Reservatório encerra junho com 39,87% do volume útil e Sabesp tem limite de retirada reduzido para 27 m³/s; portaria autoriza transposição complementar da UHE Jaguari.
O principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) acendeu o sinal amarelo para a gestão de recursos hídricos e para o setor de infraestrutura. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em atuação conjunta com a SP Águas, confirmou que o Sistema Cantareira passou a operar oficialmente na Faixa 3 (Alerta). O gatilho regulatório foi acionado automaticamente após o complexo de reservatórios encerrar o mês de junho com 39,87% de seu volume útil armazenado, patamar inferior ao limite de segurança estabelecido pelas regras de operação vigentes.
Com o reenquadramento operacional, as restrições de captação entram em vigor imediatamente para conter a taxa de depleção (esvaziamento) dos estoques de água antes do auge do período seco na Região Sudeste. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terá seu limite máximo de retirada reduzido de 33 m³/s (metros cúbicos por segundo), volume autorizado em condições de normalidade (Faixa 1), para até 27 m³/s. A retração de 18% no teto de captação impõe uma reorganização operacional no gerenciamento de fluxo entre as demais grandes estruturas que compõem o sistema de abastecimento metropolitano.
Manobra operacional e transposição da UHE Jaguari
Para mitigar o impacto direto da redução e manter a estabilidade do suprimento na capital paulista e municípios adjacentes, o regulador federal acionou mecanismos de compensação geográfica entre bacias hidrográficas. A equipe técnica da ANA sinalizou que a Sabesp terá autorização para recompor as suas necessidades de vazão por meio de fontes alternativas de integração: “A Sabesp poderá complementar a oferta de água com a vazão eventualmente transposta do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitando os limites da outorga vigente.”
Essa manobra de transferência hídrica entre a bacia do Paraíba do Sul e o Cantareira conecta diretamente a agenda de saneamento com o setor elétrico. A UHE Jaguari, além de sua função de controle de cheias e abastecimento local, atua na geração de energia firme para o Sistema Interligado Nacional (SIN), o que exige coordenação fina com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para que as defluências voltadas ao saneamento não penalizem a resiliência energética e os níveis operativos da usina durante a temporada de estiagem.
Gestão de demanda e resiliência nas Bacias PCJ
O cenário de alerta impõe desafios severos não apenas à distribuidora metropolitana, mas também à sustentabilidade de todo o complexo produtivo a jusante. Os órgãos reguladores e as agências PCJ direcionaram os holofotes para a urgência de uma mudança no comportamento de consumo público e industrial, com foco em conter desperdícios e preservar a integridade física dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí: “As agências também reforçaram a necessidade de medidas de gestão da demanda, redução de perdas e uso racional da água por consumidores e demais usuários, com o objetivo de preservar os níveis dos reservatórios e assegurar o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo e das bacias dos rios PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí).”
As Bacias PCJ concentram um dos maiores polos industriais e agroecológicos do país, cuja cadeia produtiva depende diretamente da previsibilidade de vazão liberada pelo Cantareira. O enquadramento na Faixa 3 intensifica o monitoramento técnico das outorgas vigentes e eleva o nível de exigência sobre os programas de eficiência hídrica e combate a perdas comerciais e físicas nas redes de distribuição, configurando um teste de estresse para a resiliência da infraestrutura paulista nos próximos meses.



