Pela segunda vez no ano, ONS aciona corte na distribuição para conter excedentes de MMGD

Operação no domingo (23/08) combinou redução na geração centralizada do SIN e instrução prévia às distribuidoras diante da queda na demanda.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou o acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição durante o domingo, 23 de agosto. A medida operacional foi mobilizada para preservar o equilíbrio físico entre geração e demanda no Sistema Interligado Nacional (SIN), em um cenário caracterizado pela retração do consumo típica do final de semana combinada à elevada produção da Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD).

Trata-se da segunda vez na história do setor elétrico brasileiro em que o protocolo é utilizado de forma sistêmica. A estreia do mecanismo ocorreu em 7 de junho deste ano, também em um domingo, marcando uma virada operacional no gerenciamento de ativos sem visibilidade ou controle direto do ONS.

Articulação com distribuidoras e medidas no SIN

Por não exercer controle operativo direto sobre as usinas e sistemas enquadrados como MMGD conectados à baixa e média tensão, o ONS emitiu avisos prévios às concessionárias de distribuição. A comunicação antecipada visou permitir que as distribuidoras preparassem a infraestrutura para executar a limitação programada dos ativos de geração sob sua responsabilidade.

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Antes de acionar a rede de distribuição, a sala de controle do ONS esgotou as ações de mitigação usuais no sistema elétrico centralizado. Foram implementadas medidas operativas complementares para reduzir a produção das usinas sob controle direto do Operador no SIN, abrangendo grandes parques geradores hídricos, eólicos e solares centralizados.

Mecanismo de segurança para a estabilidade da rede

O Plano de Gestão de Excedentes na Rede de Distribuição funciona como uma última camada de segurança operativa. Ele é acionado estritamente em momentos nos quais o corte máximo da geração controlada pelo ONS revela-se insuficiente para absorver o volume de energia injetado pelas distribuidoras, ameaçando a frequência e a estabilidade da rede elétrica nacional.

A reincidência da operação reforça o desafio regulatório e operacional trazido pela rápida expansão da geração fotovoltaica distribuída no Brasil, exigindo maior alinhamento técnico entre o ONS e as distribuidoras para gerenciar sobras de oferta nos períodos de menor carga.

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