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Copa Energia e ABiogás testam modelo híbrido de biogás e GLP em cozinhas comunitárias

Copa Energia e ABiogás testam modelo híbrido de biogás e GLP em cozinhas comunitárias

Iniciativa em parceria com o Governo Federal integra soluções de biogás e GLP para combater a pobreza energética e fomentar a economia circular em unidades solidárias.

A agenda de descarbonização e responsabilidade social corporativa ganhou uma nova aplicação prática no Nordeste brasileiro. A Copa Energia, uma das principais players no mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP) e com crescente posicionamento em GNC, GNL e biometano, anunciou seu apoio estratégico ao projeto Cozinha Comunitária Sustentável. A iniciativa estrutura a instalação de biodigestores e o fornecimento de soluções energéticas de baixa emissão de carbono para modernizar a infraestrutura de preparação de alimentos em comunidades vulneráveis.

O arranjo institucional é fruto de uma cooperação técnica e social que envolve o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério de Minas e Energia (MME), a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), além do aporte de empresas do setor privado. A primeira unidade a receber o modelo operacional foi inaugurada em Fortaleza (CE), no dia 25 de junho, com a participação de autoridades federais. O plano de expansão prevê a implementação da tecnologia em outras duas localidades estratégicas do país.

Ao mitigar o uso de combustíveis sólidos tradicionais, como a lenha e o carvão vegetal, ainda comuns em cozinhas de alta escala informal, a iniciativa ataca a poluição do ar em ambientes fechados (indoor pollution). A queima ineficiente de biomassa tradicional é mapeada por organismos internacionais como um dos principais vetores de problemas respiratórios e de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no subsegmento de cocção residencial e comunitária.

Economia circular e redução de pegada de carbono no ecossistema solidário

A engenharia do projeto apoia-se no reaproveitamento da fração orgânica dos resíduos alimentares gerados pelas próprias cozinhas. O passivo ambiental dos restos de alimentos é direcionado a biodigestores compactos, gerando biogás de forma descentralizada. Esse insumo energético é reinserido no processo produtivo de cocção, gerando um ciclo fechado de baixa pegada de carbono.

Ao analisar o viés técnico e de sustentabilidade do projeto, a gerente de Sustentabilidade da Copa Energia, Ellen Laureno, detalha o papel da economia circular na otimização operacional das unidades: “O projeto demonstra como soluções baseadas em biogás podem gerar benefícios ambientais e sociais simultaneamente. Além de reduzir emissões e dar uma destinação adequada aos resíduos orgânicos, os biodigestores fortalecem as cozinhas comunitárias ao transformar resíduos em uma nova fonte de energia, promovendo a economia circular e apoiando o atendimento à população em situação de vulnerabilidade.”

Os complexos atuam também como polos de inclusão produtiva e desenvolvimento territorial. A modelagem tem forte viés de governança social, uma vez que a gestão cotidiana dessas estruturas solidárias é liderada majoritariamente por mulheres, promovendo geração de renda e fortalecimento comunitário a partir de capacitações em práticas sustentáveis.

Parcerias público-privadas no combate à pobreza energética

Para os agentes do mercado de gás e biocombustíveis, o avanço desse ecossistema valida modelos de negócios híbridos que combinam fontes renováveis locais e redes consolidadas de distribuição de energéticos limpos para garantir a segurança de suprimento térmico.

A Head de Assuntos Corporativos da Copa Energia, Sheyla Oliveira, aponta o valor estratégico da articulação multissetorial para escalar a capilaridade da transição energética em comunidades de baixa renda: “O Cozinha Comunitária Sustentável demonstra o potencial das parcerias entre governo, sociedade civil e setor privado para gerar impactos positivos para a população. Para a Copa Energia, o apoio reforça nosso compromisso de contribuir para a redução da pobreza energética por meio de soluções que ampliam o acesso à cocção limpa, promovem o desenvolvimento social e geram valor para a sociedade.”

O evento de inauguração da planta-piloto em Fortaleza contou com a presença da primeira-dama, Janja da Silva, do ministro do MDS, Wellington Dias, e do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, além de executivos do setor energético. O cronograma de implementação e as datas das próximas duas unidades apoiadas pela companhia serão divulgados na sequência do plano de metas do Governo Federal.