Com expectativa de ampliação das misturas de etanol (E32) e biodiesel (B16), avanços tecnológicos e regulação do RenovaBio ganham protagonismo na Fenasucro & Agrocana e FenaBio 2026
O Brasil consolida sua posição na vanguarda da transição energética global ao converter metas de descarbonização em uma sólida estratégia de política industrial e segurança de suprimento. Amparado por diretrizes robustas, com destaque para a Lei do Combustível do Futuro, o setor bioenergético nacional dispõe atualmente da previsibilidade jurídica necessária para atrair cerca de R$ 260 bilhões em investimentos privados até 2037. Esse fluxo de capital sinaliza a maturidade de uma indústria focada na modernização de biorrefinarias, no adensamento tecnológico e na redução estrutural da dependência de derivados de petróleo importados.
Os desdobramentos técnicos, regulatórios e comerciais dessa nova dinâmica de mercado serão o núcleo dos debates da 32ª Fenasucro & Agrocana e da conferência FenaBio. Os eventos ocorrerão entre os dias 11 e 14 de agosto de 2026, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP), reunindo os principais players, fabricantes e especialistas do ecossistema de energia limpa global.
Evolução histórica e o redesenho da matriz de transportes
A atual configuração do mercado de biocombustíveis reflete um processo de amadurecimento que remonta às respostas institucionais dadas pelo país às crises geopolíticas do século passado. A expansão da base de oferta, inicialmente concentrada na cultura canavieira e posteriormente integrada ao biodiesel e ao etanol de milho, confere ao parque de refino nacional uma flexibilidade operacional única para gerenciar o abastecimento interno e mitigar a volatilidade dos preços internacionais do petróleo.
O diretor da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, traça uma linha de continuidade entre o legado regulatório do setor e as metas contemporâneas de mistura compulsória: “Se formos voltar um pouco na história, o Proálcool foi criado justamente como resposta à crise do petróleo de 1973, num plano nacional de independência oficializado em 1975. Hoje, entendemos que essas grandes ofertas de biocombustíveis, que começaram com a cana, passaram pelo biodiesel e agora recebem o complemento do milho, vão, num curto espaço de tempo, fazer com que a gente ‘limpe’ os combustíveis fósseis por meio da mistura. Eles vão agredir menos o meio ambiente, prolongando a vida deles”.
Impacto na balança comercial: as projeções para o E32 e B16
O principal catalisador de curto prazo para a indústria de bioenergia reside na iminente elevação dos porcentuais de mistura compulsória. A expectativa do mercado está voltada para a homologação do aumento do etanol anidro na gasolina para 32% (E32) e do biodiesel no diesel de base fóssil para 16% (B16). A efetivação desses novos patamares de adição deve alterar de forma expressiva o balanço de oferta e demanda de combustíveis no país.
Sob a perspectiva do governo federal, o adensamento da participação dos renováveis na matriz de transportes cumpre uma função estratégica essencial para a macroeconomia e para a segurança energética nacional.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, quantifica o impacto econômico e logístico dessa transição sobre o volume de importações de derivados:“Esse avanço tem o potencial de reduzir em aproximadamente 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de combustíveis fósseis.”
CBIOs e a sustentabilidade financeira da transição
Para além das metas de mistura, a sustentabilidade econômica dos novos projetos de expansão e automação das usinas encontra suporte no mercado regulado de carbono do RenovaBio. Por meio dos Créditos de Descarbonização (CBIOs), o ganho de eficiência energético-ambiental das unidades produtoras é convertido em ativos financeiros negociados em bolsa, gerando uma linha de receita acessória que retroalimenta os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Para o ano de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fixou uma meta de aquisição compulsória de 48,09 milhões de CBIOs por parte das distribuidoras de combustíveis.
Ao analisar o papel indutor dessa política pública, Paulo Montabone detalha como o mecanismo de créditos atua diretamente na capitalização das usinas e no fomento à inovação tecnológica: “Na prática, eles funcionam como um ativo financeiro atrelado ao desempenho ambiental, transformando eficiência e sustentabilidade em receita adicional, instrumento indispensável para alavancar inovações tecnológicas no setor. É fato que os CBIOs se consolidaram como uma das principais engrenagens de financiamento da transição energética brasileira, acelerando investimentos em eficiência, automação e expansão da capacidade produtiva das biorrefinarias.”
Fenasucro & Agrocana 2026: hub global de bioenergia
Diante deste cenário macroeconômico altamente aquecido, a 32ª Fenasucro & Agrocana se posiciona como a principal plataforma de negócios e conexões técnicas para a cadeia de suprimentos do setor. Em 2026, a feira, promovida pela RX Brasil com apoio exclusivo do CEISE Br, projeta receber visitantes de mais de 80 países e contará com a participação de mais de 600 marcas expositoras.
Em paralelo à feira de negócios, a agenda técnica internacional será reforçada pela realização do 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC, promovido pela Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (STAB), consolidando o evento como o epicentro do debate sobre eficiência industrial, biotecnologia e regulação energética na América Latina. O credenciamento gratuito para visitantes já está disponível nos canais oficiais da feira.



