Equatorial entrega Ebitda acima do esperado no 1T26, mas pressão financeira reduz lucro em 23,6%

Resultado operacional robusto nas distribuidoras e avanço no mercado livre sustentam crescimento da companhia, enquanto curtailment pressiona desempenho da Echoenergia

A Equatorial Energia iniciou 2026 com resultados operacionais acima das expectativas do mercado, reforçando a capacidade de execução de sua estratégia multilinear mesmo em um ambiente de juros elevados e pressão financeira sobre o setor elétrico. No primeiro trimestre do ano, a companhia registrou Ebitda Ajustado de R$ 2,9 bilhões, crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025 e acima do consenso de analistas, que projetava cerca de R$ 2,7 bilhões.

Apesar do avanço operacional, o lucro líquido ajustado caiu 23,6%, encerrando o trimestre em R$ 359 milhões. O resultado foi impactado principalmente pelo aumento das despesas financeiras e por efeitos não recorrentes ligados ao ambiente macroeconômico.

A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 12,7 bilhões, avanço de 12% na comparação anual. O desempenho foi sustentado pelo crescimento do mercado de distribuição, expansão da atuação no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e pela consolidação dos ativos incorporados nos últimos ciclos de expansão do grupo.

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Distribuição sustenta crescimento operacional

O principal vetor de geração de caixa da Equatorial continuou sendo o segmento de distribuição. O mercado fio-B das concessionárias cresceu 3,8% no trimestre, atingindo 14.273 GWh e adicionando R$ 198 milhões à margem operacional da divisão.

Os dados operacionais mostram continuidade do movimento estrutural de migração para o mercado livre. Enquanto o consumo dos clientes cativos apresentou retração de 1,71%, totalizando 9.825 GWh, o mercado de consumidores livres avançou 9,6%, alcançando 3.535 GWh.

A energia injetada bruta consolidada subiu 4,2%, encerrando o trimestre em 18.937 GWh, reflexo do crescimento da base de clientes, da recuperação gradual da atividade econômica e do avanço da eletrificação em algumas áreas de concessão.

Além do crescimento do mercado, a companhia também apresentou evolução em indicadores de eficiência operacional. A redução das perdas de energia permaneceu como um dos principais destaques da gestão das distribuidoras.

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Durante teleconferência com investidores, a administração da companhia enfatizou os resultados obtidos no combate às perdas não técnicas: “Destacamos a manutenção na redução no nível de perdas de energia, que caiu 0,2% em um ano, mesmo com o crescimento na base de consumidores.”

As perdas totais consolidadas encerraram o período em 18%, patamar 0,9 ponto percentual inferior ao limite regulatório definido pela Aneel, reforçando ganhos de eficiência operacional e captura de receita nas concessões.

Curtailment amplia pressão sobre geração renovável

Se o braço de distribuição sustentou o desempenho consolidado, o segmento de geração renovável apresentou deterioração operacional relevante no trimestre. A Echoenergia, subsidiária renovável da Equatorial, sofreu forte impacto das restrições de escoamento de energia no Nordeste.

O curtailment, limitação compulsória de geração devido a restrições na rede de transmissão, atingiu 181,4 GWh no primeiro trimestre, crescimento de 11,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume representou cerca de 14% de toda a geração da empresa no trimestre.

O impacto financeiro também ganhou relevância diante do aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD). Embora a energia restringida tenha avançado 6%, o efeito econômico disparou 57%, gerando prejuízo direto de R$ 33 milhões. O resultado líquido da Echoenergia fechou negativo em R$ 113,6 milhões, aprofundando as perdas registradas no primeiro trimestre de 2025.

Ao detalhar os fatores que pressionaram o desempenho da subsidiária, a companhia destacou: “O aumento nos cortes se explica pela maior restrição em parques solares, e o impacto financeiro reflete o patamar mais elevado do preço de liquidação de diferenças (PLD) no período.”

O cenário reforça um dos principais desafios atuais da expansão renovável no Brasil: a defasagem entre crescimento acelerado da geração e a capacidade de transmissão disponível para escoamento da energia.

Estratégia multilinear reforça diversificação

A estratégia de diversificação da Equatorial voltou a aparecer como elemento importante para amortecer oscilações setoriais. A holding investiu R$ 2,6 bilhões no trimestre, mantendo o foco na modernização das distribuidoras, ampliação de ativos de saneamento e fortalecimento da plataforma renovável. Um dos destaques positivos foi a contribuição da Sabesp via equivalência patrimonial, que adicionou R$ 254 milhões ao resultado do período.

No campo financeiro, a companhia também mostrou evolução gradual na alavancagem. A relação Dívida Líquida/Ebitda encerrou março em 2,7 vezes na visão covenant, mantendo trajetória de acomodação após o ciclo mais intenso de aquisições e expansão.

Mesmo com leve recuo das ações no pregão após a divulgação do balanço, analistas avaliam que o resultado operacional reforça a consistência da tese da companhia, especialmente pelo avanço contínuo em eficiência operacional nas distribuidoras e pela resiliência do fluxo de caixa regulado.

Mercado monitora cenário de juros e transmissão

O desempenho da Equatorial ocorre em um momento sensível para o setor elétrico brasileiro. A combinação entre juros elevados, aumento das despesas financeiras e gargalos estruturais de transmissão vem pressionando empresas com forte exposição em renováveis.

Ao mesmo tempo, distribuidoras que conseguem avançar em redução de perdas, captura de mercado livre e eficiência operacional seguem apresentando resultados mais resilientes.

No caso da Equatorial, o mercado acompanha agora a capacidade da companhia de continuar expandindo margens operacionais enquanto administra os impactos do curtailment e o custo mais elevado do capital no ciclo atual.

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