Estruturado sob o modelo de autoprodução, o maior contrato da história da geradora eólica viabilizará o abastecimento do complexo de R$ 200 bilhões focado na operação do TikTok.
A Omni, plataforma de infraestrutura de data centers controlada pela Patria Investments, e a geradora Casa dos Ventos fecharam um acordo histórico de fornecimento de energia de longo prazo (PPA) avaliado em US$ 2 bilhões. O montante de energia contratado será direcionado com exclusividade para abastecer o mega complexo de processamento de dados que a ByteDance, controladora do TikTok, está desenvolvendo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.
O projeto assume o posto de maior data center em desenvolvimento no mercado brasileiro, com um Capex total estimado em R$ 200 bilhões (cerca de US$ 39,87 bilhões). O movimento consolida o Nordeste como um hub estratégico para a intersecção entre a infraestrutura de Big Techs de alta densidade computacional e o suprimento de energia limpa em larga escala.
Autoprodução por equivalência e ativos dedicados no Nordeste
O desenho comercial da operação foi estruturado sob o modelo regulatório de autoprodução de energia. O arranjo confere à Omni uma participação societária nos ativos de geração da Casa dos Ventos, blindando o data center de encargos setoriais específicos e garantindo previsibilidade de custos operacionais de longo prazo. O percentual exato da fatia societária transferida não foi revelado pelas companhias.
O lastro físico do contrato virá de dois ativos de grande porte da geradora no Nordeste brasileiro:
- Complexo Eólico Ibiapaba: Empreendimento localizado entre o Ceará e o Piauí, com capacidade instalada de 630 MW.
- Parque Eólico Dom Inocêncio: Ativo situado no estado do Piauí.
O cronograma de obras civis do data center teve início em janeiro deste ano. Os testes operacionais e o comissionamento das primeiras salas de TI estão previstos para o terceiro trimestre de 2027, seguindo um plano de expansão gradual do ramp-up de carga que se estenderá até 2029.
Expansão de portfólio da Casa dos Ventos e atração de capital global
O megacontrato representa o maior volume de energia já comercializado pela Casa dos Ventos, joint venture que conta com a petroleira francesa TotalEnergies como acionista estratégica, com um único consumidor corporativo (offtaker). O fluxo de caixa decorrente do PPA dará sustentação financeira ao plano de expansão da geradora, que prevê adicionar 2,1 GW à sua capacidade instalada nacional, demandando investimentos de R$ 11 bilhões.
Por outro lado, o desenvolvimento do projeto no Pecém acendeu debates locais de governança socioambiental. Entidades ambientais manifestaram preocupações quanto à intensidade do uso de recursos hídricos e aos possíveis impactos gerados sobre comunidades indígenas do entorno do complexo portuário.
Ao rechaçar os riscos de estresse hídrico no ecossistema local, o CEO da Omni, Rodrigo Abreu, assegurou a conformidade regulatória e a eficiência no uso de recursos do projeto: “O projeto atende às exigências ambientais, está totalmente licenciado e demandará uso mínimo de água, equivalente ao consumo de até 50 residências”.
O posicionamento da companhia visa mitigar as contestações em torno da pegada hídrica de resfriamento do data center, garantindo que o empreendimento atenda aos padrões globais de ESG exigidos por investidores institucionais internacionais.



