Comércio impulsiona alta de 2,1% no consumo nacional de energia em maio

Resenha Mensal aponta demanda total de 48.021 GWh impulsionada pelas classes residencial e comercial; mercado livre responde por quase 46% do volume injetado no SIN

O consumo nacional de energia elétrica registrou o seu segundo avanço mensal consecutivo na comparação anual. Dados consolidados da mais recente Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica apontam que a demanda total do país atingiu 48.021 gigawatts-hora (GWh) em maio de 2026, o que representa uma expansão de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o Sistema Interligado Nacional (SIN) computou uma carga injetada de 569.595 GWh, consolidando uma variação positiva estável de 0,5%.

O comportamento da carga em maio revela um descolamento claro entre o consumo comercial/residencial e a atividade manufatureira de grande porte. Enquanto as classes de comércio e serviços (+5,1%) e residencial (+4,2%) sustentaram o ritmo de alta do indicador global, a classe industrial apresentou retração de 0,7% no consumo de eletricidade, sinalizando um ritmo de produção mais conservador nas principais plantas industriais do país.

Assimetria regional marca desempenho da carga

A análise geográfica dos dados evidencia que as condições macroeconômicas e meteorológicas atuaram de forma distinta pelas regiões do país. Quatro das cinco regiões brasileiras expandiram suas frentes de consumo em maio, com destaque para o Centro-Oeste, que liderou o crescimento com alta de 4,6%. Na sequência, figuram as regiões Sul (+3,5%), Sudeste (+3,1%) e Norte (+3,0%).

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Em contrapartida, a região Nordeste seguiu uma trajetória de forte contração, anotando uma queda de 3,2% no consumo de eletricidade em relação a maio de 2025. Esse recuo está atrelado, entre outros fatores, à menor exigência de sistemas de refrigeração e à variação de temperatura média na região ao longo do mês, que aliviou a pressão sobre as redes locais de distribuição.

Mercado Livre abocanha 45,8% da demanda e dispara em clientes

A segmentação por ambientes de contratação confirma o avanço estrutural e irreversível do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Em maio de 2026, o mercado livre movimentou um volume total de 22.015 GWh. O montante significa que quase metade de toda a energia elétrica consumida no Brasil (45,8%) já é transacionada diretamente entre geradores, comercializadores e consumidores sem a intermediação das distribuidoras.

O crescimento de 2,8% no volume consumido no ACL veio acompanhado de uma explosão no número de novos agentes. A base de consumidores livres deu um salto de 21,8% em comparação com maio de 2025. Esse boom de adesões é o reflexo direto dos efeitos remanescentes da abertura total da alta tensão (Grupo A) iniciada em janeiro de 2024. O processo provocou uma onda migratória em massa para o mercado livre, registrando o ingresso de mais de 25 mil consumidores em 2024 e outros 22 mil ao longo de 2025.

Regionalmente, o Centro-Oeste despontou como a fronteira de maior expansão no consumo livre, registrando alta de 7,4%. Já o Norte do país consolidou o desenvolvimento varejista mais acelerado, apresentando um expressivo acréscimo de 32,1% na quantidade de novos consumidores livres em sua base.

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Mercado regulado mantém estabilidade no ambiente cativo

Mesmo perdendo faturamento para o ACL devido às ondas migratórias, o Ambiente de Contratação Regulado (ACR) das distribuidoras de energia mantém a liderança em termos de volume bruto, respondendo por 54,2% da demanda nacional. Em maio de 2026, o mercado cativo registrou um consumo total de 26.006 GWh, o que representa um avanço de 1,6% tanto na carga demandada quanto no número total de unidades consumidoras ativas.

No desenho do mercado regulado, o protagonismo de expansão mudou de região. O maior crescimento do consumo cativo foi detectado na região Sul, que registrou alta de 5,3%. Por sua vez, o avanço demográfico e habitacional garantiu ao Centro-Oeste o título de maior incremento na captação de novos consumidores regulados, com elevação de 2,1% no número total de ligações comerciais e residenciais.

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