Future Climate muda governança e nomeia novos Co-CEOs para acelerar monetização de ativos ambientais

Em processo de institucionalização, desenvolvedora de projetos de carbono atinge receita recorrente de R$ 25 milhões e reformula liderança após absorver ativos da Pachama e atrair sócios de peso

A Future Climate anunciou uma reestruturação profunda em sua governança corporativa para balizar sua nova fase de escala comercial e consolidação no mercado internacional de finanças climáticas. O fundador da companhia, Fábio Galindo, deixa o cargo de CEO para dar lugar a um modelo de liderança compartilhada: os co-fundadores João Pedro Fernandes e Laura Albuquerque assumem conjuntamente o comando como Co-CEOs.

A mudança marca a transição da empresa de uma operação de perfil empreendedor para uma plataforma institucionalizada de infraestrutura ambiental, operando na originação, estruturação e monetização de soluções baseadas na natureza (NbS) e créditos de carbono de alta integridade. Atualmente, a companhia conta com mais de 100 milhões de créditos sob gestão e mais de 30 projetos estruturados no Brasil.

Eficiência ‘Asset Light’ e Consistência Financeira no Mercado de Carbono

O movimento de transição executiva ocorre sob uma base financeira consolidada. A companhia atingiu o breakeven operacional em outubro de 2024, no seu terceiro ano de atividade, e mantém a curva de resultados positivos. Com receita líquida anual superior a R$ 25 milhões registrada desde o ciclo passado, a empresa projeta 2026 como seu terceiro ano consecutivo de rentabilidade operacional.

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O desempenho financeiro é sustentado por uma estratégia fundamentada em disciplina de capital e no modelo asset light. Essa arquitetura de negócios permite o crescimento da receita sem a expansão proporcional da estrutura de custos fixos, gerando ganhos contínuos de margem e eficiência operacional.

A composição técnica da nova dupla de CEOs reflete a exigência de sofisticação do mercado global de capitais verdes. João Pedro Fernandes aporta bagagem em finanças corporativas, estratégia e desenvolvimento de negócios, acumulada em passagens por firmas como Pátria Investimentos, Falconi e BRF. Por sua vez, Laura Albuquerque agrega expertise em sustentabilidade corporativa, mercados regulados de carbono e articulação setorial, com histórico de atuação na Vale, no Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e no Pacto Global da ONU – Rede Brasil.

Ao avaliar o encerramento do primeiro ciclo corporativo da desenvolvedora, Fábio Galindo enfatiza a maturidade da operação: “João Pedro e Laura participaram diretamente da construção da Future Climate desde sua fundação e representam a combinação de liderança, capacidade de execução e visão estratégica necessária para conduzir a companhia em sua próxima etapa de crescimento. Encerramos um primeiro ciclo com uma empresa rentável, com governança sólida e um portfólio relevante de ativos ambientais estratégicos. A próxima etapa será dedicada à aceleração da implementação dos projetos, à monetização dos ativos já estruturados e à ampliação de nossa presença internacional.”

M&A da Pachama e Ativos de Energia Renovável no Radar do SBCE

A reorganização da liderança acompanha o reposicionamento operacional da companhia após movimentos de consolidação de mercado. Recentemente, a Future Climate absorveu o portfólio de projetos da startup norte-americana Pachama no Brasil. Os ativos foram integrados à Originals, braço da companhia dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de projetos de restauração ecológica, remoção de carbono e ativos ambientais de longo prazo. Para capitanear essa divisão, a empresa recrutou Thiago Othero, executivo com mais de duas décadas de trajetória no mercado de carbono.

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Além do foco em restauração florestal, a Future Climate opera um dos portfólios mais robustos do país em créditos de carbono originados a partir da geração de energia renovável. Esse segmento ganhou tração adicional com o avanço dos critérios globais de integridade (Core Carbon Principles), que elevaram o prêmio por ativos climáticos que comprovem adicionalidade e alta qualidade técnica.

Esse portfólio de soluções atende à demanda de descarbonização de corporações globais e nativas digitais de grande porte, como Mercado Livre, Shopify, Mercedes-Benz, Netflix e Nubank. O apetite dessas marcas por ativos ambientais de alta qualidade é impulsionado pelo avanço das metas de pegada líquida zero (Net-Zero) e, no cenário doméstico, pela estruturação regulatória do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que redefine a alocação de risco e capital no setor produtivo brasileiro.

A evolução do negócio também se refletiu na atração de capital institucional e de investidores de perfil estratégico. No fechamento de 2025, a empresária Carol Paiffer ingressou na base acionária da empresa, somando-se ao apresentador Luciano Huck, que já compunha o quadro de sócios, chancelando a tese de consolidação de mercado da plataforma na América Latina.

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