Shell Eco-marathon completa dez anos no Brasil com foco em eficiência energética e formação de engenheiros

Competição reúne mais de 500 estudantes e 47 equipes de quatro países no Rio de Janeiro entre 25 e 27 de agosto; veículos são desenvolvidos para maximizar eficiência com combustão, baterias ou hidrogênio

A Shell Eco-marathon completa dez anos de realização no Brasil em 2026 com uma edição que reúne mais de 500 estudantes e 47 equipes de Brasil, México, Colômbia e Peru. A competição será realizada entre 25 e 27 de agosto, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, e coloca projetos acadêmicos de eficiência energética em condições reais de desenvolvimento, construção e testes de veículos.

Desde a chegada ao país, em 2016, o evento reuniu cerca de 300 equipes de mais de 60 universidades e instituições de ensino técnico. O objetivo é desenvolver veículos capazes de percorrer a maior distância possível utilizando a menor quantidade de energia.

A competição também funciona como espaço de formação prática para estudantes de engenharia e áreas relacionadas à mobilidade. Os projetos exigem integração entre conhecimentos de mecânica, elétrica, eletrônica, materiais, controle e gerenciamento energético, além da tomada de decisões sobre desempenho e eficiência.

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Veículos exploram três rotas tecnológicas

A competição é dividida em duas categorias de veículos. Os Protótipos priorizam a máxima eficiência energética a partir de projetos ultraleves e soluções voltadas à redução do consumo. Já os veículos de Conceito Urbano adotam características mais próximas das encontradas em automóveis comerciais.

As equipes podem escolher entre três tecnologias de propulsão: motores de combustão interna alimentados por gasolina ou etanol, baterias elétricas e hidrogênio.

A diversidade tecnológica permite comparar diferentes estratégias de eficiência e acompanha a transformação da matriz de mobilidade. A eletrificação já representa a maior parcela das equipes inscritas, enquanto o hidrogênio vem ganhando espaço entre os projetos desenvolvidos pelos estudantes.

Para Glauco Paiva, diretor de Comunicação e Marca da Shell Brasil, a trajetória da competição vai além dos resultados obtidos nas provas: “Ao completar dez anos no Brasil, celebramos muito mais do que os resultados alcançados na pista. Celebramos o poder da parceria, quando conhecimento, prática e colaboração caminham juntos. Cada equipe que chega à competição traz meses de trabalho, dedicação e vontade de vencer desafios. Apoiar esses talentos é contribuir para o futuro da energia e da inovação.”

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Drop Team mantém referência em combustão

A evolução dos projetos pode ser observada nos resultados acumulados ao longo das dez edições. As equipes utilizam os dados e a experiência de cada competição para modificar componentes, reduzir massa, aperfeiçoar sistemas de controle e melhorar o gerenciamento da energia disponível.

Um dos casos de maior destaque é o da Drop Team, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) de Erechim. Criada há dez anos a partir da inspiração na própria Shell Eco-marathon, a equipe detém o recorde brasileiro da categoria Protótipo – Combustão Interna.

Em 2023, o grupo alcançou a marca de 716 quilômetros com um litro de combustível. A distância equivale, em termos aproximados, ao trajeto entre São Paulo e Florianópolis. Em 2025, a equipe conquistou o pentacampeonato e chega à edição de 2026 na liderança do ranking da categoria.

O capitão da Drop Team, Marcelo Boff, destaca o efeito da competição sobre a formação dos estudantes e sobre a produção acadêmica associada ao projeto: “O desafio da Shell Eco-marathon motivou muitos alunos que passaram pela equipe, estimulando a busca por novas soluções e inovações que produziram pesquisas, projetos e trabalhos de conclusão para atender às necessidades da equipe e do protótipo veicular de eficiência energética. Toda essa experiência de colocar em prática o que é visto em sala de aula e de se provar frente aos desafios das competições e troca de experiências com outras equipes contribui para uma formação acadêmica, pessoal e profissional diferenciada para os participantes.”

Veículos elétricos ampliam desempenho

A eletrificação ganhou participação significativa entre as equipes brasileiras. Atualmente, cerca de 70% dos grupos inscritos utilizam veículos elétricos, refletindo a crescente presença das baterias como alternativa de propulsão nos projetos acadêmicos.

Em 2024, a equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estabeleceu o recorde brasileiro da categoria Protótipo – Bateria Elétrica, com 381 km/kWh. O indicador expressa a distância percorrida para cada unidade de energia consumida e evidencia o nível de eficiência buscado pelas equipes. Em uma equivalência de distância, o desempenho registrado permitiria percorrer com 1 kWh o trajeto entre o Rio de Janeiro e São José dos Campos (SP).

A predominância dos veículos elétricos também modifica o foco dos projetos. Além da eficiência mecânica, as equipes precisam trabalhar com características como capacidade e gerenciamento das baterias, eletrônica de potência, sistemas de controle, massa do veículo e estratégias de condução.

Hidrogênio estreia no pódio

O hidrogênio passou a ocupar espaço mais relevante na competição brasileira. Na edição de 2025, a tecnologia chegou pela primeira vez ao pódio, com a Eco Octano, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vencendo a categoria Protótipo – Hidrogênio com desempenho de 132 km/m³.

No mesmo ano, a equipe GCEE, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Foz do Iguaçu, tornou-se a primeira equipe a completar o percurso brasileiro com um veículo da categoria Conceito Urbano movido a hidrogênio. O grupo registrou 61 km/m³.

A presença das três rotas tecnológicas, combustão interna, baterias e hidrogênio, transforma a competição em um laboratório de soluções de eficiência energética aplicado à mobilidade. Embora os resultados obtidos na pista sejam o principal indicador de desempenho, a preparação dos veículos envolve ciclos sucessivos de projeto, testes e aperfeiçoamento.

Dez anos aproximam academia e indústria

A trajetória da Shell Eco-marathon no Brasil acompanha mudanças na agenda tecnológica do setor de transportes, ao mesmo tempo em que mantém o foco na eficiência energética como critério central.

Ao longo de uma década, os projetos desenvolvidos por estudantes passaram a incorporar diferentes tecnologias de propulsão e soluções de engenharia. O processo também cria uma ponte entre formação acadêmica e aplicação prática, permitindo que os participantes trabalhem com restrições de desempenho, confiabilidade, segurança e consumo semelhantes às enfrentadas no desenvolvimento de tecnologias de mobilidade.

A edição comemorativa de 2026 reunirá as equipes no Rio de Janeiro para uma nova rodada de testes e competição. Com entrada gratuita e aberta ao público, o evento será realizado no Pier Mauá entre 25 e 27 de agosto.

Mais do que uma disputa por eficiência, a competição consolidou-se no Brasil como uma plataforma de experimentação tecnológica e formação de profissionais que atuarão em um setor pressionado por redução de consumo, descarbonização e desenvolvimento de novas alternativas de propulsão.

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