EPE projeta crescimento de 6,3 bilhões de litros no consumo de combustíveis até 2027 e prevê novo recorde para o mercado de QAV

Relatório de curto prazo aponta expansão sustentada da demanda por diesel, gasolina, etanol, GLP e querosene de aviação, mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio

A demanda brasileira por combustíveis líquidos e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) deverá manter trajetória de crescimento nos próximos dois anos, impulsionada pelo fortalecimento da atividade econômica, pelo aquecimento do mercado de trabalho e por políticas públicas voltadas ao consumo e à proteção dos preços internos. A avaliação consta na edição de junho de 2026 do relatório Perspectivas para o Mercado Brasileiro de Combustíveis no Curto Prazo, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

De acordo com as estimativas do órgão de planejamento energético, o consumo nacional de combustíveis deverá crescer 3,6 bilhões de litros em 2026 e mais 2,7 bilhões de litros em 2027, acumulando expansão de 6,3 bilhões de litros no período. O estudo indica que, mesmo em um cenário internacional marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela volatilidade do mercado de petróleo, os mecanismos adotados pelo governo federal tendem a preservar o comportamento da demanda doméstica.

Ao detalhar os fatores que sustentam essa perspectiva, a EPE destaca no relatório: “O crescimento da economia e do mercado de trabalho, políticas de transferência de renda e programas governamentais, com destaque para o Novo PAC e o Gás do Povo, deverão contribuir para o aumento contínuo do consumo de combustíveis nesse período. Esse ambiente é impulsionado por um cenário econômico favorável: o PIB per capita cresce desde 2024. Paralelamente, o País registra níveis recordes de ocupação formal e massa de rendimento real, com redução histórica da taxa de desocupação, diminuição das desigualdades e aumento real do salário-mínimo. Apesar dos efeitos da guerra no Irã na escalada dos preços internacionais, a demanda doméstica não deve ser impactada no curto prazo. Isto se dá, especialmente, em função do conjunto de medidas implantadas pelo Governo Federal de forma a suavizar os impactos econômicos da alta dos preços de petróleo, para óleo diesel, gasolina A, QAV e GLP, e que ratificam a continuidade do crescimento da demanda. Entre tais medidas de estabilização econômica, destacam-se os mecanismos de subvenção ao produtor e ao importador, bem como a redução/isenção dos tributos federais incidentes na cadeia de comercialização dos combustíveis.”

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Óleo diesel segue como principal combustível do mercado brasileiro

Entre todos os derivados analisados, o óleo diesel continuará ocupando posição central na matriz de transportes nacional. A EPE projeta que o consumo do combustível alcance aproximadamente 73 bilhões de litros ao final de 2026.

O desempenho reflete a manutenção do elevado ritmo de atividade do agronegócio brasileiro, associado ao crescimento da movimentação logística e ao avanço da produção industrial. Como grande parte do transporte de cargas no país permanece dependente do modal rodoviário, o diesel segue diretamente vinculado ao comportamento da economia real.

As perspectivas positivas para a safra agrícola e para o escoamento da produção reforçam a expectativa de continuidade da trajetória de crescimento do combustível nos próximos anos.

Mercado do ciclo Otto avança com apoio do etanol

O relatório também aponta expansão consistente para os combustíveis destinados aos veículos leves. Somados, gasolina C e etanol hidratado deverão registrar consumo de 64,7 bilhões de litros em 2026, mantendo o crescimento observado nos últimos anos. Nesse contexto, a maior disponibilidade de biocombustíveis desempenha papel estratégico para garantir o abastecimento e ampliar a participação das fontes renováveis na matriz energética nacional.

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A expectativa de uma safra mais robusta de cana-de-açúcar e o avanço da produção de etanol de milho, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, fortalecem a oferta doméstica e contribuem para reduzir riscos de desabastecimento diante das oscilações do mercado internacional.

Além do aspecto econômico, a expansão do etanol reforça os objetivos de descarbonização do setor de transportes e consolida o Brasil como um dos principais mercados globais de biocombustíveis.

Querosene de aviação deve superar maior marca da série histórica

Entre os segmentos avaliados pela EPE, o mercado de querosene de aviação (QAV) apresenta uma das perspectivas mais expressivas de crescimento. Após a recuperação gradual da atividade aérea nos últimos anos, o consumo deverá ultrapassar, pela primeira vez, o recorde histórico registrado em 2014 e superar a marca de 7,5 bilhões de litros em 2026.

O avanço é sustentado pela expansão das operações das companhias aéreas, pelo fortalecimento do turismo doméstico e corporativo e pelo aumento das frequências e rotas nos principais aeroportos brasileiros. Caso a projeção se confirme, o QAV consolidará um novo ciclo de crescimento estrutural do transporte aéreo nacional.

GLP deve ser beneficiado por renda maior e incentivos fiscais

O mercado de Gás Liquefeito de Petróleo também deverá apresentar evolução positiva no horizonte analisado pela EPE. Segundo o estudo, o aumento da renda das famílias, impulsionado pelo fortalecimento do mercado de trabalho e pelas mudanças recentes na tributação do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), tende a estimular o consumo residencial do combustível.

A ampliação da faixa de isenção para contribuintes com renda de até R$ 5 mil mensais e a reformulação das alíquotas para faixas intermediárias aumentam o poder de compra das famílias, favorecendo o mercado de GLP. Paralelamente, a continuidade do programa Gás do Povo reforça o acesso subsidiado ao energético e amplia o potencial de crescimento da demanda nos próximos anos.

Cenário reforça resiliência do mercado brasileiro de combustíveis

As projeções apresentadas pela Empresa de Pesquisa Energética indicam que o mercado nacional permanece sustentado por fundamentos domésticos capazes de mitigar parte dos efeitos das turbulências internacionais sobre o setor de combustíveis.

Mesmo diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e pelas oscilações do mercado global de petróleo, o conjunto de políticas públicas voltadas à estabilização de preços e ao fortalecimento da renda interna cria condições para a manutenção do crescimento da demanda por diesel, gasolina, etanol, querosene de aviação e GLP.

Para agentes do setor energético, o cenário reforça a importância do mercado brasileiro como vetor de expansão do consumo de combustíveis, ao mesmo tempo em que evidencia o papel crescente dos biocombustíveis e das políticas de proteção econômica na segurança do abastecimento nacional.

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