Petrobras acelera investimentos em São Paulo com foco em refino, SAF e expansão do Pré-Sal

Com Lula na Replan, estatal anuncia R$ 37 bilhões até 2030 para ampliar capacidade industrial, fortalecer produção de combustíveis e avançar na transição energética

A Petrobras anunciou um novo ciclo de investimentos industriais e energéticos em São Paulo que deve consolidar o estado como principal eixo estratégico da companhia nos próximos anos. Em agenda realizada na Refinaria de Paulínia (Replan), nesta segunda-feira, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estatal confirmou aportes de R$ 37 bilhões até 2030 voltados à expansão do refino, produção de combustíveis sustentáveis, infraestrutura logística, exploração no Pré-Sal e geração renovável.

O plano prevê a criação de aproximadamente 38 mil empregos diretos e indiretos e amplia a aposta da companhia em integrar crescimento da produção fóssil com projetos de descarbonização e biocombustíveis avançados.

A maior parcela dos investimentos será direcionada à Replan, considerada o principal ativo de refino da Petrobras. A refinaria localizada em Paulínia absorverá R$ 6 bilhões em modernização e ampliação operacional. Responsável por mais de 30% do abastecimento nacional de combustíveis, a unidade ocupa posição estratégica na segurança energética brasileira e no equilíbrio do mercado de derivados.

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou o peso econômico das operações paulistas para a companhia e para a arrecadação pública nacional: “As refinarias de São Paulo são responsáveis por 50% da produção de derivados da Petrobras, e quatro cidades paulistas estão entre as dez maiores recebedoras de tributos da Petrobras, justamente aquelas que abrigam nossas refinarias. Tudo isso gera emprego e renda direta e indiretamente”.

Replan ampliará capacidade e reforçará produção de Diesel S-10

A estratégia industrial da Petrobras para a Replan prevê ampliação da capacidade de processamento de petróleo de 434 mil barris por dia para 459 mil barris diários até 2027. O avanço operacional ocorre em paralelo à consolidação da nova unidade de hidrotratamento (HDT) de diesel inaugurada em 2025, projeto que recebeu investimentos de R$ 2,1 bilhões.

A unidade adicionou cerca de 10% à capacidade nacional de produção de Diesel S-10, combustível de baixo teor de enxofre que se tornou central na estratégia de redução de emissões do setor de transportes e na diminuição da dependência brasileira de importações.

A ampliação da produção doméstica de derivados ocorre em um momento de crescente preocupação do governo federal com segurança de abastecimento e volatilidade internacional dos preços do petróleo.

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Petrobras amplia aposta em SAF e biocombustíveis avançados

Além da expansão do refino convencional, a Petrobras também transformará Paulínia em um dos principais polos de combustíveis sustentáveis da companhia. A estatal prepara a adaptação de uma segunda unidade de hidrotratamento para permitir o coprocessamento de óleos vegetais e gorduras animais na produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável de aviação considerado estratégico para descarbonização do transporte aéreo.

A expectativa é que a produção de SAF na Replan tenha início ainda em 2026. O movimento reforça a tentativa da Petrobras de ocupar espaço relevante no mercado global de combustíveis de baixa emissão, cuja demanda deve crescer aceleradamente nos próximos anos diante das metas internacionais de redução de carbono.

No horizonte pós-2030, a companhia também planeja implantar em São Paulo uma planta baseada na tecnologia Alcohol-to-Jet (ATJ), rota industrial que converte etanol de cana-de-açúcar em combustível sustentável de aviação.

O projeto aproveita a forte integração entre o parque de refino paulista e a cadeia sucroenergética brasileira, considerada uma das mais competitivas do mundo.

Energia solar e descarbonização entram na estratégia industrial

A agenda de transição energética anunciada pela Petrobras também inclui investimentos em geração renovável para autoconsumo industrial.

A Replan receberá uma usina solar fotovoltaica destinada ao suprimento parcial de energia limpa para as operações da refinaria. O início da geração está previsto para dezembro de 2026. O projeto integra a estratégia da companhia de reduzir emissões operacionais e ampliar eficiência energética em suas unidades industriais.

A Petrobras vem intensificando investimentos em descarbonização de ativos, eficiência operacional e novos combustíveis, em meio à pressão crescente do mercado internacional por metas ambientais mais robustas.

Investimentos se espalham por Cubatão, Mauá, Santos e Bacia de Santos

O pacote de R$ 37 bilhões também contempla expansão operacional em outras unidades estratégicas da Petrobras em São Paulo.

Na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, a companhia pretende instalar uma unidade dedicada à produção de SAF e Diesel Renovável (HVO), com previsão de entrada em operação até 2030. Já a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, seguirá ampliando a produção de Diesel S-10 após a expansão recente da unidade de hidrotratamento.

Em Mauá, a Refinaria de Capuava (Recap) terá reforço na capacidade da Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido de Resíduos (UFCC), ampliando a eficiência no processamento de petróleos do Pré-Sal.

A área logística também receberá investimentos relevantes. A Petrobras construirá o oleoduto OBAPI, ligando Barueri a Pilões e atravessando 13 municípios paulistas, além de um novo píer no Terminal Aquaviário de Santos voltado à movimentação de bunker B24, combustível marítimo com conteúdo renovável.

No segmento de exploração e produção, os aportes serão direcionados à Bacia de Santos, incluindo perfuração de novos poços e manutenção de ativos em campos estratégicos como Sapinhoá, Mexilhão e Aram.

Petrobras busca integrar expansão fóssil e transição energética

O anúncio em Paulínia evidencia a estratégia da Petrobras de manter expansão robusta em petróleo e refino ao mesmo tempo em que acelera projetos ligados à transição energética.

A combinação entre aumento da produção de derivados, investimentos em combustíveis renováveis e integração com fontes limpas reforça o posicionamento da companhia em um mercado global cada vez mais pressionado por eficiência, segurança energética e redução de emissões.

Para o setor de óleo e gás, os investimentos também consolidam São Paulo como principal polo industrial da Petrobras e peça-chave para a competitividade da cadeia energética brasileira na próxima década.

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