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CNPE convoca reunião extraordinária para votar regras dos leilões do gás da União

CNPE convoca reunião extraordinária para votar regras dos leilões do gás da União

Conselho deliberará sobre as diretrizes para comercialização do gás natural da União pela PPSA após alinhamento sobre o acesso às infraestruturas essenciais do setor

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) realizará, nesta quinta-feira (30), uma reunião extraordinária para deliberar sobre as diretrizes que nortearão os leilões do gás natural pertencente à União, comercializado pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA). A medida é considerada estratégica para ampliar a oferta do gás do Pré-Sal ao mercado brasileiro e impulsionar a política de abertura e competitividade do setor de gás natural.

A pauta do encontro terá um único item: a votação da resolução que estabelece os critérios para a comercialização dos volumes de gás natural da União. A convocação extraordinária ocorre após avanços nas negociações envolvendo a PPSA, a Petrobras e integrantes do governo federal sobre aspectos regulatórios relacionados ao acesso às infraestruturas essenciais do setor.

O tema é acompanhado de perto pela indústria do gás natural, que vê nos leilões da PPSA uma oportunidade para aumentar a liquidez do mercado, estimular investimentos produtivos e ampliar a disponibilidade do insumo para consumidores industriais.

Impasse regulatório adiou votação no CNPE

A resolução chegou a integrar a pauta da última reunião ordinária do CNPE, mas foi retirada antes da deliberação devido às divergências envolvendo a remuneração pelo uso das infraestruturas de escoamento, processamento e transporte do gás natural.

As discussões concentraram-se, principalmente, nas tarifas cobradas pela Petrobras pelo compartilhamento de seus ativos, considerados essenciais para viabilizar a entrega do gás produzido no Pré-Sal ao mercado consumidor. Outro ponto de debate foi a redação da minuta relacionada às competências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A proposta inicial atribuía à agência reguladora a prerrogativa de regular e arbitrar as condições de acesso às infraestruturas utilizadas no escoamento e processamento do gás.

Após as negociações entre os agentes envolvidos, o trecho que fazia referência expressa às atribuições da ANP foi retirado do texto que será apreciado pelo conselho, permitindo a construção do consenso necessário para a retomada da votação.

Gás da União deverá priorizar setores industriais estratégicos

Além de definir as diretrizes dos leilões, a resolução mantém dispositivos voltados à destinação estratégica do gás natural pertencente à União.

O texto prevê uma ordem de priorização para o atendimento de setores considerados relevantes para a política industrial e energética do país. Entre os segmentos contemplados estão as indústrias de fertilizantes e química, grandes consumidoras de gás natural e fundamentais para cadeias produtivas associadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento industrial brasileiro.

A proposta também incorpora critérios voltados à interiorização do fornecimento do insumo, buscando ampliar sua disponibilidade em regiões que ainda apresentam limitações de infraestrutura logística e menor acesso ao mercado.

PPSA ganha protagonismo na estratégia do mercado de gás

A PPSA é responsável pela gestão e comercialização da parcela de petróleo e gás natural pertencente à União nos contratos de partilha de produção do Pré-Sal. Nos últimos anos, a estatal vem assumindo um papel cada vez mais relevante na estratégia governamental para ampliar a oferta e a liquidez do mercado brasileiro de gás natural.

A realização dos leilões é considerada uma etapa importante para transformar os volumes de gás da União em instrumento de política energética e industrial. O desenho regulatório em discussão no CNPE busca equilibrar interesses comerciais, segurança jurídica e eficiência econômica na utilização das infraestruturas existentes.

A ampliação da oferta do gás do Pré-Sal é apontada pelo mercado como um dos principais instrumentos para aumentar a competitividade da indústria nacional, estimular novos investimentos e acelerar o desenvolvimento do Novo Mercado de Gás no país.

A decisão do CNPE deverá indicar como o governo pretende utilizar os volumes de gás natural sob sua titularidade para impulsionar a expansão do mercado brasileiro nos próximos anos.