Entrada em operação do Linhão Manaus-Boa Vista, crescimento da capacidade instalada para 218 GW e reforço da malha de transmissão consolidam a resiliência do Sistema Interligado Nacional
O Sistema Interligado Nacional (SIN) atravessa um dos mais importantes ciclos de expansão de sua história recente. A combinação entre novos investimentos em transmissão, ampliação da capacidade de geração e integração de regiões historicamente isoladas elevou os indicadores de segurança operativa e reforçou a capacidade do sistema de absorver o crescimento das fontes renováveis nos últimos anos.
Entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, o setor elétrico brasileiro avançou na construção de uma infraestrutura mais robusta e resiliente, reduzindo gargalos de escoamento, ampliando a flexibilidade operativa e fortalecendo as condições de atendimento à demanda em um cenário de crescente complexidade na operação do sistema.
O movimento ocorre em um momento de transformação estrutural da matriz elétrica, marcado pela expansão acelerada das fontes eólica e solar e pelo aumento da participação da geração distribuída, fatores que exigem uma rede de transmissão mais extensa e um sistema cada vez mais integrado.
Interligação de Roraima encerra ciclo de sistemas isolados
Um dos marcos mais relevantes desse processo foi a entrada em operação comercial do Linhão Manaus-Boa Vista em 2025, empreendimento que permitiu a integração definitiva de Roraima ao Sistema Interligado Nacional.
A conclusão do projeto representou o fim da condição de isolamento elétrico da única capital brasileira que ainda não fazia parte do SIN, consolidando a integração de todas as capitais do país sob um mesmo modelo de despacho centralizado. Além de ampliar a segurança energética da região Norte, a interligação reduziu a dependência de usinas termelétricas locais e abriu espaço para uma diminuição gradual dos custos associados à geração em sistemas isolados, tradicionalmente mais elevados e financiados por encargos setoriais.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o caráter estratégico da integração para o setor elétrico nacional: “Estamos construindo um sistema elétrico cada vez mais forte, integrado e preparado para o futuro. A interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional marcou um momento histórico para o país e simboliza os avanços que estamos promovendo em geração, transmissão e segurança energética. Com mais investimentos e planejamento garantimos mais confiabilidade no fornecimento para milhões de brasileiras e brasileiros.”
A conexão também cria condições para a substituição gradual da geração térmica em municípios da Amazônia, como Parintins, Itacoatiara e Juruti, reduzindo custos sistêmicos e aumentando a eficiência do abastecimento elétrico.
Malha de transmissão ultrapassa 192 mil quilômetros
A expansão da rede de transmissão se tornou um dos pilares da transição energética brasileira. Somente no primeiro semestre de 2026, mais de 2 mil quilômetros de linhas receberam autorização para operação comercial, elevando a extensão da malha de alta e extra-alta tensão para mais de 192 mil quilômetros.
A ampliação da infraestrutura é considerada essencial para o escoamento da geração renovável, especialmente das usinas eólicas e solares instaladas nas regiões Nordeste e Norte, que concentram boa parte dos novos investimentos em geração. A expansão dos corredores de transmissão também aumenta a flexibilidade operativa do SIN, permitindo maior intercâmbio de energia entre subsistemas e reduzindo a exposição a eventos climáticos localizados, como secas prolongadas ou ondas de calor.
Para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a capacidade de transferência entre regiões tornou-se um dos principais instrumentos de segurança operativa diante da crescente variabilidade da matriz elétrica.
Potência instalada alcança 218 GW e reforça diversificação da matriz
A infraestrutura de rede permitiu sustentar o crescimento contínuo da geração centralizada no país. O Brasil atingiu em 2026 a marca histórica de 218 GW de potência instalada em usinas centralizadas, sendo que 84,8% dessa capacidade é composta por fontes renováveis.
Apenas no primeiro semestre, entraram em operação 62 novas usinas, adicionando 2.628 MW à matriz elétrica nacional. Paralelamente, a micro e minigeração distribuída manteve ritmo acelerado de expansão e ultrapassou 50 GW de potência instalada, reforçando o papel da geração descentralizada no atendimento ao consumo.
A combinação entre geração centralizada, recursos distribuídos e ampliação da rede de transmissão tem transformado o perfil operacional do sistema elétrico brasileiro, exigindo novos instrumentos de planejamento e maior coordenação entre os agentes setoriais.
GNA II amplia oferta de potência firme no Sudeste
Em meio ao avanço das fontes intermitentes, o sistema também passou a contar com novos ativos de geração despachável. A entrada em operação do Complexo do Porto do Açu, por meio da Usina Termelétrica GNA II, adicionou aproximadamente 1,7 GW de potência firme ao subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
A nova capacidade amplia a flexibilidade operacional do ONS e fortalece a capacidade de resposta do sistema em períodos de maior demanda ou de menor produção das fontes renováveis. O reforço térmico também ganha relevância em um cenário de crescente eletrificação da economia e de maior dependência das condições climáticas para o desempenho da matriz elétrica.
Novo PAC acelera investimentos e fortalece planejamento de longo prazo
O avanço da infraestrutura elétrica brasileira também reflete as diretrizes estabelecidas pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Até junho de 2026, o programa contabilizava a conclusão de 446 empreendimentos de geração, responsáveis pela incorporação de mais de 20 GW de capacidade instalada ao sistema.
Ao mesmo tempo, os leilões de transmissão contratados nos últimos anos asseguraram a expansão futura da rede, garantindo a construção de milhares de quilômetros de novas linhas e subestações. A combinação entre planejamento de longo prazo, expansão da transmissão e diversificação da matriz energética consolida o Sistema Interligado Nacional como um dos mais integrados e flexíveis do mundo.
Em um ambiente de rápida transformação tecnológica e de crescimento da participação das energias renováveis, a robustez da infraestrutura elétrica se tornou um dos principais ativos estratégicos para garantir segurança de suprimento, competitividade econômica e modicidade tarifária para consumidores do mercado regulado e do mercado livre.



