Contratos com a DOF Subsea preveem a construção de quatro unidades de apoio em SC, com foco em propulsão híbrida e metas rígidas de conteúdo local.
A Petrobras deu um passo robusto na execução de seu planejamento plurianual voltado ao segmento de águas profundas e ultraprofundas. Em evento realizado no dia 14 de maio, a companhia formalizou a assinatura de oito contratos que totalizam R$ 11 bilhões em investimentos direcionados à construção, afretamento e prestação de serviços de quatro novas embarcações de suporte submarino. O projeto é capitaneado pela DOF Subsea Serviços LTDA e terá as unidades construídas no estaleiro Navship, localizado no município de Navegantes, em Santa Catarina.
A movimentação financeira e operacional faz parte do escopo estratégico do Programa Mar Aberto, iniciativa estruturada para gerenciar o ciclo de vida, a renovação e a expansão da frota marítima que atende às demandas do Sistema Petrobras. As unidades contratadas pertencem à classe RSV (ROV Support Vessel), ativos de alta especialização projetados para coordenar operações que envolvem veículos submarinos remotamente operados. Na prática, essas plataformas flutuantes atuam diretamente na execução de campanhas de inspeção, manutenção corretiva e reparo de infraestruturas instaladas no leito marinho, garantindo a integridade dos sistemas de produção e mitigando riscos de interrupção operacional.
Demanda por serviços submarinos e impacto socioeconômico regional
A contratação ocorre em um cenário de forte demanda por serviços subaquáticos na costa brasileira, reflexo do avanço dos projetos de desenvolvimento da produção no Pré-sal e da necessidade de sustentação dos sistemas de refino e escoamento. Além de mitigar o gargalo logístico offshore, o investimento promete gerar um reflexo socioeconômico expressivo na cadeia de fornecedores local.
Projeções técnicas indicam a abertura de cerca de 7 mil postos de trabalho ao longo do ciclo de desenvolvimento do projeto, divididos entre a fase de edificação industrial e as futuras campanhas marítimas. Do total de vagas, estimam-se 1,5 mil contratações diretas e 5,6 mil indiretas, aquecendo o polo de engenharia naval da região Sul. Do ponto de vista de suprimentos e governança, o desenho desse certame reflete uma reestruturação na forma como a petroleira dialoga com os prestadores de serviços globais e regionais.
A flexibilização e o desenho técnico das premissas contratuais permitiram maior atratividade comercial, conforme detalha o gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha, que na ocasião representou a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi: “A gestão atual da Petrobras ampliou o número de fornecedores por meio da simplificação de especificações, aumentando a competitividade e aquecendo o mercado naval, com maior volume de propostas qualificadas. Esse movimento faz parte de uma nova postura da companhia, de maior aproximação e escuta ativa do mercado fornecedor. Essa abordagem tem contribuído para projetos mais competitivos, eficientes e alinhados à realidade do setor”.
Descarbonização da frota: propulsão híbrida na agenda ESG
Um dos diferenciais técnicos das novas embarcações RSV reside no arranjo de engenharia de seus sistemas de força. Alinhadas às diretrizes globais de transição energética e redução da pegada de carbono no upstream, as unidades contarão com tecnologia de propulsão híbrida. O sistema integrará conjuntos de baterias de alta capacidade a motores elétricos e motores a combustão interna dimensionados para queimar combustíveis de menor impacto ambiental. Essa configuração permite otimizar o carregamento dos geradores (peak shaving), resultando em ganho real de eficiência energética e na redução expressiva da queima de combustível fóssil e da consequente emissão de gases de efeito estufa (GEE).
O foco em inovação e na sustentabilidade operacional foi referendado pela liderança da companhia parceira no projeto. O direcionamento estratégico focado em ativos de baixa emissão e na revitalização industrial brasileira foi destacado pelo CEO da DOF, Mario Fuzetti: “Estamos investindo em embarcações tecnológicas, com redução de emissões de carbono, construindo novos barcos no Brasil, o que beneficia a criação de empregos diretos e indiretos. Com essa parceria estamos mantendo, ao lado da Petrobras, a indústria naval cada vez mais aquecida”
Conteúdo local e conformidade com o Plano Estratégico 2026-2030
A arquitetura jurídica e comercial dos contratos estabeleceu metas audaciosas para o adensamento da cadeia produtiva nacional. Para o período de obras no estaleiro Navship, o índice estipulado de conteúdo local deve atingir o patamar de até 80%. Já para a fase de operação de longo prazo das embarcações de apoio, onde os custos recorrentes de manutenção e a tripulação brasileira ganham peso, o percentual de nacionalização está projetado em cerca de 90%. Esse direcionamento atende tanto às exigências regulatórias quanto à política corporativa de fomento à indústria nacional.
A consolidação desses contratos está plenamente integrada às premissas do Plano Estratégico 2026-2030 da Petrobras. O planejamento de longo prazo orienta a expansão da capacidade produtiva no mar por meio de aportes em ativos eficientes, menor dependência de afretamentos internacionais voláteis e o desenvolvimento de soluções tecnológicas de menor impacto ambiental.
O balanço técnico e comercial do processo licitatório foi avaliado pelo gerente executivo de Suprimentos da Petrobras, Alexandre Gomes Alves: “Considero essa licitação exitosa, em linha com as demandas do plano de negócios da companhia. Essa parceria demonstra mais uma vez a união entre Petrobras e mercado fornecedor local. A Petrobras acredita e fortalece o mercado local, mostrando que estamos no caminho certo. A construção de quatro embarcações no Brasil se traduz em geração de emprego e menor dependência do mercado internacional”



