Briskcom lança solução híbrida via satélite LEO e 4G para aumentar a resiliência da automação das redes de distribuição

Tecnologia combina conectividade da constelação Iridium com redes 4G LTE para manter religadores conectados mesmo durante falhas nas telecomunicações terrestres e eventos climáticos extremos

A digitalização das redes de distribuição de energia elétrica avança para um novo estágio com o lançamento de uma solução híbrida de comunicação voltada à automação de religadores. A Briskcom apresentou um equipamento de telemetria que combina conectividade por satélites de órbita baixa (LEO) da constelação Iridium com redes públicas ou privativas 4G LTE, permitindo que distribuidoras mantenham comunicação remota com equipamentos de campo mesmo em situações de indisponibilidade das redes terrestres.

A tecnologia foi desenvolvida para atender um dos principais desafios operacionais das concessionárias: assegurar comunicação contínua entre os Centros de Operação da Distribuição (CODs) e os religadores instalados em trechos da rede de média tensão, especialmente em regiões com cobertura celular limitada ou sujeitas a eventos climáticos severos.

Segundo a empresa, a solução busca aumentar a resiliência da infraestrutura de telecomunicações que sustenta a automação da distribuição, reduzindo o tempo de recomposição do sistema após falhas e contribuindo para o desempenho operacional das distribuidoras.

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Comunicação contínua para reduzir impactos nas interrupções

A indisponibilidade de comunicação com religadores pode dificultar a localização de defeitos e retardar as manobras remotas necessárias para isolar trechos da rede elétrica durante contingências.

Esse cenário afeta diretamente indicadores regulatórios acompanhados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), como a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), além de ampliar o tempo necessário para restabelecimento do fornecimento.

Com arquitetura híbrida, o equipamento realiza automaticamente a alternância entre a rede 4G LTE e a comunicação via satélite LEO sempre que houver perda de conectividade terrestre, mantendo o tráfego de dados e o envio de comandos operacionais.

Solução mantém comunicação durante apagões

Outro diferencial do equipamento é a autonomia energética incorporada ao módulo de telemetria.

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A Briskcom informa que o sistema possui bateria interna capaz de manter a comunicação ativa por até 48 horas após a interrupção da alimentação elétrica, característica voltada a situações de apagões ou falhas simultâneas na infraestrutura de telecomunicações.

Além disso, o fabricante afirma que o equipamento foi projetado para integração simplificada com religadores já instalados em campo. A expectativa é reduzir significativamente o tempo de instalação e parametrização em comparação com soluções convencionais baseadas em satélites geoestacionários, diminuindo o período de indisponibilidade dos ativos e a exposição das equipes durante os trabalhos em campo.

Ao destacar a proposta da tecnologia, o CEO e fundador da Briskcom, Cláudio Calonge, afirma que a disponibilidade da comunicação passou a ser um componente estratégico para a operação das distribuidoras: “A continuidade operacional da rede depende cada vez mais da disponibilidade da comunicação. Nossa proposta foi desenvolver uma solução preparada para operar mesmo em cenários extremos, garantindo que a distribuidora mantenha visibilidade e controle sobre seus ativos independentemente das condições da infraestrutura terrestre.”

Satélites de órbita baixa ampliam desempenho da automação

A escolha da constelação Iridium também está associada aos ganhos de desempenho proporcionados pelos satélites de órbita baixa (LEO). Posicionados a aproximadamente 780 quilômetros da superfície terrestre, esses satélites apresentam latência significativamente inferior à dos sistemas geoestacionários, permitindo respostas mais rápidas para aplicações críticas da automação da distribuição.

Segundo a empresa, essa característica favorece a execução de protocolos utilizados em redes inteligentes (Smart Grids), incluindo esquemas de recomposição automática (Self-Healing), que exigem troca de informações em tempo reduzido para restabelecimento do fornecimento de energia.

O equipamento também foi desenvolvido com proteção contra intempéries e consumo energético reduzido, possibilitando operação contínua sob condições climáticas adversas.

Comunicação torna-se ativo estratégico das distribuidoras

A crescente digitalização das redes elétricas tem ampliado a importância da infraestrutura de telecomunicações para o desempenho operacional das distribuidoras. Com o avanço da automação, da supervisão remota e da utilização de inteligência operacional, a disponibilidade dos enlaces de comunicação passa a influenciar diretamente a confiabilidade do sistema, a eficiência das equipes de manutenção e o cumprimento dos indicadores regulatórios.

Na avaliação de Cláudio Calonge, a conectividade deixou de exercer apenas uma função de suporte e passou a integrar a estratégia de modernização das redes elétricas: “As distribuidoras estão investindo cada vez mais em automação, inteligência operacional e monitoramento remoto. Nesse cenário, garantir que os equipamentos permaneçam conectados mesmo diante de eventos críticos passa a ser um fator decisivo para aumentar a eficiência da operação, reduzir o tempo de resposta e fortalecer a resiliência da rede elétrica.”

O lançamento acompanha o movimento de modernização das distribuidoras brasileiras, que vêm ampliando investimentos em tecnologias voltadas à digitalização da operação, aumento da confiabilidade do sistema e redução dos impactos provocados por eventos climáticos extremos sobre a continuidade do fornecimento de energia.

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