Resultado cresceu 9,2% em um ano, impulsionado por reajustes de RAP e entrada de novos ativos; companhia soma R$ 10,4 bilhões em investimentos em 15 projetos no Brasil, Chile, Colômbia e Peru.
A Alupar registrou receita líquida regulatória de R$ 980,3 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi sustentado principalmente pelo desempenho do segmento de transmissão, que incorporou os efeitos do reajuste das Receitas Anuais Permitidas (RAPs) no Brasil e a contribuição de novos empreendimentos na América Latina.
O EBITDA regulatório consolidado alcançou R$ 773,2 milhões, crescimento de 4% na comparação anual. Já o lucro líquido regulatório atribuído aos acionistas foi de R$ 214,2 milhões. Com base no resultado, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 69,2 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,21 por unit, com pagamento previsto em até 60 dias.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita líquida regulatória somou R$ 2,92 bilhões, avanço de 11,9%, enquanto o EBITDA regulatório chegou a R$ 2,29 bilhões, alta de 8,7%.
Transmissão responde por 80% da receita regulatória
O segmento de transmissão representou 80% da receita líquida regulatória da companhia no trimestre e apresentou crescimento de 12,2% em relação ao 3T25. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho está a entrada em operação comercial da Transmissora Colombiana de Energia (TCE), cujo comissionamento ocorreu em outubro de 2025.
No Brasil, a receita também refletiu a atualização das RAPs para o ciclo 2026/2027. Os contratos indexados ao IPCA tiveram reajuste de 4,72%, enquanto aqueles vinculados ao IGP-M foram atualizados em 1,95%.
A expansão da receita acompanha a entrada em operação de ativos e a execução de novos projetos. A companhia mantém 15 empreendimentos em implantação em quatro países, com investimentos consolidados de R$ 10,4 bilhões e cronograma de execução que se estende até 2031.
Ao avaliar a contribuição dos projetos já concluídos e a estratégia de expansão, o diretor de Relações com Investidores da Alupar, Luiz Coimbra, destacou o planejamento de longo prazo e a disciplina na alocação de capital: “O crescimento deste trimestre vem de projetos que planejamos e executamos nos últimos anos e que agora estão em operação. E essa trajetória continua: temos 15 projetos em implantação no Brasil, Chile, Colômbia e Peru, o mais recente deles conquistado nesta semana no Chile. Transmissão é um negócio de longo prazo e cada decisão precisa fazer sentido durante todo esse período. Com balanço sólido e crescimento contratado, seguimos investindo em projetos que façam sentido para a Alupar e tragam retorno aos nossos acionistas.”
Alupar conquista projeto de US$ 85 milhões no Chile
A carteira de expansão ganhou um novo empreendimento com a vitória da Alupar na licitação do projeto Pelarco–Trueno, na região de Maule, ao sul de Santiago. O investimento estimado é de US$ 85 milhões, com receita anual prevista de US$ 11,9 milhões. O projeto contempla duas subestações e 21 quilômetros de linhas de transmissão, sob regime de concessão perpétua. O ativo se soma às operações da companhia no país por meio da Transmissora de Energia de Santiago (TES) e da Sincro Energía del Desierto (SED).
No Brasil, as obras da linha de transmissão de 500 kV da TECP avançam com previsão de antecipação da entrada em operação para 2027. O empreendimento tem 551 quilômetros de extensão e interliga Goiás, Minas Gerais e São Paulo. A Transmissora de Energia de São Paulo (TESP), arrematada em leilão em julho e com contrato de concessão assinado em setembro, prevê a construção de uma nova subestação e 17,4 quilômetros de linhas subterrâneas na capital paulista.
No Peru, a Transmissora Costa Norte (TCN) atingiu 85% de avanço físico das obras, aproximando-se do início da operação comercial do primeiro ativo da companhia no país. Também no mercado peruano, o projeto Puno Sur obteve licença ambiental em setembro e iniciou a implantação dos canteiros de obras.
Dívida líquida regulatória chega a R$ 9,7 bilhões
A dívida líquida regulatória da Alupar encerrou setembro em R$ 9,70 bilhões. A relação entre dívida líquida e EBITDA ficou em 3,2 vezes. Na demonstração societária, elaborada conforme as normas internacionais de contabilidade (IFRS), a receita líquida foi de R$ 1,17 bilhão e o EBITDA alcançou R$ 527,3 milhões. Os indicadores regulatórios e societários refletem bases contábeis distintas e, por isso, não devem ser comparados diretamente.
Do lado operacional, as concessionárias de transmissão registraram disponibilidade média de 99,8% no trimestre. A companhia possui participação em 46 concessões de transmissão, com mais de 10 mil quilômetros de linhas em quatro países, além de aproximadamente 800 MW de capacidade instalada em geração. A classificação de crédito da holding é ‘AAA (bra)’ na escala nacional e ‘BB+’ na escala internacional, ambas atribuídas pela Fitch Ratings.


