Operação coordenada absorveu queda de 8,6 GW antes do início do jogo e rampa de retomada pós-partida que equivaleu à demanda somada de Minas Gerais e Paraná
A operação em tempo real do Sistema Interligado Nacional (SIN) vivenciou um teste de estresse dinâmico com o início da fase decisiva da Copa do Mundo. A partida da seleção brasileira, iniciada às 14h de uma segunda-feira, impôs contornos de alta complexidade para as equipes técnicas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), devido à sobreposição do evento com o horário de pico da atividade industrial, de serviços e da curva de máxima injeção da geração fotovoltaica distribuída (GD) na rede.
Os grandes eventos esportivos são historicamente caracterizados por provocar o “efeito rampa” no comportamento da carga, fenômeno que exige rápida resposta dos recursos de regulação de frequência e despacho hidrelétrico automatizado para mitigar flutuações bruscas de frequência e tensão no sistema de transmissão.
As rampas de alívio e a rápida retomada do consumo
O monitoramento do ONS apontou que a retração na demanda do SIN teve início às 13h, registrando um recuo acentuado que totalizou 8.641 MW até o encerramento do primeiro tempo da partida. Esse alívio temporário na curva de carga reflete a paralisação simultânea de linhas de produção e o fechamento do comércio varejista.
O primeiro grande desafio de recomposição ocorreu no intervalo do jogo, às 14h49, quando o sistema acusou uma rampa de elevação de aproximadamente 2.659 MW em um intervalo de apenas 9 minutos, impulsionada pela abertura concomitante de eletrodomésticos e equipamentos residenciais.
O pico de complexidade operativa, contudo, concentrou-se após o apito final. A partir das 16h02, o ONS coordenou o atendimento a uma rampa de subida de 12.783 MW em 60 minutos, reflexo do reacionamento de maquinários industriais e da retomada das atividades comerciais urbanas. A magnitude desse acréscimo de carga em apenas uma hora equivale à soma de toda a demanda média de potência dos estados de Minas Gerais e do Paraná. De acordo com o balanço do Operador, a normalização completa do perfil de carga e o retorno ao padrão típico de uma segunda-feira ocorreram por volta das 18h.
ONS projeta complexidade para o próximo fim de semana
O sucesso na estabilização das frequências do SIN consolida as estratégias de contingência previamente desenhadas pelas salas de controle do Operador, que se baseiam em previsões de carga customizadas para eventos sazonais de grande audiência pública.
A manutenção dos critérios de segurança e a preparação das equipes para as próximas fases do torneio foram validadas pelo diretor-geral do ONS, Marcio Rea: “O sonho do Hexa segue vivo e o time ONS já se prepara para o próximo desafio, no domingo, dia 5 de julho. Avaliamos que mais pessoas estarão ligadas na Copa, o que poderá aumentar ainda mais a complexidade da Operação. De qualquer maneira estamos preparados para continuar garantindo o equilíbrio do SIN e o atendimento às demandas da nossa torcida e toda a sociedade brasileira.”
O próximo monitoramento especial do SIN terá como complicador o fato de a partida ocorrer em um domingo, dia em que a carga de base do sistema já opera estruturalmente mais baixa, alterando os requisitos de rampa e a necessidade de reserva girante nas usinas despachadas.



