em capital e a possibilidade de participação dos demais acionistas por meio do exercício do direito de preferência.
A operação poderá alcançar R$ 4 bilhões em novos recursos, considerando a participação integral dos dois investidores. A capitalização é uma das etapas necessárias para viabilizar a reorganização societária e a futura separação dos negócios. Até que sejam cumpridas as condições precedentes do plano de Recuperação Extrajudicial e homologado o aumento de capital, a atual administração das companhias permanecerá inalterada.
Novos conselhos terão sete titulares e sete suplentes
Após a homologação da operação de capitalização, os novos Conselhos de Administração serão compostos por sete membros titulares e sete suplentes. Para a companhia responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell, Samuel Aguirre foi indicado para a presidência do conselho. Na empresa de etanol, açúcar e bioenergia, a indicação é de Julio Cesar de Toledo Piza Neto.
A estrutura executiva também terá mudanças. Lorival Nogueira Luz Jr. foi indicado para liderar os negócios de distribuição, enquanto Geovane Dilkin Consul deverá assumir a liderança das atividades de etanol, açúcar e bioenergia. Ambos integram a atual administração da Raízen. As indicações para os cargos executivos deverão ser confirmadas pelos respectivos conselhos após a posse dos novos integrantes.
Reestruturação prevê duas companhias independentes
A segregação dos negócios representa uma das principais mudanças estruturais previstas no plano de recuperação da Raízen. Concluído o processo, as atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes ficarão em uma companhia, enquanto os negócios de etanol, açúcar e bioenergia serão concentrados em outra.
A reorganização busca estabelecer estruturas societárias e de governança próprias para cada operação, que passarão a atuar como empresas abertas independentes e listadas, observados os prazos e as condições previstos na legislação.
O CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, atribuiu o avanço da reorganização à articulação entre os envolvidos no processo e à execução dos compromissos assumidos pela companhia: “O trabalho realizado até aqui é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas, e também da disciplina no cumprimento de todos os compromissos assumidos ao longo do processo de reestruturação da companhia. A eleição dos novos conselheiros e a indicação antecipada dos líderes das futuras empresas segregadas trazem previsibilidade e garantem a continuidade da execução do nosso plano de transformação operacional e financeira.”
A conclusão da reorganização societária permanece vinculada ao cumprimento das etapas previstas no plano de Recuperação Extrajudicial, incluindo a capitalização e a implementação das condições necessárias à separação definitiva das operações.



