Levantamento mostra que 37% das indústrias ainda atendidas pelas distribuidoras pretendem migrar para o ACL e reforça pressão por tarifas mais eficientes e revisão dos subsídios do setor elétrico.
A abertura do mercado livre de energia para consumidores de alta tensão continua acelerando a migração da indústria brasileira para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 41% das indústrias migraram para o mercado livre nos últimos dois anos, movimento impulsionado pela busca por redução de custos com energia elétrica e maior previsibilidade orçamentária.
O levantamento, que ouviu cerca de 1.400 empresas de diferentes portes, também indica que o potencial de crescimento do ACL permanece elevado. Entre as indústrias que continuam no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), 37% afirmam ter interesse em migrar para o mercado livre nos próximos anos.
Os dados reforçam o papel do custo da energia elétrica como um dos principais fatores de competitividade da indústria nacional, especialmente após a abertura do mercado para todos os consumidores conectados em alta tensão, em vigor desde janeiro de 2024.
Energia elétrica é insumo estratégico para a indústria
A pesquisa mostra que a energia elétrica é considerada um insumo estratégico para a operação industrial. Entre as grandes empresas, 76% apontam o consumo de energia como um dos principais componentes da estrutura de custos da produção. Nesse cenário, a migração para o mercado livre tem sido utilizada como instrumento para reduzir despesas operacionais e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Ao analisar o comportamento das empresas diante do atual cenário tarifário, o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira, afirma: “o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”.
CNI defende reforma tarifária e revisão dos subsídios
Apesar do crescimento do mercado livre, a CNI avalia que a modernização do setor elétrico brasileiro ainda exige avanços regulatórios relacionados aos sinais econômicos das tarifas de energia. Entre as propostas defendidas pela entidade está a adoção de tarifas dinâmicas, capazes de refletir as condições do sistema elétrico em diferentes horários e níveis de demanda.
Ao abordar a necessidade de aperfeiçoar a sinalização econômica do setor, Roberto Wagner Pereira destaca: “melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores”.
A entidade também voltou a defender uma revisão dos subsídios setoriais que impactam as tarifas pagas pelos consumidores brasileiros: “Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”.
Mercado livre mantém potencial de expansão
Os resultados da pesquisa indicam que o mercado livre de energia ainda possui uma importante fronteira de crescimento no segmento industrial. O interesse manifestado pelas empresas que permanecem no mercado regulado evidencia que a redução dos custos energéticos continuará sendo um dos principais vetores de expansão do ACL.
O avanço da liberalização do mercado para consumidores de menor porte, somado às discussões sobre modernização tarifária e revisão dos encargos setoriais, deverá influenciar diretamente o ritmo de crescimento do mercado livre nos próximos anos.
Para o setor elétrico, o levantamento da CNI reforça que a competitividade da indústria brasileira está cada vez mais associada à evolução do modelo de contratação de energia e à construção de um ambiente regulatório capaz de oferecer preços mais eficientes e maior previsibilidade aos consumidores.



