Unidade paranaense adotará abordagem multirrota para acelerar maturidade tecnológica do H2 de baixa emissão e integrar cadeia de valor com o setor industrial.
O ecossistema de inovação voltado aos vetores energéticos do futuro ganhou um reforço estrutural estratégico. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi chancelada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para sediar o novo Centro de Competência em Hidrogênio de baixa emissão de carbono. O projeto receberá um aporte financeiro de R$ 60 milhões oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sob a governança do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O anúncio, formalizado em Brasília, visa posicionar o país na vanguarda da propriedade intelectual e do desenvolvimento de processos escaláveis para o mercado global de combustíveis limpos.
O desenho institucional da nova unidade fundamenta-se no histórico de mais de uma década e meia de pesquisa em conversão energética acumulado pela instituição de ensino paranaense. O plano de trabalho aprovado combina o desenvolvimento de pesquisa aplicada, formação de capital humano especializado e cooperação internacional, estruturando um ambiente capaz de elevar o nível de maturidade tecnológica (Technology Readiness Level – TRL) de soluções voltadas à indústria de refino, siderurgia, mobilidade pesada e fertilizantes.
O coordenador do Centro de Competência, Helton José Alves, detalha que o modelo operacional da unidade foi projetado para espelhar a diversidade de insumos energéticos disponíveis no território nacional: “O diferencial do Centro de Competência da UFPR está na abordagem multirrota, voltada ao desenvolvimento de diferentes caminhos tecnológicos para a produção de hidrogênio, valorizando as vantagens competitivas do Brasil e sua diversidade de fontes renováveis.”
A estratégia de fomento prevê uma forte sinergia com o mercado corporativo, operando sob a lógica do cofinanciamento e desenvolvimento conjunto. Mais de 30 corporações nacionais e multinacionais já formalizaram interesse em compor o portfólio de pesquisas da unidade por meio de cartas de apoio. O próximo passo do cronograma consiste na conversão dessas sinalizações de mercado em contratos definitivos de associação tecnológica, viabilizando o codesenvolvimento de patentes e soluções comerciais.
Integração ao PNH2 e diversificação de rotas tecnológicas
O estabelecimento deste centro consolida uma das principais metas de PD&I do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), além de dialogar diretamente com o Plano de Transformação Ecológica coordenado pelo Governo Federal. A proposta do MCTI é descentralizar os gargalos de desenvolvimento por meio de redes de cooperação técnica que conectem o ambiente acadêmico aos laboratórios do Sistema Nacional de Laboratórios em Hidrogênio (SISH2-MCTI).
A titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, aponta a relevância do fomento científico para assegurar a autonomia e a competitividade do parque fabril nacional diante das barreiras tarifárias internacionais de carbono: “O Brasil reúne condições únicas para liderar a economia do hidrogênio, e esse protagonismo passa pelo fortalecimento das capacidades científicas, tecnológicas e industriais brasileiras. O Centro de Competência Embrapii em Hidrogênio é um marco nesse processo, por fortalecer o Programa Nacional do Hidrogênio e contribuir para o plano de transformação ecológica do país. Ao integrar universidades, institutos de pesquisa, empresas e laboratórios do SISH2-MCTI (rede criada pelo Ministério no âmbito da Iniciativa Brasileira de Hidrogênio), o Centro ampliará a capacidade nacional de inovação, acelerará tecnologias estratégicas e impulsionará a competitividade da indústria brasileira na transição para uma economia de baixo carbono.”
Fronteiras de pesquisa e aplicações no setor elétrico
A atuação científica do centro foi segmentada para cobrir todas as etapas da cadeia de valor do combustível, desde a eletrólise e reforma até o uso final. O escopo técnico abrange o aprimoramento de sistemas de armazenamento e logística de transporte, engenharia de segurança de alta pressão e as aplicações comerciais do H2. No segmento de infraestrutura, os estudos focarão na produção de fertilizantes verdes, biocombustíveis avançados e processos químicos industriais com pegada de carbono nula.
Para o setor elétrico, a iniciativa assume um papel de destaque no debate sobre a estabilização e flexibilidade operativa de redes. O uso do hidrogênio como mecanismo de armazenamento de energia de longa duração (long-duration energy storage) desponta como uma das principais respostas do mercado para mitigar a intermitência sazonal das usinas eólicas e solares de grande porte.
Ao avaliar a articulação das redes de inovação para atender à demanda de descarbonização corporativa, o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, ressalta a relevância da união de esforços entre pesquisadores e empresas para a geração de ativos de alto impacto: “A inovação é elemento central para que o Brasil aproveite as oportunidades da transição energética. Ao reunir pesquisadores, empresas e infraestrutura de excelência em torno das demandas tecnológicas relacionadas ao hidrogênio, criamos um ambiente propício para o desenvolvimento de soluções que vão proporcionar impacto econômico, ambiental e social para o país.”



