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Shell, Petrobras e SENAI CIMATEC avançam em tecnologia inédita de sísmica 4D no pré-sal de Mero

Shell, Petrobras e SENAI CIMATEC avançam em tecnologia inédita de sísmica 4D no pré-sal de Mero

Sistema submarino de monitoramento sísmico em águas ultraprofundas conclui primeira fase de qualificação no campo de Mero e pode redefinir a gestão de reservatórios offshore no Brasil

O campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, tornou-se palco de um dos projetos tecnológicos mais avançados já desenvolvidos para monitoramento sísmico offshore no Brasil. A conclusão da primeira fase de qualificação do sistema de nós sísmicos submarinos sob demanda (OD OBN, na sigla em inglês) marca um novo capítulo na estratégia de digitalização e aumento de eficiência operacional da produção em águas ultraprofundas.

Desenvolvida em parceria entre a Shell Brasil, Petrobras, SENAI CIMATEC e a Sonardyne, a tecnologia permitirá ampliar a capacidade de aquisição de sísmica 4D, metodologia utilizada para acompanhar, ao longo do tempo, a movimentação de fluidos dentro dos reservatórios de petróleo.

A operação envolveu a implantação de 84 unidades submarinas a cerca de dois mil metros de profundidade no leito marinho de Mero, ativo operado pelo consórcio liderado pela Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos. O projeto utiliza recursos oriundos da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Tecnologia busca elevar eficiência operacional no pré-sal

O OD OBN foi concebido para fornecer dados sísmicos contínuos e de alta precisão, permitindo que operadoras acompanhem com maior frequência o comportamento do reservatório durante a produção. Na prática, a tecnologia pode melhorar decisões relacionadas à extração de petróleo e à reinjeção de água e gás, aumentando o fator de recuperação e reduzindo riscos operacionais.

O diferencial do sistema está na permanência prolongada dos sensores no fundo do mar. Os equipamentos poderão operar por até cinco anos em profundidades de até três mil metros, sendo ativados remotamente conforme a necessidade operacional. A transmissão dos dados ocorre por comunicação óptica a laser, utilizando veículos submarinos.

A primeira fase concluída validou a logística de instalação dos equipamentos e também testou a transmissão óptica de dados em ambiente offshore ultraprofundos, etapa considerada crítica para a viabilidade comercial do projeto.

Ao comentar o avanço do programa, o líder de projetos de Inovação no SENAI CIMATEC, Valter Beal, destacou a maturidade alcançada pela tecnologia após quase uma década de desenvolvimento: “A operação de deposição das primeiras 84 unidades OD OBNs do lote piloto é um passo muito importante para o programa e para a comercialização do produto. O sucesso dessa etapa crítica nos orgulha muito e reflete a maturidade alcançada ao longo do desenvolvimento. Seguimos avançando para as próximas fases deste projeto desafiador.”

Sísmica permanente ganha relevância estratégica no offshore

O avanço ocorre em um momento em que operadoras globais intensificam investimentos em monitoramento sísmico permanente como ferramenta para maximizar produtividade em reservatórios maduros e reduzir emissões associadas à produção offshore.

Em campos do pré-sal, onde os custos operacionais e a complexidade geológica são elevados, tecnologias de sísmica 4D vêm sendo consideradas estratégicas para aumentar a eficiência energética e otimizar o aproveitamento das jazidas.

A diretora de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil, Manoela Lopes, ressaltou que o projeto representa um passo importante para transformar pesquisa aplicada em ganhos concretos para a operação offshore brasileira: “Concluir a primeira fase de implantação dos OD OBNs em Mero é um passo decisivo na maturação de uma tecnologia com forte potencial de gerar valor real ao offshore. As próximas etapas – de aquisição sísmica, coleta de dados e interpretação – seguirão nos próximos meses. Em parceria com Petrobras, SENAI CIMATEC e Sonardyne, buscamos transformar P&D nacional em decisões de reservatório mais frequentes, precisas e eficientes, fortalecendo um pré-sal mais competitivo e sustentável.”

As próximas etapas incluem a aquisição sísmica propriamente dita, a coleta dos dados registrados pelos sensores e o processamento das informações em supercomputadores. O objetivo será avaliar a capacidade do sistema de apoiar decisões operacionais em tempo quase contínuo.

Desenvolvimento nacional e cadeia tecnológica offshore

O projeto também reforça a estratégia de desenvolvimento de tecnologia nacional aplicada ao setor de óleo e gás. Parte significativa da fabricação do sistema piloto foi realizada no Brasil, envolvendo engenharia local e integração tecnológica entre empresas e centros de pesquisa.

A gerente executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (CENPES), Lílian Barreto, destacou o potencial industrial da iniciativa: “Pela primeira vez, estamos desenvolvendo, no Brasil, a tecnologia que nos permitirá o monitoramento sísmico dos campos do pré-sal. Isso mostra que o investimento em ciência e tecnologia, por meio de parcerias entre empresas e instituições de pesquisa, pode gerar desenvolvimento industrial no país.”

A executiva também associou o avanço tecnológico aos ganhos operacionais e ambientais no offshore brasileiro: “É um produto comercial de maior grau tecnológico que melhora nossa eficiência operacional offshore, reduzindo riscos operacionais e contribuindo para operações com menor intensidade de emissões.”

A Sonardyne, responsável pelas soluções de comunicação acústica e óptica submarina, também vê o projeto como um marco para a consolidação comercial da tecnologia.

O diretor de Projetos da empresa, Shaun Dunn, afirmou: “Ver o sistema OD OBN implantado com sucesso em Mero é uma forte validação da tecnologia e do trabalho colaborativo de P&D por trás dele. Estamos ansiosos para avançar para a próxima fase do projeto, que envolve a plena comercialização e a fabricação no Brasil.”

Pré-sal amplia integração entre digitalização e transição energética

Além do impacto operacional, o projeto evidencia como a indústria de óleo e gás vem incorporando tecnologias digitais para aumentar competitividade e reduzir intensidade de carbono em ativos offshore.

O uso de monitoramento sísmico avançado permite reduzir intervenções desnecessárias, otimizar campanhas de produção e ampliar a eficiência energética das plataformas. Em um cenário global de pressão por descarbonização, ganhos de produtividade passaram a ser tratados como um componente estratégico da agenda ESG das petroleiras.

Com a evolução da sísmica 4D permanente em Mero, o Brasil também fortalece sua posição como polo de inovação tecnológica em águas ultraprofundas, segmento no qual o pré-sal já é considerado referência mundial em engenharia offshore.