ANEEL aprova reajustes da Energisa Paraíba e Equatorial Maranhão com abatimento do UBP liberado pelo TCU

Repasse de recursos da repactuação do Uso do Bem Público reduziu em mais de 6% o impacto tarifário final nos dois estados.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou nesta segunda-feira (24) os reajustes tarifários anuais da Energisa Paraíba e da Equatorial Maranhão. Os processos incorporaram a antecipação de recursos da repactuação do Uso do Bem Público (UBP), mecanismo associado à outorga de hidrelétricas, o que mitigou de forma significativa o impacto final repassado às tarifas dos consumidores.

Na Energisa Paraíba, o efeito médio aprovado foi de 5,74%. Na Equatorial Maranhão, o reajuste médio ficou em 5,76%. Sem a inclusão dos aportes do UBP, os aumentos médios seriam expressivamente superiores em ambos os estados.

DistribuidoraAlta Tensão (Indústria)Baixa Tensão (Residencial)Efeito Médio FinalAbatimento UBPAporte UBP (R$)
Energisa PB+9,72%+4,85%+5,74%-7,45%R$ 269,5 mi
Equatorial MA+8,68%+5,25%+5,76%-6,26%R$ 331,9 mi

Detalhamento por concessão

No caso da Energisa Paraíba, o processo tarifário considerou a antecipação de R$ 269,5 milhões em recursos do UBP. Conforme o voto do diretor-relator, Willamy Frota, o montante produziu um abatimento de 7,45 pontos percentuais sobre o cálculo tarifário original. O benefício do UBP foi direcionado prioritariamente aos consumidores de baixa tensão, justificando a diferença entre os índices aplicados à indústria e às residências.

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Já para a Equatorial Maranhão, o processo contabilizou R$ 331,9 milhões em recursos antecipados, gerando um alívio de 6,26 pontos percentuais no índice final. Durante a reunião pública, o diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, destacou que, sem esse aporte financeiro, a alta média no Maranhão ultrapassaria a marca de 12%.

Desbloqueio de recursos no TCU viabilizou amortização

A aplicação dos valores nos cálculos tarifários desta segunda-feira só foi possível após a revogação da medida cautelar concedida pelo ministro Antonio Anastasia, do Tribunal de Contas da União (TCU), que antes suspendia o repasse dos saldos da repactuação do UBP.

Com a liberação do TCU, a ANEEL pôde abater esses montantes das componentes financeiras das distribuidoras. Apesar do alívio geral proporcionado pelo mecanismo, os consumidores industriais (alta tensão) de ambas as áreas de concessão permanecem sujeitos a reajustes mais expressivos, reflexo da estrutura de alocação de custos e da composição dos encargos tarifários de cada segmento.

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