ONS mantém alerta para a transição entre períodos seco e úmido e reforça monitoramento dos reservatórios até 2026

Mesmo com expectativa de melhora nas afluências, projeções indicam necessidade de geração térmica adicional no cenário inferior. CMSE aprova medidas para aprimorar bases de dados e reforçar confiabilidade dos estudos do setor elétrico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realizada em 5 de novembro, as projeções para o atendimento eletroenergético do país até abril de 2026. Apesar da entrada no período úmido e da expectativa de melhora nas condições hidrológicas, o Operador reforçou a necessidade de acompanhar de perto a transição entre as estações para avaliar a recuperação dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo o ONS, as previsões mostram evolução dos armazenamentos, mas ainda há incertezas quanto ao volume de chuvas. Diante desse quadro, o órgão mantém a recomendação de monitoramento intensivo da operação do sistema, especialmente no atendimento à potência durante os horários de pico, entre 17h e 22h, quando pode ser necessária geração térmica adicional no cenário inferior de afluências.

“Estamos em um período de transição entre a fase seca e a chuvosa, então vamos monitorar de perto a condição dos reservatórios e estamos prontos para adotar as medidas necessárias de modo permanecer garantindo o atendimento eletroenergético do país”, destacou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.

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Projeções indicam cenários contrastantes de armazenamento

Os resultados do Estudo Prospectivo do ONS, apresentados ao CMSE, traçam dois possíveis cenários hidrológicos para o período de novembro de 2025 a abril de 2026.

No cenário inferior, a Energia Natural Afluente (ENA) do SIN deve ficar em 67% da Média de Longo Termo (MLT), o que seria o segundo menor índice em 95 anos. Já no cenário superior, a ENA alcançaria 98% da MLT, classificando-se como o 45º menor valor histórico.

Os indicadores de Energia Armazenada (EAR) reforçam o contraste entre os cenários. No cenário inferior, o armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), principal subsistema do país, ficaria em 37,2% em novembro de 2025 e 45,4% em abril de 2026, enquanto o SIN atingiria 56,4% no mesmo mês. Já no cenário superior, os reservatórios do SE/CO poderiam alcançar 91,5% de EAR e o SIN, 90,8%, até o fim do período úmido.

Esses números mostram que, embora o sistema apresente margem de segurança no cenário otimista, o cenário inferior ainda demandará ações preventivas e flexibilidade operativa, incluindo uso pontual de termelétricas para assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda.

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Reservatórios do SE/CO seguem como principal ponto de atenção

As análises do ONS apontam que o Sudeste/Centro-Oeste continua sendo o subsistema mais sensível do ponto de vista energético, dada sua relevância para a regulação hídrica nacional. Caso o cenário inferior se confirme, a Energia Armazenada no SE/CO ao final de abril de 2026 será 25,8 pontos percentuais abaixo do valor registrado em abril de 2025.

Em contrapartida, se prevalecer o cenário superior, o armazenamento seria 20,3 pontos percentuais acima do nível do ano anterior, indicando recuperação consistente das principais bacias hidrográficas. Para o conjunto do SIN, as projeções variam entre 14,2 p.p. abaixo e 20,2 p.p. acima dos níveis observados em 2025, conforme o comportamento das chuvas.

A avaliação confirma a importância de gestão integrada da operação hidrotérmica e de um planejamento dinâmico que permita ajustes rápidos conforme a evolução das condições hidrológicas.

CMSE aprova medidas para aprimorar dados e fiscalizações

Além das projeções operativas, a reunião do CMSE aprovou novas medidas voltadas ao aprimoramento das bases de dados de geração utilizadas nos estudos elétricos e energéticos. As ações envolvem coordenação entre ONS, EPE e ANEEL, com foco na confiabilidade das informações que sustentam o planejamento do sistema.

Entre as medidas, destaca-se o reforço da fiscalização sobre usinas merchant que descumprirem comandos de despacho do ONS e a exclusão, a partir de 2026, de empreendimentos com alto risco de não implantação das bases de estudos elétricos.

O Comitê também definiu que será reavaliada a metodologia de representação das usinas do mercado livre (ACL) nos estudos energéticos e elétricos no início de 2026. Além disso, foram recomendadas ações para compatibilizar as bases de dados da micro e minigeração distribuída (MMGD) entre as instituições do setor, promovendo maior transparência e consistência regulatória.

Essas iniciativas visam consolidar uma infraestrutura de dados mais robusta, capaz de oferecer subsídios técnicos mais precisos à operação e ao planejamento do sistema, um avanço essencial para manter a confiabilidade do SIN em um contexto de diversificação da matriz e crescimento da geração distribuída.

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