Acordo pioneiro firmado com a Ortobras introduz o combustível renovável via balanço de massa e estabelece rampa de descarbonização até 2027.
O mercado brasileiro de Gases Liquefeitos de Petróleo (GLP) atinge um marco em sua trajetória de transição energética. A Supergasbras, subsidiária do grupo SHV Energy, oficializou o primeiro contrato de fornecimento de BioGL com certificação internacional ISCC PLUS (International Sustainability & Carbon Certification) no país. O movimento inaugura a viabilidade comercial de combustíveis gasosos renováveis com pegada de carbono auditada, atendendo à crescente demanda corporativa por conformidade com critérios ESG e metas de escopo 1.
O acordo comercial foi estruturado junto à Ortobras, tradicional fabricante gaúcha de soluções de acessibilidade, mobilidade e elevadores. O cronograma de suprimento prevê uma inserção gradual do energético: inicialmente, o BioGL responderá por 5% do volume anual consumido pela indústria. A meta contratual estabelece uma rampa de aceleração para alcançar o patamar de 10% da matriz de combustíveis da Ortobras até 2027, garantindo a substituição programada de parcelas do energético fóssil tradicional.
Rastreabilidade e a metodologia de balanço de massa no setor de GLP
Do ponto de vista operacional e de infraestrutura, o BioGL apresenta paridade físico-química com o GLP convencional, o que elimina a necessidade de investimentos em conversão de queimadores, tanques ou redes de distribuição internas nos clientes (solução drop-in). A introdução do atributo ambiental na cadeia de suprimento é realizada por meio do modelo de balanço de massa, sistema amplamente consolidado na transição de bioprodutos globais.
A garantia de origem e a contabilidade do volume renovável inserido no fluxo logístico nacional demandaram a adequação da distribuidora a rígidos critérios internacionais. A engenharia do portfólio verde e as bases operacionais do insumo são detalhadas por Priscila Maziero, Gerente de Gás e Sustentabilidade da Supergasbras: “A Supergasbras é a primeira do setor no Brasil a obter essa certificação, reforçando seu compromisso com transparência, governança e sustentabilidade. O BioGL possui as mesmas características do GLP e é incorporado à cadeia de valor por meio de balanço de massa, com sua rastreabilidade devidamente certificada pelo padrão internacional do ISCC Plus que garante ao cliente o atributo ambiental e sua redução da pegada de carbono, por meio de certificação.”
Alinhamento estratégico e descarbonização industrial
Para o setor industrial, a adoção de gases renováveis desponta como uma das alternativas mais céleres para mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em processos térmicos. No caso da Ortobras, a migração parcial para o BioGL ancora as metas institucionais de redução do impacto ambiental e reforça o posicionamento da companhia frente às exigências do mercado global de capitais e de fornecimento.
O impacto da transição para a operação e os desdobramentos de longo prazo da iniciativa são analisados por Anderson Kühn, Gerente de Facilities e EHS da Ortobras: “A adesão ao BioGL faz parte da estratégia da Ortobras de avançar continuamente em suas metas de sustentabilidade e fortalecer seu compromisso com os princípios ESG. Acredito que iniciativas como esta contribuem para uma indústria mais eficiente, responsável e preparada para os desafios ambientais do futuro. Nós da Ortobras, temos orgulho de participar deste movimento e de incorporar soluções que geram impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente.”
Desenvolvimento de mercado e perspectivas para os gases renováveis
A viabilização do BioGLP no ambiente de contratação brasileiro exigiu um ciclo de planejamento iniciado pela Supergasbras no final de 2024. A principal barreira superada envolveu a conformidade regulatória e a auditoria dos processos de recebimento, armazenamento e despacho sob as regras da certificação ISCC PLUS, que valida a cadeia de custódia desde a matéria-prima (comumente rotas bioquímicas ou coprocessamento de óleos vegetais e resíduos) até o cliente final.
O amadurecimento dessa nova fronteira comercial e os próximos passos para a escala do produto no ecossistema de energia são projetados por Priscila Maziero: “A conquista da certificação ISCC PLUS exigiu uma adequação de processos e reforça nossa capacidade de inovar com responsabilidade. Este primeiro contrato representa não apenas um marco comercial, mas a abertura de uma nova frente de crescimento sustentável para o setor de GLP no Brasil. Estamos atuando na prospecção de novos clientes interessados em incorporar combustíveis com atributo ambiental às suas operações.”
Embora o segmento de gases renováveis, incluindo o biometano e o BioGLP, ainda represente uma fração incipiente da matriz energética nacional, o ambiente de negócios indica forte aceleração. O direcionamento de investimentos corporativos para metas de net-zero deve replicar no mercado de GLP a mesma curva de expansão observada nos setores de biodiesel e aviação sustentável (SAF), consolidando o prêmio ambiental como ativo de competitividade industrial.



