Aditivos firmados com PetroReconcavo, Brava Energia e Origem Energia revisam condições comerciais e operacionais da unidade localizada em Pojuca (BA)
A Petrobras, a PetroReconcavo, a Brava Energia e a Origem Energia firmaram aditivos de longo prazo para garantir o acesso e o processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás Natural de Catu (UTG Catu), em Pojuca (BA). Os novos termos têm efeito imediato e asseguram capacidade contratada na unidade a partir de 2028, além de atualizar parâmetros comerciais e operacionais dos contratos de acesso negociado.
Operada pela Petrobras, a UTG Catu é uma infraestrutura relevante para o tratamento e o escoamento da produção de gás de campos terrestres da Bacia do Recôncavo e de áreas próximas. A repactuação dá maior horizonte de planejamento aos produtores que utilizam a instalação e busca melhorar as condições econômicas de processamento.
Contratos ampliam previsibilidade para a produção
A extensão da garantia de capacidade para o período a partir de 2028 é o principal resultado da negociação. Para as empresas produtoras, a disponibilidade futura da infraestrutura reduz uma incerteza relevante na programação de investimentos e no desenvolvimento dos campos da região.
Os aditivos também alteram tarifas e condições operacionais. A revisão considera a busca por redução dos custos unitários de processamento e aumento da utilização da planta, fatores que podem melhorar a competitividade dos projetos de produção terrestre.
Para a Petrobras, a manutenção dessa estrutura contratual pode contribuir para a continuidade da atividade exploratória e produtiva no Recôncavo. O gerente executivo de Exploração e Produção da companhia, Stênio Galvão, relaciona o acordo à capacidade de atrair novos investimentos para a região: “Na Bahia a iniciativa contribui para a atração de investimentos, a otimização dos recursos existentes e a criação de condições favoráveis para o crescimento do setor no longo prazo.”
UTG Catu concentra processamento de diferentes produtores
O compartilhamento da unidade permite que empresas independentes utilizem uma infraestrutura existente para tratar sua produção, sem a necessidade de replicar individualmente instalações de processamento. Esse modelo ganha relevância no segmento onshore, caracterizado por campos maduros e projetos que podem apresentar escalas menores do que grandes empreendimentos offshore. A utilização conjunta dos ativos permite agregar volumes e melhorar o aproveitamento da capacidade instalada.
O acordo também mantém a UTG Catu como ponto de integração entre a produção dos campos terrestres e as etapas seguintes da cadeia de gás natural.
O gerente executivo de Gás e Energia da Petrobras, Álvaro Tupiassu, destaca a importância econômica do modelo para a evolução do mercado: “O entendimento entre as empresas reafirma a importância da infraestrutura compartilhada como instrumento para ampliar a eficiência e a competitividade do mercado de gás natural.”
Independentes ganham horizonte para operação
A disponibilidade de processamento é um componente essencial para os produtores independentes que dependem da UTG Catu para colocar sua produção no mercado. A regularidade do serviço influencia tanto a operação dos campos quanto a capacidade de atender contratos com distribuidoras estaduais e consumidores livres.
Na avaliação da PetroReconcavo, a continuidade do acesso à infraestrutura também abre espaço para ganhos operacionais e atualização dos processos da unidade. O CEO da companhia, José Firmo, aponta o efeito da cooperação entre os agentes sobre a atividade terrestre: “A cooperação entre a Petrobras e os produtores independentes representa um avanço para o nosso setor. Ao fortalecer o compartilhamento de infraestrutura existente, o acordo amplia a competitividade do onshore brasileiro aumentando eficiência operacional, a confiabilidade da unidade e promovendo a modernização contínua de processos, sistemas e equipamentos.”
A negociação envolve, portanto, dois aspectos distintos: a garantia de capacidade para os próximos anos e a revisão das condições sob as quais essa capacidade será utilizada. A combinação pode melhorar o planejamento dos produtores e a eficiência econômica da instalação.
Acordo ocorre em mercado de gás mais aberto
A repactuação está inserida no processo de abertura do mercado brasileiro de gás natural, que ampliou a participação de produtores independentes e estabeleceu novas regras para o acesso a infraestruturas essenciais. Nesse ambiente, o acesso negociado a unidades de processamento, sistemas de escoamento e demais ativos de midstream passou a ter papel estratégico para empresas que não possuem infraestrutura própria.
No caso da Bacia do Recôncavo, a existência de uma unidade compartilhada reduz a necessidade de novos investimentos para viabilizar o tratamento da produção de diferentes operadores. A contratação de longo prazo, por sua vez, oferece maior visibilidade sobre a disponibilidade do serviço.
A assinatura dos aditivos preserva, assim, o uso compartilhado da UTG Catu por Petrobras e produtores independentes e cria um horizonte contratual mais longo para o processamento da produção terrestre na Bahia.
O resultado esperado é uma estrutura com maior previsibilidade para os usuários e melhor aproveitamento de um ativo já instalado, em um mercado no qual a disponibilidade de infraestrutura continua sendo um dos fatores determinantes para a expansão da oferta de gás natural.



