Expansão de veículos elétricos reconfigura gestão de risco e precificação no mercado segurador

Com cotações de eletrificados saltando para 17,1% no país, mercado revisa custos de reparo em alta tensão e coberturas para infraestrutura de recarga.

O avanço vertiginoso da frota de veículos elétricos e híbridos no Brasil ultrapassou a transformação da mobilidade urbana para alcançar a estrutura de gestão de riscos e precificação do mercado segurador. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam que as vendas de modelos eletrificados no país registraram um salto de 125% no primeiro semestre de 2026, superando 215 mil unidades comercializadas. A expansão reflete diretamente na procura por coberturas: o Índice de Preço do Seguro de Automóvel (IPSA), desenvolvido pela TEx, revela que híbridos e elétricos já respondem por 17,1% do total de cotações de seguros no país, montante que mais do que triplicou ante novembro de 2024.

Essa rápida penetração impõe às seguradoras e corretoras a necessidade de reformular produtos e metodologias de análise. Diferente da frota a combustão tradicional, os eletrificados trazem variáveis operacionais inéditas para o cálculo atuarial, incluindo alta densidade de tecnologia embarcada, dependência de redes exclusivas de suprimento de peças de reposição e demanda por mão de obra técnica altamente qualificada para intervenções nos trens de força e baterias de alta voltagem.

Ao analisar as mudanças estruturais que a nova frota impõe às metodologias de subscrição de risco, o Diretor Executivo de Parcerias da MDS Brasil, Rogério Lemes, ressalta que o setor passa por um processo profundo de adaptação operacional: “A eletrificação da frota não altera apenas o perfil dos veículos segurados. Ela exige uma evolução na forma como o mercado avalia riscos, estrutura, coberturas e orienta os clientes. Aspectos como tecnologia embarcada, disponibilidade de peças, mão de obra especializada e custos de reparo passam a ter peso cada vez maior na contratação do seguro.”

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Maturidade da cadeia de reparação e desmistificação de custos

A sustentabilidade das operações de seguro para veículos eletrificados depende diretamente do desenvolvimento da cadeia pós-venda no país. O aumento gradual no número de concessionárias homologadas, oficinas independentes certificadas para alta tensão e centros especializados de reparação estrutural reduz o tempo de imobilização dos veículos e melhora a previsibilidade dos custos de sinistro.

Essa expansão da infraestrutura técnica atua como elemento central para desmistificar a percepção de que as apólices de eletrificados são inflexivelmente mais dispendiosas que as convencionais. A composição do prêmio final permanece atrelada ao conjunto habitual de variáveis, como o perfil de rodagem do segurado, região de circulação e valor venal, mas ganha a adição de métricas ligadas à curva de aprendizado da sinistralidade desse segmento.

Ao projetar os efeitos da consolidação de dados operacionais na formulação de novas tarifas, o executivo da MDS Brasil destaca a importância do acúmulo de histórico de uso para o aperfeiçoamento das apólices: “O mercado vive um período de adaptação. Conforme aumenta a frota de veículos eletrificados e o histórico de utilização desses modelos, as seguradoras passam a ter uma base de dados mais robusta para precificar riscos de forma ainda mais eficiente.”

Evolução de apólices dedicadas à mobilidade elétrica

Com a frota eletrificada ganhando escala comercial, o mercado de seguros direciona esforços para o desenvolvimento de produtos customizados. Além das garantias tradicionais contra colisão, roubo e furto, a tendência é a consolidação de coberturas acessórias voltadas às especificidades da eletromobilidade, englobando proteção contra danos acidentais a equipamentos de recarga doméstica (wallboxes), assistência 24 horas especializada para pane seca de bateria e suporte para sinistros envolvendo componentes eletroquímicos.

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