Itaú Unibanco aporta R$ 1,4 bilhão na Denerge e assume participação minoritária em sub-holding da Energisa

Operação societária envolve a subscrição de 100% das ações preferenciais da distribuidora e visa impulsionar o plano de investimentos em concessões estratégicas do Centro-Oeste e Sudeste.

O Grupo Energisa formalizou a conclusão de uma expressiva operação de engenharia financeira que robustece sua estrutura de capital e rearranja a composição societária de seus ativos de distribuição. O Itaú Unibanco ingressou oficialmente como acionista minoritário na Denerge (Denerge Desenvolvimento de Energia S.A.), sub-holding que concentra ativos de peso do conglomerado elétrico. O aporte financeiro totalizou R$ 1,4 bilhão, operacionalizado por meio de um aumento de capital privado.

Por meio dessa transação, a instituição financeira subscreveu a totalidade das novas ações preferenciais (PN) emitidas pela Denerge. O movimento confere ao Itaú uma fatia equivalente a aproximadamente 9,98% do capital social total da holding. A Denerge desempenha um papel central na arquitetura corporativa da Energisa, uma vez que detém participações societárias estratégicas em concessionárias reguladas de grande porte, como a Rede Energia, a Energisa Mato Grosso (EMT), a Energisa Mato Grosso do Sul (EMS) e a Energisa Sul-Sudeste (ESS).

Governança e alavancagem para o plano de investimentos

A injeção de liquidez em nível de sub-holding (Denerge) atua diretamente na otimização dos indicadores de alavancagem financeira do Grupo Energisa, desonerando o caixa da holding controladora e abrindo espaço para a continuidade do plano de investimentos plurianual em modernização de redes, combate às perdas comerciais e expansão da infraestrutura de alta tensão.

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Os alicerces de governança que balizarão a convivência entre os novos parceiros de capital foram formalmente pactuados por meio de um acordo de acionistas celebrado entre a Energisa S.A., a Nova Denerge e o Itaú Unibanco. O documento disciplina de forma estrita os direitos políticos e econômicos das partes e contempla, adicionalmente, uma cláusula de opção de compra (call option) que assegura ao grupo controlador o direito de readquirir os papéis preferenciais hoje sob custódia do banco em janelas futuras.

Em comunicado enviado ao mercado e aos acionistas, a administração da Energisa pontuou os direcionamentos macroeconômicos da operação: “A operação faz parte da estratégia de fortalecer a estrutura de capital e ampliar a capacidade financeira do grupo. Os direitos e obrigações dos acionistas foram definidos em acordo firmado entre Energisa, Nova Denerge e Itaú, que também prevê uma opção de compra das ações preferenciais pelo grupo controlador. A Energisa afirmou que o aporte contribuirá para reforçar sua capacidade de investimento e a robustez financeira da companhia.”

Repercussão setorial e estrutura de funding

A atração de capital institucional de um player do porte do Itaú Unibanco, via ações preferenciais, reforça a atratividade e a resiliência do segmento de distribuição de energia elétrica no Brasil, mesmo diante de um cenário macroeconômico de taxas de juros elevadas. O modelo desenhado permite captar recursos de longo prazo sem que o controlador sofra diluição do capital votante (ações ordinárias), mantendo a agilidade regulatória e operacional nas concessões que atendem a mercados agroindustriais pujantes nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Especialistas do mercado financeiro avaliam que transações dessa natureza mitigam o custo médio ponderado de capital (WACC) das companhias elétricas e sinalizam para as agências de classificação de risco (rating) uma sólida disciplina de capital, essencial no momento em que o setor debate as renovações antecipadas dos contratos de concessão de distribuição junto ao Ministério de Minas e Energia (MME) e à ANEEL.

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