Com tecnologia pioneira movida a etanol, desenvolvida em parceria com a Wärtsilä, a Savana Holding propõe uma nova fronteira para a bioenergia, capaz de equilibrar o sistema elétrico nacional e reduzir a dependência de combustíveis fósseis
O Brasil vive um ponto de inflexão em sua matriz elétrica. Com 88,2% da geração de energia proveniente de fontes renováveis em 2024, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o País consolidou sua liderança global em sustentabilidade. No entanto, a abundância de energia limpa trouxe também um novo desafio: a intermitência das fontes solar e eólica, que geram em horários distintos da demanda.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) cunhou recentemente o termo “paradoxo solar”, para descrever o cenário de excesso de oferta durante o dia e déficit à noite, quando o consumo atinge o pico. É nesse contexto que a Savana Holding, em parceria com a Wärtsilä, propõe uma solução inédita: o primeiro motor a etanol de grande porte do mundo, que promete funcionar como um “amortecedor” energético, acionado sob demanda para garantir estabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Bioenergia como antídoto à intermitência
O motor, que será instalado na usina Suape II, em Pernambuco, tem capacidade inicial de 4 MW e potencial de expansão para até 600 MW. Sua principal vantagem é a flexibilidade operacional: diferente das usinas solares e eólicas, o equipamento pode ser acionado em minutos, independentemente das condições climáticas.
“O motor a etanol é uma tecnologia de prontidão, capaz de entrar em operação no momento em que o sistema mais precisa de potência. Ele tem papel estratégico no horário de ponta e em períodos de escassez hídrica, oferecendo flexibilidade e estabilidade à matriz elétrica”, explica José Faustino, CTO da Suape Energia.
Além da agilidade, o projeto carrega uma forte dimensão ambiental e estratégica. O uso do etanol, combustível 100% nacional e renovável, contribui para reduzir a dependência de fontes fósseis importadas e reforça a soberania energética brasileira. Segundo estimativas da Savana Holding, a substituição de motores a diesel por etanol pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa (GEE), posicionando o País como referência mundial em soluções limpas e resilientes.
Estabilidade e autonomia: os novos pilares da segurança energética
Mesmo com autossuficiência em petróleo, alcançada com a extração média de 3,4 milhões de barris por dia em 2024, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil enfrenta um novo tipo de vulnerabilidade: a falta de potência imediata para responder aos picos de consumo. Em um sistema cada vez mais descentralizado e dependente de fontes variáveis, a segurança energética deixa de ser apenas uma questão de geração, e passa a ser de disponibilidade instantânea.
“Nos próximos anos, a segurança energética brasileira será medida pela capacidade de equilibrar a matriz. Isso significa combinar fontes intermitentes, como solar e eólica, com soluções de acionamento rápido e sustentável. É nesse espaço que o motor a etanol se torna essencial”, destaca Carlos Mansur, vice-presidente da Savana Holding.
O projeto reforça uma nova visão sobre o papel dos biocombustíveis na transição energética. O etanol, tradicionalmente associado ao transporte, surge agora como um ativo estratégico para o setor elétrico, capaz de oferecer suporte de potência e estabilidade em tempo real. Essa versatilidade coloca o Brasil em uma posição única no mundo, unindo recursos naturais abundantes, infraestrutura consolidada e tecnologia de ponta.
O futuro da bioenergia no sistema elétrico brasileiro
A Savana Holding aposta que essa tecnologia pode se tornar um novo eixo de desenvolvimento energético, especialmente em regiões com forte produção de biomassa. A integração entre geração solar, armazenamento e bioenergia despachável abre caminho para um sistema elétrico mais autônomo e resiliente, reduzindo a necessidade de térmicas a gás ou diesel.
Com isso, o etanol deixa de ser apenas um combustível alternativo e assume o papel de protagonista na segurança elétrica do País. A proposta é ampliar o uso dessa tecnologia para além do projeto piloto em Suape II, replicando o modelo em outras regiões estratégicas.



