Projetos em Foz do Areia e Segredo marcam o maior ciclo de expansão da companhia após corporativização; ativos foram viabilizados via Leilão de Reserva de Capacidade e operam até 2030
A Copel deu início ao maior ciclo de expansão em geração de energia de sua história recente. A companhia paranaense começou a execução física das obras de ampliação das usinas hidrelétricas Governador Bento Munhoz da Rocha Neto (Foz do Areia) e Governador Ney Aminthas de Barros Braga (Segredo), ambas localizadas na bacia do Rio Iguaçu. O empreendimento demandará um investimento estimado em R$ 5 bilhões e adicionará 2,1 gigawatts (GW) de potência ao portfólio da empresa, elevando sua capacidade instalada total para 8,3 GW, um incremento de 33% na matriz da companhia.
O avanço dos projetos de infraestrutura reflete a nova dinâmica de alocação de capital da empresa no ambiente competitivo privado. Os aportes foram estruturados após a Copel sagrar-se vencedora no Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP), certame promovido pelo governo federal para contratar atributos de confiabilidade, garantindo potência disponível para suprir as pontas de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) e modular a volatilidade das fontes renováveis intermitentes.
Novo posicionamento estratégico e governança pós-privatização
A execução dos projetos consolida o reposicionamento de mercado da geradora no médio e longo prazo. Ao avaliar as metas institucionais e o papel da companhia no provimento de segurança física ao SIN, o presidente do Conselho de Administração da Copel, Marcel Martins Malczewski, destacou o direcionamento estratégico: “Com essa conquista, a Copel reforça seu papel estratégico no sistema elétrico brasileiro. Ao ampliar a capacidade de geração de suas principais hidrelétricas, contribuímos para a estabilidade da rede, aumentamos nossa relevância no setor e entregamos energia limpa para apoiar a transição energética do país.”
O cronograma de engenharia fixa o ano de 2030 como prazo limite para a entrada em operação comercial das novas unidades geradoras. A energia incremental do complexo do Rio Iguaçu terá capacidade técnica para abastecer um mercado equivalente a 6 milhões de pessoas. No auge das atividades de construção civil e montagem eletromecânica, estima-se a criação de aproximadamente 2 mil empregos diretos, movimentando a cadeia de fornecedores de bens de capital e serviços na região.
A mudança no modelo societário da empresa funcionou como o principal catalisador para o destravamento dos desembolsos bilionários. Ao analisar a flexibilidade financeira atual e a extensão dos contratos de concessão, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, detalhou os reflexos do novo modelo jurídico da companhia:“O início dessas obras representa um marco na história da Copel e só foi possível graças à transformação da companhia em corporação. A renovação das concessões por mais 30 anos deu à empresa as condições necessárias para competir e vencer um leilão estratégico para o país. Com isso, vamos ampliar em 33% nossa capacidade de geração, reforçar a segurança energética do Brasil e valorizar toda a competência da engenharia paranaense.”
Sinergia socioambiental e soluções de engenharia pesada
A engenharia aplicada aos projetos buscou otimizar os ativos já outorgados sem a necessidade de novos alagamentos, uma vez que as intervenções aproveitam os barramentos e os reservatórios existentes. Diante da necessidade de acoplamento de fontes de base firme à matriz, o diretor-presidente da Copel GeT, Rogério Jorge, detalhou os ganhos técnicos e ecológicos do arranjo: “Do ponto de vista ambiental, esse é um projeto extremamente positivo. Estamos ampliando a oferta de energia renovável, limpa e confiável, contribuindo para a segurança energética do país e para o equilíbrio do sistema elétrico em um momento de crescimento das fontes intermitentes, como a solar e a eólica. É uma solução que alia sustentabilidade, eficiência e aproveitamento inteligente dos recursos já disponíveis.”
Na Usina de Segredo, a ampliação exigirá engenharia de alta complexidade para a construção de uma segunda casa de força adjacente à estrutura atual. O corpo técnico irá reaproveitar os túneis originais escavados na rocha durante a década de 1990 para realizar o desvio e a adução da água até as duas novas unidades geradoras. O volume total de concreto demandado equivale ao de dois estádios do Maracanã, e o volume de aço estrutural consumido se equipara ao peso da Torre Eiffel.
Por sua vez, a Usina de Foz do Areia, o maior ativo de geração própria da Copel, terá sua capacidade elevada em 50%. A expansão será facilitada pelo planejamento de longo prazo adotado no projeto original da hidrelétrica, que já contemplava as esperas estruturais e a tomada d’água para abrigar novas turbinas. A instalação dos dois novos grupos geradores nas frentes pré-existentes reduz substancialmente os custos regulatórios, o tempo de execução e os riscos de execução das obras.



