IBP pede fim do imposto de exportação de petróleo e questiona efeito sobre refino e investimentos

Entidade aponta refino no limite de 101%, ineficácia da alíquota de 12% e arrecadação extraordinária de R$ 92,9 bilhões já capturada pelo sistema fiscal.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) enviou ofício ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando a não prorrogação do Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo bruto, estabelecido pela Resolução Gecex nº 938/2026. Em documento assinado pelo diretor executivo de Exploração e Produção do IBP, Claudio Fontes Nunes, a entidade sustenta que a medida, editada após a caducidade da Medida Provisória nº 1.340/2026, falhou nos objetivos regulatórios e fiscais, impondo custos adicionais aos projetos de exploração e produção (E&P).

O instituto argumenta que o tributo não conteve as vendas externas nem redirecionou volumes significativos para o abastecimento interno. No primeiro semestre de 2026, sob a vigência da alíquota, o valor exportado de petróleo bruto saltou 28,9% frente ao mesmo período de 2025, com avanço de 11,4% no volume físico e Brent médio a US$ 92,56 por barril (+27,6%). Como o Brasil atua como price-taker, respondendo por 4% da produção e até 3% das exportações globais, o setor carece de escala para alterar os preços internacionais do produto.

A entidade enfatiza que o represamento doméstico esbarra na capacidade operacional do parque nacional, incapaz de absorver a produção do pré-sal. Dados da própria Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda (Nota Informativa SEI nº 2184/2026/MF) apontam que as refinarias operaram a 101% do teto operacional no último trimestre. Além disso, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) da EPE prevê que mais de 55% do petróleo nacional terá como destino compulsório a exportação, ampliando o excedente para até 2,8 milhões de barris por dia até 2032.

- Advertisement -

Mecanismos de arrecadação e bitributação fiscal

No pilar tributário, o IBP rebate a justificativa de utilizar o imposto para capturar ganhos extraordinários da alta das commodities. O setor demonstra que o modelo fiscal vigente, composto por royalties, participação especial, óleo da partilha, IRPJ/CSLL e dividendos da Petrobras, já absorve cerca de 70% do valor bruto gerado pela valorização do barril, tornando desnecessária qualquer alíquota adicional (windfall tax).

A projeção de arrecadação extraordinária para a União atinge R$ 92,9 bilhões em 2026 comparada ao orçamento original. Somente no primeiro semestre, a distribuição de royalties totalizou R$ 36,5 bilhões, valor R$ 9,6 bilhões superior ao estimado antes das tensões geopolíticas no Oriente Médio, repassando R$ 3,0 bilhões à União, R$ 2,7 bilhões aos estados e R$ 3,9 bilhões aos municípios.

Com a recente aprovação do PLP 114/2026, que autoriza a destinação dessas receitas extraordinárias para custear subvenções aos combustíveis, o IBP reitera que a manutenção da Resolução Gecex nº 938/2026 perde o fundamento fiscal e ameaça os aportes em revitalização de campos maduros. O pedido encaminhado ao MDIC inclui parecer econômico assinado pelo professor Marcio Holland com o detalhamento dos impactos na atividade de E&P.

Destaques da Semana

Enel SP aponta cerceamento de defesa e pede 30 dias para estudo técnico no processo de caducidade na ANEEL

Distribuidora contesta encerramento da instrução no processo administrativo, rebate...

Pela segunda vez no ano, ONS aciona corte na distribuição para conter excedentes de MMGD

Operação no domingo (23/08) combinou redução na geração centralizada...

Petrobras confirma presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas

Perfuração no bloco FZA-M-59 atinge intervalo com óleo em...

ONS lança solução de inteligência artificial para otimizar consulta a dados do SIN

Disponível no Portal de Dados Abertos, ferramenta TIAGO traz...

Aneel prioriza SUI e sobrecontratação para abertura do mercado na baixa tensão

Diretor-geral Sandoval Feitosa afirma que agência tem prazo até...

Artigos

Últimas Notícias