Gargalo de governança e regulação trava expansão da inteligência artificial no setor de energia

Pesquisa revela que, apesar dos ganhos de produtividade em processos críticos, falta de arcabouço auditável para reguladores e conselhos limita escala da tecnologia.

A adoção de Inteligência Artificial (IA) já gera ganhos tangíveis em eficiência e produtividade em processos críticos das empresas do setor de energia, mas a expansão das iniciativas esbarra na escassez de mecanismos de controle e auditoria. O diagnóstico é da pesquisa AI Impact Survey 2026, realizada pela Grant Thornton com 950 líderes empresariais em dez indústrias globais.

No recorte setorial, a energia registra uma das maiores lacunas do estudo entre a captura de resultados operacionais e a capacidade de comprovar, de forma estruturada, que os sistemas aplicados atendem aos requisitos de governança e regulação. Em um segmento submetido à rigorosa supervisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a ausência de evidências sobre segurança e mitigação de riscos retém a tecnologia em caráter experimental.

Transição para a agenda de desempenho empresarial

A próxima fase da digitalização energética exige a substituição de testes isolados por estruturas robustas de compliance tecnológico. Para que os algoritmos passem a integrar processos corporativos de forma permanente, as companhias precisam estabelecer mecanismos capazes de monitorar aplicações, delimitar responsabilidades e respaldar as tomadas de decisão perante conselhos de administração e órgãos fiscalizadores.

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O sócio de Risk da Grant Thornton, Maikon Silva, aponta que a inteligência artificial atravessa uma mudança estrutural no planejamento das organizações: “A IA está deixando de ser uma agenda de inovação para se tornar uma agenda de desempenho empresarial. Nos próximos anos, as organizações que vão liderar seus mercados serão aquelas que conseguirem demonstrar que cada investimento em Inteligência Artificial gera impacto real sobre receita, produtividade, experiência do cliente ou eficiência operacional.”

Sincronia entre tecnologia e gestão de riscos

Em um setor de capital intensivo, a maturidade na utilização da IA deixa de ser uma questão estritamente computacional e passa a depender da capacidade de administrar os riscos regulatórios e reputacionais associados. O levantamento da Grant Thornton conclui que a velocidade de adoção da ferramenta nos próximos anos será determinada pela atuação coordenada entre as áreas operacionais, de gestão de riscos e de governança corporativa, transformando eficiências algorítmicas em resultados auditáveis.

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