A operação envolve participações minoritárias em quatro SPEs com ativos distribuídos por seis estados; transação reforça estratégia de reciclagem de capital
O mercado secundário de transmissão de energia elétrica brasileiro registrou um movimento de peso nesta segunda-feira (4). A Axia Energia oficializou a alienação da totalidade de suas participações minoritárias (49%) em quatro Sociedades de Propósito Específico (SPEs).
A compradora, Gebbras Participações, desembolsará R$ 451,5 milhões pelo portfólio, consolidando sua posição em ativos de infraestrutura com receitas reguladas.
Raio-X do Portfólio e Abrangência Regional
O pacote de ativos transacionado detém uma importância estratégica para o Sistema Interligado Nacional (SIN), abrangendo cerca de 1.086 km de linhas de transmissão. Geograficamente, a infraestrutura perpassa seis estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste: Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As participações envolvem as empresas Goiás Transmissão, MGE Transmissão, Transenergia Renovável e Transenergia São Paulo. Trata-se de concessões de longo prazo, com maturidade prevista para o biênio 2039-2040, o que confere ao investidor uma previsibilidade de fluxo de caixa operacional e segurança jurídica.
A transação ocorre em um momento de estabilidade nos ciclos de Receita Anual Permitida (RAP) e demonstra o apetite do mercado por ativos de baixo risco. A vendedora detalha o potencial de rentabilidade das SPEs para os próximos anos, destacando que os números refletem a saúde operacional das linhas: “Os ativos devem gerar receita líquida estimada de R$ 218 milhões e Ebtida de R$ 176 milhões em 2027.”
Reciclagem de Capital no Setor Elétrico
A movimentação da Axia Energia sinaliza uma tendência crescente entre as operadoras do setor: a reciclagem de ativos. Ao alienar participações minoritárias em projetos maduros, a companhia abre espaço em seu balanço para novos investimentos em leilões de transmissão ou outros segmentos da matriz energética.
A conclusão da transação segue agora o rito burocrático e governamental necessário para este tipo de ativo de infraestrutura. A gestão da companhia ressalta os próximos passos: “A conclusão da operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais de mercado.”
A entrada da Gebbras nessas sociedades reforça o interesse de grupos de investimento em ativos de transmissão, considerados “títulos de renda fixa” da infraestrutura brasileira devido à resiliência de suas receitas, independentemente do volume de energia transportado.


