Acordo de longo prazo prevê o fornecimento de 126 MW médios a partir do Complexo Rio Brilhante e consolida estratégia de descarbonização da companhia de saneamento.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Casa dos Ventos formalizaram uma das maiores operações de contratação corporativa de energia solar do mercado de energia brasileiro. Estruturado sob o modelo de autoprodução por arrendamento via consórcio, o acordo de longo prazo assegura o fornecimento de 126 MW médios de energia limpa para a operadora de saneamento.
O volume contratado será gerado pelo Complexo Solar Rio Brilhante, ativo localizado em Campo Grande (MS) com 491 MW de capacidade instalada e que terá sua produção dedicada integralmente ao atendimento da infraestrutura da Sabesp. O movimento representa uma blindagem estratégica contra a volatilidade de preços do mercado livre de energia e reduz de forma robusta os custos operacionais por meio da isenção legal de encargos setoriais conferida à modalidade de autoprodução.
Ao longo do período de vigência do contrato, a previsão é de um suprimento acumulado superior a 18 TWh de energia renovável. O volume chancela a inserção do setor de saneamento em projetos de geração centralizada de grande porte.
O diretor-executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, analisa o impacto da parceria para o ambiente de negócios e para a maturidade de projetos sustentáveis no país: “Este acordo representa um marco para a Casa dos Ventos e para o avanço da agenda ESG no Brasil. Estamos levando a transformação energética para um setor essencial à população, por meio de uma solução estruturada que combina competitividade, previsibilidade e impacto ambiental positivo em larga escala.”
Diversificação com Projetos 100% Solares Dedicados
O negócio inaugura a carteira de clientes da Casa dos Ventos no segmento de saneamento básico sob as regras da autoprodução. Historicamente reconhecida por seu protagonismo no desenvolvimento de grandes parques eólicos na Região Nordeste, a geradora amplia sua musculatura em novos mercados e consolida uma estratégia de diversificação de portfólio de ativos com o desenvolvimento de plantas de tecnologia exclusivamente solar e com foco em consumidores corporativos de alta demanda.
Pelo lado da Sabesp, a operação responde a um desafio logístico e financeiro de grandes proporções. A companhia figura atualmente como a oitava maior consumidora de energia elétrica do Brasil, reflexo de suas operações distribuídas em 376 municípios paulistas e do ritmo acelerado de investimentos físicos para antecipar a meta de universalização dos serviços de saneamento em São Paulo de 2033 para 2029. A estrutura envolve cerca de 40 mil profissionais em mais de 1.100 frentes de obras ativas em todo o estado.
O Impacto nas Metas Corporativas de Descarbonização
A contratação atende de forma direta às metas ambientais corporativas anunciadas pela Sabesp ao mercado em novembro de 2025. O plano de descarbonização da empresa estabelece uma meta de redução de 15% nas suas emissões globais nos próximos 10 anos. O maior peso desse esforço está concentrado justamente no Escopo 2, que engloba as emissões indiretas pelo consumo de energia elétrica de fontes externas, onde a meta prevê uma diminuição expressiva de 43% por meio da migração para matrizes limpas e o ingresso em projetos de autoprodução.
A diretora executiva e de Regulação e Gestão de Energia da Sabesp, Luciane Domingues, destaca o papel do projeto na governança e na consolidação da resiliência energética do grupo: “Essa parceria está além do cumprimento de metas climáticas. Ela reforça o nosso compromisso com a resiliência energética ao mesmo tempo que impulsiona a adoção de fontes limpas e renováveis, que dentro de poucos anos devem representar quase a totalidade do consumo de energia da Sabesp.”
Com o andamento do cronograma construtivo e operacional do Complexo Rio Brilhante, a iniciativa reafirma o papel do ambiente de contratação livre (ACL) brasileiro como o principal catalisador para investimentos privados em infraestrutura energética e mitigação de pegada de carbono no setor corporativo nacional.



